Otavio Ramos

Bar do Lulu

(à maneira de Fernando Pessoa e Noel Rosa)
O bar do Lulu solta fogo pelas ventas. Madrugada insinua ânsias lentas. A juke-box desfila Perfume de Gardênia - me alegro ao som do bolero plangente - beijo na boca uma negra do Kênia (nada do que é humano me é indiferente). Calorosos aplausos da claque - e eu peço ao garçom mais um conhaque. Me esqueço de ti no bar do Lulu. Säo tantas coisas tantos rires viveres sonhares quereres me sinto múltiplo de mim mesmo a nu, que por näo estares acabas por näo seres. Mas vai fechar o bar do Lulu -metafísico alvorecer de claro-escuro - empilham mesas, varrem o chäo duro e eu pago a conta e subo a rua, pra ir dormir junto com a lua.
(1995)

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