Armando Artur
Uma língua
é o lugar
donde se vê
o mundo
Vergílio Ferreira
Vozes 
Poéticas da 
Lusofonia
Na minha língua...
cada verso é uma
outra geografia.
Manuel Alegre
 
Armando Artur


 
 

                  Quando deponho sobre os teus dedos
 

Quando deponho sobre os teus dedos de frio
uma mão de grinalda e de sonhos
 vejo o amanhã inscrito nos teus olhos.
 


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. .. 
Armando Artur


VIAGE

Para habitar as planícies da ausência
e escalar os montes de tempo
 que não vives

eis a secreta viagem
 duma ave imaginária
em busca do instante
onde tudo recomeça
 


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Armando Artur


AGORA (NAO) PROFESSO
 

Agora não professo
nem sussurro ao vento
os segredos que reinvento, 
remo na transumância dos dias.  
O sonho, esse discípulo 
da noite dissipada, 
inspira-me à peregrinação.  
Agora não tenho fronteiras, 
mas quando o exílio da memória 
me retém o espelho dos dias 
ao sentido original das coisas 
regresso, porque é necessário 
ser contemporâneo do tempo.  
Agora, sim, professo: 
viver e abraçar os rumores 
do presente.

 


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Armando Artur

(O TEU CORPO DE TERRA E MARESIA)
 
 

O teu corpo de terra e maresia 
onde o meu barco se desencalha 
e abre velas e caminhos livres

o teu corpo de terra e maresia 
onde a minha proa anuncia 
segredos na esteira branca

o teu corpo de terra e maresia 
onde a minha bandeira de sonhos 
no mais fundo se revela

o teu corpo de terra e maresia 
onde o meu barco de novo se prepara 
para novas e longas viagens

em busca de um dia justo, limpo e pleno,
(assim seja!).
 


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