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Stela Fonseca


 

FOI....FORAM....

Para Soares (PSI) Feitosa

                  

E a alma ficou impregnada de mais amor .... 

o que foi? 

Foi o olhar do menino 
correndo com as vertentes do Rio Macacos 
a procura da "gota gotejada da folha grossa folha, 
do jatobá mais alto" 

Foi o Centauro que despertou com a Luz de Março 
para ir buscar na garupa do vento, a mulher amar. 

Foi a janela deixada aberta 
porque "aqueles canários fugidos da gaiola 
podem voltar" e voltam. 

Foi o brilho dos "pontinhos de luz verd'azulados 
no Pico do Caga-Fogo". Valha-nos Deus! 

Foi a brava mulher mel, que cortava o laço 
para enlaçar no mundo, 
as almas que vinham do céu 

Foi a fome do mundo, 
no pão do céu da criança prozac 
realidade, esperança, vergonha e dor 

Foi o Réquiem do Sol de Tarde, 
tocando na vida de coisas mal morridas 
que fizeram chorar o menino 

Foi a saudade do Besouro Preto 
voando na Serra das Matas, 
levando o jumento Moleque 
"portador dos  mesmos silêncios o seu dono, 
titular dos mesmos amores de seu amo" 

Foi o som dos vestidos, 
que "desvestiam a alma", 
no dia que se fez o salto sobre o abismo. 

Foi o amor que mergulhou num dia de tarde ouro 
"nas touceiras azuis dos manjerições de cheiro" 

Foi aquela lágrima parida da súbita 
 "vontade de fugir e cavalgar horizonte e brisa" 
que se derramou sobre o mar salgado 
das ausências inscritas na alma. 

Foi Netuno que deixou suas águas, 
empenhou o seu tridente, 
(re) uniu  inspiração, iluminação, criatividade, 
tomou de empréstimo a experiência humana 
e foi matar a sua sede nas terras sêcas, 

transbordante de lembranças Siarah. 

   O que foi? O que será? 

Foi a imburana-de-cheiro 
que impregnou minh'alma 
        para sempre 
com os intensos odores, 
       amor côsmico, 

        desta indizível 
      penúltima poesia.

 

                                                      Salvador março/1998

 



Soares Feitosa, 2003
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