Rodrigo Carvalho

Súplica

É noite. Deitei-me triste e vazio. Procurei uma fuga, no vasto mundo dos sonhos. Enganei-me. Minha vida não mudou enquanto eu dormia. Estou entregue à amargura, ao sofrimento. Minha alma agora sofre, meu coração está sedento. Como dói relembrar cada momento! A minha vontade, agora, é de gritar. Gritar minhas desesperanças! Gritar minhas desgraças! Mas a vida é breve, a vida é vã, como uma borboleta que passa. . . Mas tenho que sofrer sem um murmúrio sequer. Meus olhos banham-se na pureza de minhas lágrimas. E faço silêncio. Um silêncio tão intenso, a ponto de perder-me, na minha mudez aterrorizada. Entenda, mundo insano!! Hoje, respiro um ar sôfrego e expiro tristeza. A decepção dói no meu corpo. Poupem-me, ainda que por um momento!! Não afastem-se de mim, temendo a minha revolta! Não retirem-se da minha presença, desprezando o meu silêncio, pois que neste silêncio, revela-se o mal da minha existência. . .


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