Martins Vieira


O Parnaíba

Vem de longe, tangendo alvacentas espumas Ao sabor da corrente, eriçando cachoeiras; Aqui, se aperta; ali, se espraia, enquanto as plumas De leques vegetais baloiçam nas palmeiras. Leva a flor que tranqüila adormece entre as brumas E se deixa impelir como as balsas fagueiras, Onde geme o violão do embarcadiço, e algumas Das cordas vão ferir as cordas verdadeiras... — Ó rio lá de casa, ó Pai velho das crianças, Águas que vão molhar o solo e as belas tranças Da noiva que se banha em ti, ao vento e à luz, Ó rio benfazejo, aplacarás a sede Do mar, deixando aqui o pão em cada rede a nós elo batismo, o nome de Jesus.


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