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João Bosco da Encarnação 


 

Prefácio, ensaio, crítica, resenha & comentário:


Poesia:


Fortuna crítica:


Alguma notícia do autor:

 

 

 

William Blake (British, 1757-1827), Christ in the Sepulchre, Guarded by Angels

 

Franz Xaver Winterhalter. Portrait of Mme. Rimsky-Korsakova. 1864.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

João Bosco da Encarnação


 

A poesia de Soares Feitosa

 

Em Feitosa, a religiosidade (até em sentido amplo) faz bem. É um pulsar do Universo captado por esse Universo interior. É harmonia, é paz. Numa palavra russa, é “mir”! Mas, uma coisa intriga: a vertente nordestina. Essa literariedade da vida do Nordeste, tão bem demonstrada em No Céu tem Prozac e em O que digo entre as flores?!

Precisaríamos — os não nordestinos — de muita capacidade para alcançá-los. O autor tem essa consciência, ao se voltar e homenagear justamente suas raízes, como o faz em Thiago. É verdade mesmo que só começou a escrever aos 50 anos? É de assombrar!
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

João Bosco da Encarnação


 

O poema!


O poema!

O que aconteceu

que ninguém leu,

nem mesmo eu?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornal de Tributos, o lado profissional de Soares Feitosa

 

 

 

 

 

João Bosco da Encarnação


 

O cavalo é Momento


O cavalo é Momento,
o cavaleiro é Eu.
Momento jamais se perdeu,
mas Eu tem seus tormentos!


Momento é tão leve
que Eu nunca se atreve
a frear seus galopes.


Não entende a Beleza,
porém, dessa Leveza,
que encanta, sendo golpes.


Momento, na sua destreza,
engana seu montador,
que sofre uma dor,
destruidora tristeza.


Essa dor, que a sente
na forma de um prazer,
e assim, sem se atrever.


A tentar frear Momento,
no próprio ausente
de si, seu leve tormento!"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornal do Conto

 

 

 

 

 

João Bosco da Encarnação


 

Essa noite


Essa noite estranha,
é uma noite de medo,
pavor de mim mesmo.


Quando penso me vejo
pensante,
ouço o ruído incessante
— enervante —
do mar,
tenho medo.


Do latido de um cão
longínquo,
tenho medo.


E receio tanto
a escuridão silenciosa
da noite...


E me assusto tanto
com o barulho da folha seca
e do vento tenebroso
na encosta...


A existência só
e a coexistência só
de um mundo de mortos
me amedrontam,
apavoram.


E tenho um pavor imenso
de ser e de sentir...


Queria ser apenas algo
e não querer...


O pavor do silêncio noturno,
povoado de fantasmas
que riem do meu temor,
o medo da morte
porque parece uma noite
de silêncio profundo,
faz ouvir minha fraqueza,
um cão latindo ao longe,
triste,
um som de silêncio no ouvido,
enlouquece
e assusta como se houvesse
— e talvez haja —
algum estranho na escuridão.


E me assusto
com a escuridão e o silêncio
— nadas —
que reinam em mim...


Vazio que reina em mim
— tudo —
possível e impossível.


Alma solitária
jogada num abismo,
vê-se lá de cima do penhasco
onde o mar encontra as pedras,
um grunhido,
um bafo ofegante
— monstro —
nas minhas costas infinitas,
do tamanho da escuridão
que esconde o mar dos olhos
e nos ouvidos
preenche a imaginação.


 

 

 

 

 

 

26.08.2005