Jornal de Poesia

Soares Feitosa

William Bouguereau (French, 1825-1905), Mignon Pensive

À vista de ti

William Bouguereau (French, 1825-1905), Mignon Pensive

 

Nunca te vi, melhor que seja assim.

 

Teus cabelos seriam trinados ao vento?

 

Poderia eu dizer “treinados”, eles seriam —  porque aí corre 
o vento da tardinha — sempre me dizes
do vento.

 

Guardo teus papéis eu guardo.

 

Perco-os, justo que me percam.

 

Um cartãozinho..., teu, a te encontrar, azul...,
azul seria a saia de sair?

 

Ou, haverias de preferir uma roupinha amarela 
e os olhos vagos de nenhuma palavra?

 

O que poderei dizer quando te encontrar?..., se.

 

Nestes tempos modernos, teria lugar para um silêncio?

 

Falarias? 

De que nos diríamos?

 

Melhor que teus cabelos fiquem ao vento.

 

Ah, vento doce, da noite,

como me perfumas o hálito desta noite cedo.

 

Salvador, 06.05.1997

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William Bouguereau (French, 1825-1905), Mignon Pensive

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Jornal de Poesia

Lucas de Souza

Feitosa, fizeste poesia com todas as letras, sem tirar nem pôr. Gostei da cadência dos versos, do poema, da matéria, em si.

             Que teus poemas
      fiquem no tempo.
              Que teus cabelos
      no vento.

       

Com a amizade de sempre,
Lucas.
Ruth, by Francesco Hayez

William Bouguereau (French, 1825-1905), João Batista

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Jornal de Poesia

Luciana Martins

Poeta,

Linda a poesia, sutil como o vento nos cabelos, como um beijo que não acaba...

Luciana 

William Blake (British, 1757-1827), Christ in the Sepulchre, Guarded by Angels

José Saramago, Nobel

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Jornal de Poesia

Ruth de Paula

 

Reafirmo que qualquer palavra que se quer dizer imediatamente após a leitura dos teus versos, parecem meias palavras. O sentimento não vem todo, como se precisássemos de mais tempo para gozar do afago recebido.

Festa para meus olhos, e demais sentidos. Assim sendo, não silencio. Neste finíssimo À vista de ti, o poeta brinca delicadamente com suposições acerca do "vir a ser", do medo que supostamente sentiríamos se...; como seria se víssemos os cabelos, se víssemos a roupa, se ouvíssemos ou não a voz de quem nunca foi visto e sempre foi por nós amado/a.

Amado/a pelas palavras - bem ditas em cartõezinhos azuis, guardados ou perdidos. Amado/a pelas cenas idealizadas. O medo diante do poder de ver o amor tal qual foi pensado. Medo de fraquejar se porventura encontrássemos o amor logo ali na esquina, força tamanha, temer por estarmos tão próximo dele - oceano; e afogado/a  retrocedermos à possibilidade do real e só imaginar e imaginar. Jamais ver olhos, quem sabe vagos de nenhuma palavra. 

 

Ruth de Paula

 

Leighton, Lord Frederick ((British, 1830-1896), girl

Da Vinci, La Scapigliata

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William Bouguereau (French, 1825-1905), Mignon Pensive

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