Mais de 3.000 poetas e críticos de lusofonia!

Ribamar Bernardes - no Facebook

 

 

 

Poesia:

 

Um pequeno bloco de poemas

 

I

a favor da inércia

e outros ócios

 

a incoerência

 

é o estágio último

da sabedoria

quando a

 

linguagem se de

teriora em preâm

bulos assimétricos

 

a imagem da litu

rgia metalúrgica

se justapõe à

 

indolência cremo

sa das metáforas

subterrâneas

 

emoções telúricas

subjazem os terri

tórios psicotrópico

 

s em dispersões c

atatônicas anterio

res ao símbolo

 

hecatombes esquiz

o-ferinas invadem m

ecanismos cartesian

 

os expondo feridas

no céu das bocas sa

udáveis os espaços

 

passam a habitar os

movimentos do tempo

e as árvores nascem

 

de excessos cerebr

ais de incertos automa

tismos surreais de lógi

 

cas dilatadas no ventre

das coisas e tudo se to

rna uma profusão de im

 

pulsos ambidestros cata

clismo de significância

múltipla ou corpo se ab

 

rindo à decomposição s

emântica - sonora fano

péia de ritmos ígneos

 

logopéia de absurdos

gloriosos ou simples

mente a ingrata taref

 

a dos oníricos empre

endedores da comun

icaçao também conh

 

ecidos como poetas

 


 

//

 

 

ou - riço

 

se hoje sou isso

esse es - quisito

eu não ex - isto

 

antes ins - isto

nisso de ser al

go al ém disso

 

e quando adm

ito isso de ser

um arti - fício

 

istmo entre o

vácuo e o vício

do falso ofício

 

des - isto de

ser om - isso

e faço físsil

 

em mil ori -

fícios a festa

do farto ilícito

 

a sina do sino

o ins - tinto do

assas - sino

 

de enfiar a faca

no sacro sentido

da difícil palavra

 

por isso sinto

mais do que vivo

mas sempre sobre

 

vivo ao salto

singro no alto o

que persigo

 

esse perigo

de ser isto e

depois isso

 

esse nada i

ntransitivo

ou - riço

//


 

 

intransitivo doralívio

 

estado de

distância distorcida

estalido instalado

no ouvido

o poema sempre

se desfazendo

nunca fomos

tão infelizes

quanto agora

quando no mar

de mortas

amoras

imersos - intrusos

no pregresso

prolixo

enxertos de

enxofre

em rotas de

rastos

nunca

avistamos

os leopardos

o poema no

cerne da carne

segue sumindo

egressos de

íntimo excesso

a cidade acima

das pálpebras

todas as coisas

ao toque se con

torcem

nunca houve

progresso

os homens urinam

nas calçadas

nunca caímos

tão fácil

 

 

garbo gomes julho/2024