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Abgar Renault 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Morte de César, detalhe

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia :


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William Blake (British, 1757-1827), Christ in the Sepulchre, Guarded by Angels

 

William Blake (British, 1757-1827), The Ancient of Days

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Franz Xaver Winterhalter. Portrait of Mme. Rimsky-Korsakova, detail

Abgar Renault


 

Bio - bibliografia
 

 

ABGAR de Castro Araújo RENAULT - Nascido em 15 de abril de 1901, em Barbacena, Minas Gerais, é filho do Dr. Leon Renault e de Dona Maria José de Castro Renault; casado com Ignez Caldeira Brant Renault, tem dois filhos, Caio Márcio e Luiz Roberto, e três netos, Caio Mario, Abgar e Flávio. Realizou os estudos primários, secundários e superiores em Belo Horizonte, havendo sido orador da turma na cerimônia de colação de grau; foi professor do Ginásio Mineiro, oficial, da Universidade Federal de Minas Gerais, do Colégio Pedro II, mantido pelo Governo Federal, e da Universidade do Distrito Federal; Deputado no Estado de Minas Gerais, Diretor da Secretaria do Interior e Justiça do mesmo Estado, Secretário do Ministro da Educação e Saúde Pública Francisco Campos e seu Assistente na Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal, Diretor do Colégio Universitário da Universidade do Brasil, o qual organizou e pôs em funcionamento; Diretor do Departamento Nacional da Educação, Secretário de Educação do Estado de Minas Gerais em dois governos, Ministro da Educação e Cultura, Diretor do Centro Regional de Pesquisas Educacionais João Pinheiro em Belo Horizonte; Ministro do Tribunal de Contas da União; membro do Conselho Federal de Educação e do Conselho Federal de Cultura, representante do Brasil na Conferência Internacional que fundou a UNESCO, em Londres, no ano de 1945, membro da Comissão Internacional do Gurriculum Secundário, da UNESCO (1956 a 1959); Consultor da UNESCO na Conferência sobre Necessidades Educacionais da África, em Adis Abeba (1961); membro da Comissão Internacional sobre Educação de Adultos, da UNESCO (1968 a 1972); representante do Brasil em numerosas conferências internacionais sobre educação levadas a efeito pela UNESCO em Paris, Santiago do Chile e Teerã; eleito várias vezes membro da Comissão de Redação Final dos documentos dessas reuniões; membro da Comissão Consultiva Internacional do "The World Book Enciclopaedia Dictionary (Thorndike-Barnhart Copyright, 1963, Doubleday & Company, USA); Professor Emérito da Universidade Federal de Minas Gerais. Agraciado com as seguintes condecorações: Ordem Nacional do Mérito Educativo, Grande Oficial da Ordem de Rio Branco, Grande Oficial da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, Medalha do Mérito Educacional do Estado de Minas Gerais, Medalha de Honra ao Mérito da Sociedade Educacional Nuno Lisboa. É membro da Academia Mineira de Letras, da Academia Brasileira, da Academia Brasiliense, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Stanford, Califórnia, da Academia Brasileira de Educação, da Academia Brasileira de Filologia e do Conselho Curador da Fundação Getúlio Vargas.

 

Obras:
 

 

" A Palavra e a Ação"( estudos e reflexões sobre o ensino primário no Estado de Minas Gerais - 1952), "A Crise do Ensino Secundário: Aspectos da Crise Geral do Brasil (Separata de "Kriterion", revista da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (1954), : Missões da Universidade (idem, idem - 1955), "The Termination-ing", Tese de Concurso (1958), "História, Estrutura e Psicologia da Língua Inglesa (in Enciclopédia Delta - 1961), "Conceituação de Diretor Qualificado" (separata de DOCUMENTA, revista do Conselho Federal de Educação), "Universidade, Cultura e Desenvolvimento"(Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos), "A Lápide sob a Lua"( Im prensa da Universidade Federal de Minas Gerais, edição fora do comércio - 1968), "Sonetos Antigos"(idem, idem, idem), "Sofotulafai"(idem, idem, idem - 1971), "A Outra Face da Lua" (Editora José Olympio - 1983), TRADUÇÕES: "Poemas Ingleses de Guerra"( Oficinas Gráficas do Jornal do Commercio, edição fora do mercado - 1942), , idem (Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, 2a. edição - 1970) "A Lua Crescente"de Rabindranath Tagore (Editora José Olympio - 1942), "Colheita de Frutos"(idem, idem, idem - 1945), "Pássaros Perdidos"(idem, idem, idem - 1947), "O Boi e o Jumento do Presépio"de Jules Supervielle (em suplemento à revista "Criança e Escola", Belo Horizonte, 1965). Estão inéditas numerosas traduções de poetas ingleses, norte-americanos, franceses, espanhóis e alemães, bem como um estudo sobre Tagore e uma série de reflexões e anotações intituladas "À Margem do Tempo". Estão igualmente inéditos os seguintes estudos: "A Crise Brasileira e a Responsabilidade dos Educadores, Educação para o Desenvolvimento?, "Significação Pedagógica e Importância Cultural da Língua Moderna", "De Vário Tempo"(discursos, conferências e estudos literários).

Como Ministro da Educação e Cultura, em curta administração, Abgar Renault criou: no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, O Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais e mais cinco Centro Regionais; como Secretário de Educação em Minas Gerais, criou: o Serviço de Orientação e Seleção Profissional (SOSP); a Campanha de Reparos e Restauração de Prédios Escolares (CARRPE); o serviço de Ensino Primário em Zonas Rurais,entregue a Helena Antipoff; os cursos de férias na capital do Estado, para os professores dos ginásios e das escolas normais oficiais; e promoveu o convênio de que resultou o Programa de Assistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar (PABAEE).
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Franz Xaver Winterhalter. Portrait of Mme. Rimsky-Korsakova, detail

Abgar Renault


 

Antologia Poética
 


"Prefácio de Desculpas"
 


Perdoai-me a soberba de haver-me sonhado vosso irmão,
sem ver nem ouvir estéril vácuo nas minhas palavras,
que não soube nunca encher meu grave coração.
Perdoai os versos incomunicáveis do chão de lavas
e de pedras em que vivo. Perdoai o vinho, o sal, o pão
sem fé que meu corpo e minha alma receberam gratuitamente.
Perdoai perdidamente a voz esquiva e outrora,
que entre os esbeltos cantos de profundas vozes
se compôs de tristeza essencial e de vaga alegria malcontente,
se ergueu, e se apagou de pobreza e de fadiga.
Perdoai-me se me esqueci a mim sentado entre vós,
como um de vós, e não reconheci meu destino tão comum,
e procurei dar-lhe forma impossível, sem o hálito de fogo que
[anima a elementar argila.
Perdoai, em mim, a quem se viu um dia sem destino nenhum.
Vós, poetas, não sabeis o amargo de ser ou não ser poeta
quando o mundo em dor se alarga e em água se reduz e cintila,
quando o amor em nossa carne viva morde a sua garra ou seta,
ou quando, na hora mais morta da noite, entre mar e mar,
a vida só existe no olhar intenso da treva a escrutar
dentro da insônia grávida o que fizemos da nossa vida.
Não podeis saber como arrasa saber o que é poesia,
ouvi-la e vê-la onde está, sentir que nasce de um sem-querer,
às vezes de fortuito encontro de domésticas palavras
em coito inesperado, que gera sentidos novos e novos sons,
e não poder captá-la, nem à noite, nem à tarde, nem ao aberto dia,
nem acordado nem desacordado nas surdas tumbas do sono...
percebê-la, evasiva e arisca, esgueirando-se entre todos
[os vocábulos bons ou maus,
feios ou belos, da língua mais ilustre ou mais plebéia...
Tê-la doendo agudamente no sangue e vê-la, quando irrompe visível
- idéia sem forma ou forma sem idéia -,
reduzida a esta rala poesia, a esta nenhuma poesia sem surpresa e sem mistério,
a este coração nu, direto, elementar, irreversível...
(oh, o íntimo cansaço da poesia equilibrada, consciente, silogística,
que nasce, cresce e se conclui como um teorema ou uma fórmula estatística...)
Sobre tudo ignorais, ignorareis (sois poeta!) a suada impotência
de não ser vossa aquela mão, esse ouvido, certo sortilégio, a ciência,
a antena, o acaso, o não-sei-que divino, humano, aéreo,
que condensa e repete o poder de todas as filogênese
e faz nascer numa folha de papel, entre vertiginosos traços,
a rosa, Júlio César, um sapo, a Virgem Mãe, uma estrela em pedaços,
um carbúnculo, esta salamandra, e a esfinge
- a esfinge que ontem, na estrada de Tebas, fitou em mim os seus olhos e me dissolveu.
Não sabeis, não sabereis jamais, como eu,
quanto mata sentir que a poesia nascida da punhalada mais aguda é triste concha vã,
sem nenhum eco de mar, e que para ela não existe amanhã.
 

   

 

Tiziano, Mulher ao espelho

 

 

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Herodias by Paul Delaroche (French, 1797 - 1856)