Leonel Neves 

A Semente
       
                                                                                   
Pelo caminho estreito que procuro, 
fogem, grasnando, patos assustados. 
Entre o caminho e as quintas há um muro 
simpático, – caiado dos dois lados. 

Sempre que vê passar bocas famintas, 
segreda para dentro, resoluto; 
e logo qualquer árvore das quintas 
deita um braço de fora e estende um fruto. 

Um dia, o vento trouxe uma semente; 
a terra que no muro dormitava 
lembrou-se que era terra… e, de repente, 
brotou do muro uma figueira brava!

 
                                               (In Natural do Algarve, Guimarães Editores, 1968;
                                               2ª edição Universidade do Algarve, 1986)
 
 
Remetente : Antonio Pedro Braga 

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Página editada por  Alisson de Castro,  Jornal de Poesia,  23 de dezembro de 1997