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Francisco Brennand

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Ruth, by Francesco Hayez

 

Albrecht Dürer, Mãos

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904) - Phryne before the Areopagus

 

 

 

 

 

Francisco Brennand



Biografia


Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand (Recife PE 1927). Ceramista, escultor, desenhista, pintor, tapeceiro, ilustrador e gravador. Inicia sua formação em 1942, aprendendo a modelar com Abelardo da Hora (1924). Posteriormente, recebe orientação em pintura de Álvaro Amorim e Murilo Lagreca (1899-1985). No fim dos anos 1940, pinta principalmente naturezas-mortas, realizadas com grande simplificação formal. Em 1949, viaja para a França, incentivado por Cícero Dias (1907-2003). Freqüenta cursos com André Lhote (1885-1962) e Fernand Léger (1881-1955) em Paris, em 1951. Conhece obras de Picasso (1881-1973) e Miró (1893-1983) e descobre na cerâmica seu principal meio de expressão. Entre 1958 a 1999, realiza diversos painéis e murais cerâmicos em várias cidades do Brasil e dos Estados Unidos. Em 1971, inicia a restauração de uma velha olaria de propriedade paterna, próxima a Recife, transformando-a em ateliê, onde expõe permanentemente objetos cerâmicos, painéis e esculturas. Em 1993, é realizada grande retrospectiva de sua produção na Staatliche Kunsthalle, em Berlim. É publicado o livro Brennand, pela editora Métron, com texto de Olívio Tavares de Araújo, em 1997. Em 1998, é realizada a retrospectiva Brennand: Esculturas 1974-1998, na Pinacoteca do Estado, em São Paulo. Desde os anos 1990, são lançados vários vídeos sobre sua obra, entre eles, Francisco Brennand: Oficina de Mitos, pela Rede Sesc/Senac de Televisão, em 2000.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Francisco Brennand


Observações ao estilo de Soares Feitosa

“Estou com o século XXI
respirando na minha
nuca.  Preciso me mexer
logo, entende.”
(The Smiths, grupo musical inglês)

 

Ela disse: 
que das trevas surgiria 
uma mão prateada de um Anjo 
para sustentar a cabeça decepada 
da Grande Prostituta Austríaca 
(como vociferavam os sans-culottes). 
Pobre Rainha tão sábia  
quanto gentil 
e inocente Antoinette 
ao indagar por que não comiam 
bolo, no lugar do pão 
que faltava aos desafortunados. 
  

Eu não vi. 
Mas ela viu, 
nos Espaços Estelares. 
  

                                                1.  O que não estava presente 
                                                2.  nos poemas carcomidos 
                                                3.  vivificados agora 
                                                4.  pela estrela do computador  
                                                5.  decifra-me ou eu te devoro. 
                                                6.  Só vemos o que somos. 
  

Célere levou o “Pimpinela Escarlate”, 
pregada no seu colo 
a sangrenta cabeça real, 
como Mathilde de La Môle 
o fizera com a do amante 
Julian Sorel, repetindo assim 
o antigo fervor religioso 
de Margueritte de Valois 
pelo amante Boniface de La Môle 
decapitado em 1574  
  

                                                —— Corpo honrado............  Sire! 
  

observou Felipe IV 
ao seu confuso ministro Luis de Haro 
quando o corpo de Carlos V foi exumado 
(um século depois) 
no  Mosteiro de Yuste. 
  

                                                Sentia-se no ar 
                                                a fragância do mirto. 
  

                                                —— Corpo honrado, Dom Luis. 
  

                                                E o ministro respondeu, 
                                                com o mesmo laconismo: 
  

                                                ——  Mui honrado, Sire! 
  

Aonde não sobram  
nem os dez Justos ¹ 
de Sodoma 
como recorda o 
poeta Soares Feitosa, 
neste mundo  
da Enola Gay  ¹ 
entronizada.  Finalmente. 
  

“Que com os reis esteja a crueldade: 
Ela é o anjo que vem antes do mal 
e sem o tal arco não me restaria 
ponte nenhuma através dos tempos” 

                                                Assim falou Rilke em 
                                                O Livro de Horas 
 

                          Quando Soares Feitosa 
                          desvendou o mistério da prematura 
                          morte dos jovens 
                                          (só eles sabem morrer com dignidade) ² 
                          sua voz distanciou-se 
                          no prado metálico 
                          da velocidade, com 
                          a mesma pressa das parábolas 
                          do Cristo - na interpretação 
                          Mateus & Pasolini. 
                          Não tinham tempo a perder. 
                          não havia pausa  
                          nem Piedade: 
antes configurava-se o Eterno! 



¹ Expressões do Poema Format Cê Dois Pontos, de Soares Feitosa.

² Expressões do Poema Buscando a Teoria, de Soares Feitosa. 
 


Soares Feitosa, 2003
Leia a obra de Soares Feitosa


 

 

 

 

 

16/05/2006