Mais de 3.000 poetas e críticos de lusofonia!

 

Márcia Sanchez Luz

 

marciasl2001@yahoo.com.br

 

Alessandro Allori, 1535-1607, Vênus e Cupido
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


 

 

Crítica, ensaio e comentário:

 


Fortuna crítica:

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Uma notícia da poeta: 

 


 

 

MÁRCIA SANCHEZ LUZ, natural de São Paulo, capital, Márcia formou-se em Literatura Inglesa e Francesa. É pedagoga, psicóloga e tradutora de Inglês e Francês. Iniciou sua vida profissional como tradutora e redatora, tanto de manuais técnicos como de normas de documentação e projetos na área de Informática. É autora de diversos trabalhos de tradução e versão técnica nas áreas de alimentos, refrigeração e informática. Na área de Psicologia, desenvolveu um trabalho voluntário com crianças limítrofes. Escreve poesias desde os nove anos de idade. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Velazquez, A forja de Vulcano

 

Tiziano, Mulher ao espelho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ingres, 1780-1867, La Grande Odalisque

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Gates of Dawn, Herbert Draper, UK, 1863-1920

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Manoel de Barros

 

 

 

 

 

 

 

Riviere Briton, 1840-1920, UK, Una e o leão

 

 

 

 

 

 

Gerardo Mello Mourão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Márcia Sanchez Luz

 


ENTRE QUATRO PAREDES

 

 

Entre quatro paredes
Esqueço-te.
Faço de mim companheira
Guardiã de meus sentidos.
Digo pra mim mesma
Que a ninguém é permitido
Violar o meu silêncio.
Meu espaço é sagrado!
Entre quatro paredes
Não tenho defeitos...
Não sou acusada
Nem fico acuada.
Violar meu santuário
É invadir-me por inteira.
Guardo-me e, portanto
Não tentes me destruir.
Entre quatro paredes
Desvendo quimeras
Transcendo esferas
Estratosferas
Biosferas
Esperas
Eras...

 

 

PROFANO

Profano teu corpo
Como em mim ironizo teu gozo
Regozijo-me e te desconvido
A partilhar meu prazer.
 

Bendigo meu corpo
Como em ti assolei-me
Entreguei-te, vendada
O que vedado estava.

 

Bendito momento
Em que acordo, assustada
E descubro meu corpo
Inteiro, sem mágoas.

 

 

 

O ESPELHO

 

No espelho antevi o porvir
Moldado em arquétipos
Repleto de tipos
A se refletirem.

Contemplei limites
Vitais ilusões
Secretas crenças
A persistirem.

 

Veracidades...
Versatilidades...
Várias cidades
A se extinguirem.

 

Integrei-me à imagem
Em alto relevo
Entreguei-me à miragem
Que agora descrevo.

 

Seculares momentos
Discretos rebentos
Reflexos perdidos...
Puídos!

 

 

TRANSFORMAÇÃO

 

Vejo em teus passos
Pedaços de um todo
De um tudo jogado
Em cantos, quebrado.

 

Sinto em teus olhos
O medo do incerto
Do tempo que passa
Da luz que se afasta.

 

Repassas tua vida
Com ferro em brasa
Ateias fogo, jogas água
Não te bastas.

 

Procura então
Em meio aos pedaços
Unir-te inteiro.

 

Teus primeiros passos
Vão te machucar
Vais gritar de dor
Vais querer parar.

 

Porém continua!
O medo vai cessar
Vais achar teu rumo
Encontrar saída
Pra essa escuridão.

 

Não ateies fogo
Onde o ar é leve
Onde a tarde deve
Te dar solução.

 

 

O SER E A MENTE

 

Profícua mente escancarada
Doce mente estilizada
Elitizada e profanada
Insana e temerosa
Criação do nada
Que se esconde
Em prantos.

 

Em cantos
Se esgueira
Espreita calada
A cada segundo
Do ser e do mundo
Seu perfeito modo de ser
Atribulada mente... solitária.

 

 

 

LAREIRA ACESA

 

 

Em frente à lareira acesa
Contemplo o fogo que aquece
E que em brasa, a madeira
Meu amor transparece.

Meu coração não te esquece
Não te perde quando sonha
Enlouquece, entontece
Fica aceso feito chama.

Feito fogo em álcool embebe
Fico afoita, doida, rouca !
Te desejo, tonta e pronta
Te apercebes, me recebes.

 

Defronte à lareira acesa
Aqueço meus sentimentos!
Meus pensamentos se aquietam...
Aquieto-me frente à beleza
Que me convida a sonhar...
Com sua chama
Com sua calma
Acalma meus medos
Alerta-me
Fita-me
Incita-me
Faz-me sorrir.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Márcia Sanchez Luz


 

 
Sent: Saturday, June 02, 2007 7:04 PM
Subject: À Vista de Ti

 

Caro poeta Soares Feitosa

 

Nunca te vi, melhor que seja assim.

 

"Nunca te vi, sempre te amei" - um dos filmes mais lindos que tenho por lembrança...   esta tua frase me remeteu a ele... o quanto podemos conhecer e amar uma pessoa pelas palavras não proferidas, mas tão bem colocadas num pedaço de papel... experiências trocadas à distância, enriquecidas pelo imaginário de cada um!

 

Teus cabelos seriam trinados ao vento?

 

Sim, pois que o vento e seus mensageiros tilintam os mais diversos sons sobre eles!       

 

Nestes tempos modernos, teria lugar para um silêncio?

 

Um silêncio da voz, certamente!

Bastaria a constatação da existência além da virtualidade.

 

Abraço-te, poeta

 

Márcia

 

 Direto para Á vista de ti

 

 

Tiziano, Mulher ao espelho

Manoel Ricardo de Lima, 2003

 

 

 

 

 

 

21.5.2007