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Ricardo Alfaya

Theodore Chasseriau, França, 1853, The Tepidarium

Poesia:


Ensaio, resenha, crítica & comentário: 


Alguma notícia do autor:

 

Ricardo Alfaya

 

Henry J. Hudson, Neaera Reading a Letter From Catallus

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), João Batista

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Bathsheba,

Ricardo Alfaya


 

 

Nota Biográfica:

 

RICARDO ALFAYA é o nome artístico de Ricardo Ingenito Alfaya, filho do espanhol Ricardo Ambrosio Alfaya Garcia e da mineira, descendente de italianos, Maria do Carmo Ingenito Alfaya. Nasceu no Rio de Janeiro, em 08 de agosto de 1953. É Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Bacharel em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo, pela FACHA, Faculdades Integradas Hélio Alonso. No período de 1979 a 1982, escreveu resenhas e artigos para o "Informativo", da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e para o tablóide "Perspectiva Universitária", da Fundação Mudes, Fundação Movimento Universitário para o Desenvolvimento Econômico e Social.

Trabalhou durante 21 anos, de 1974 a 1995, no Banco do Brasil S.A., onde chegou a exercer cargos de Gerência Média e atuou no DESED, Departamento de Seleção e Desenvolvimento de Pessoal. No DESED, foi Professor de Relações Humanas e corrigiu provas de redação para concurso seletivo interno. Hoje atua como jornalista e ministra aulas de redação.

Alfaya escreve também poesia, crônica, conto, ensaio. Em 1982, editou pela Poeco, atual João Scortecci Editora, de São Paulo-SP, o livro de poesia discursiva "Através da Vidraça". Desde então, vem participando de inúmeras antologias, das quais destaca os volumes III, V e VII de Saciedade dos Poetas Vivos, de Blocos Editores, organizados por Leila Míccolis e Urhacy Faustino.

Prefaciou livros para os escritores J. Cardias, Joaquim Branco, P.J. Ribeiro e Ronaldo Cagiano. Textos de sua autoria, em verso e em prosa, foram divulgados em inúmeros periódicos e suplementos literários. Obteve vários prêmios, dos quais sublinha sua inclusão por Leila Míccolis no "Projeto Brasil 500 Anos de Poesia", que indica 300 nomes significativos da Poesia Brasileira, desde sua origem a nossos dias. Participa ainda, com sua esposa Amelinda Alves, do Movimento de Arte Postal e Poesia Visual, tendo diversos visuais em mostras, tanto do Brasil, quanto do Exterior, muitos deles escolhidos para integrar os catálogos das exposições. Igualmente com Amelinda Alves, é editor do informativo cultural Nozarte, que existe há cinco anos, com nove números editados.

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rinaldo e Armida

 

 

 

 

 

Ricardo Alfaya



Sobre Estudos & Catálogos - Mãos, de Soares Feitosa

Caro Soares,

Registro com satisfação recebimento do Estudos & Catálogos - Mãos, um trabalho em que mais uma vez combina eletrônica comRicardo Alfaya artesanato. Importante também porque traz para o papel material do Jornal de Poesia, aumentando com isso as chances de sobrevivência do material. Quanto à qualidade do escrito e dos comentários dos autores, excelente, como sempre.

Desde o início você tem sido um dos que têm sabido melhor aproveitar os recursos de interatividade que a Internet oferece, ao mesmo tempo promovendo seu próprio trabalho e o de outras pessoas, com enorme talento. Os Catálogos evidenciam essa visão de conjunto em que se tem o seu trabalho e o dos comentaristas bem demarcados, enquanto que, simultaneamente, ocorre a integração e interatividade desses textos, formando um conjunto único. É muito interessante.

Ricardo Alfaya

 



Sobre Um cronômetro para piscinas, de Soares Feitosa

 

Subject: Re: Ricardo, espie! Espiei
Date: Thu, 26 Dec 2002 13:02:14 EST
To: jpoesia@secrel.com.br


Caro Soares,

Vi a caprina história assim:

"Cabra" é uma das chaves, jogo da imagem "cabra" com "cara". Refere-se sobretudo ao personagem principal da história, o pai que cometeu o crime. Quanto ao assassinato, trata-se de episódio talvez simples, seco e direto, que foi todo ornamentado.

Três Veras. Vera é verdade. São três os tiros e, a despeito, da confusão, são pelo menos três versões (três verdades / veras) as que sobressaem: a do pai (o cabra); a do filho (comerciante); e a do coronel.

Patativa, literato popular homenageado que ornamenta os acontecimentos com o uso da palavra. Aqui, sinônimo de arte. Você escritor de formação intelectual, que ornamenta o acontecimento com o uso da palavra. Aqui, sinônimo de arte, também. Por outro lado, as fotos dos dois ornamentam agora a palavra. Há um jogo de ironia aqui.

Monalisa é Vera na janela. Porém, mais do que isso, simboliza o enigma do texto. O famoso "riso enigmático" de Monalisa, de quem se diz representar o próprio riso de Da Vinci. Parece-me que a modelo que pousou para o quadro era uma pessoa comum da época. Ornamentada pela arte, tornou-se grandiosa e eterna.

Decifra-me ou te devoro. As interrogações vão descendo pela página. Interrogações, Monalisa, Cabra, sua foto, Patativa, assim como o próprio texto em si. O texto parece querer chamar a atenção do leitor para o fato de que ali existe um enigma. Só que, contraditoriamente, os recursos para revelar a existência do enigma, terminam eles mesmos acrescentando enigmas ao enigma.

Até mesmo a "Moral da História", que surge na possível fala do monge (nada parece palpável na narrativa) possui um caráter ambíguo, de crítica e de elogio, ao mesmo tempo.

Por certo há outros enigmas, outros detalhes. Como bem já observou Yêda Schmaltz, na opinião anterior, há uma "discussão do discurso dentro dele próprio". Esse é um dos pontos, ou talvez mais precisamente o ponto: na dimensão em que vivemos, a verdade é formada por múltiplos discursos que se intercalam, sendo fugidio, talvez impossível, o conceito de verdade absoluta. Isso me faz recordar alguma coisa que li em Michel Foucault a respeito.

Para encerrar, diria que ocorreu, enquanto escrevia essas palavras, uma espécie de "visualização espontânea", na qual apareciam três folhas em branco suspensas no ar como plataformas. Em cada uma delas se moviam os acontecimentos das três diferentes versões. Talvez adotar como verdade todas as versões fosse uma solução para o problema. A versão, afinal, é sempre maior que o fato. E toda versão (todo "boato" como talvez preferisse Uilcon Pereira) tem um fundo (falso?) de verdade.

Por outro lado, se fôssemos proceder assim no cotidiano, isto é, aceitando todos os discursos e versões como verdadeiros, terminaríamos sufocados ou perdidos pela impossibilidade de compreender com clareza até mesmo os mais corriqueiros fatos, tal como, até certo ponto, sucede tanto aos personagens envolvidos na deliberadamente confusa história, como com todo aquele que a lê. Talvez resida na constatação e na proposta desse fenômeno o principal objetivo da narrativa.

Será que a minha versão chegou perto da "verdade verdadeira" a que se propõe o texto ou fui devorado pela Cabra-esfínge-da-peste?

Um Bom Natal,

Ricardo Alfaya

 



Sobre Nobel para Sadã, de Soares Feitosa

Sent: Thursday, March 27, 2003 2:11 PM
Subject: Re: Ricardo, espie! Espiei

 

Caro Soares,

Ô rapaz, por um momento seu minino me deu um susto, sabiá? Mas adespois que flui lá, vi qui era só tudo ironia, oxente.

Intonces, sair de lá, contente.

Sararvá,

R. Alfaya

 



Sobre A menina afegã, de Soares Feitosa

 

Sent: Thursday, May 16, 2002 1:25 PM
Subject: Re: Um ensaio sobre a menina afegã

 

Prezado Soares,

Olhei, reolhei, li, reli, fiquei muito impressionado. Você pegou a menina afegã, tirou do cruel deserto de lá e trouxe para a cruel seca de cá. Sim, há um gosto de dor e de morte. De corte da fotografia, acompanhado por uma ação paralela de corte de filme que acaba resultando também em corte do personagem em sua história.

Você faz uma simbiose de narrativa com ensaio, em paralelo ao ensaio com história que há na foto. A foto conta uma história. E você conta uma história ao mesmo tempo contando a foto. A história é cortada, como a foto é cortada. São fragmentos, um jogo de calidoscópio. Um dos momentos mais impressionantes é quando você estabelece a comparação textual falando no fogo e a gente inclina a cabeça para o texto e sente uma espécie de brilho de fogo gélido, uma luz estranha que vem do olho da menina e atinge o canto do nosso olho, provocando uma sensação geral de estranheza, desencadeando uma certa indecisão.

Afinal, ficamos no texto ou nos deixamos hipnotizar pelo olho de mar que nos espreita? Em resumo, mais do que uma simples leitura, diria que foi um contato, uma experiência. Uma experiência sensorial, afetando tanto a mente quanto o corpo.

Ah, outro aspecto interessante é que você faz um movimento de câmera sobre a foto, subindo e descendo pelo rosto, transformando-o numa paisagem... árida, como árido é o deserto e o solo calcinado pela seca. Sina Severina, dessa afegã menina.

 



Sobre Dos sapos e dos livros, três pequenos enigmas, de Soares Feitosa

Sent: Sunday, October 19, 2003 8:00 PM
Subject: Dos sapos e dos livros

 

Caro Soares,

Desculpe a demora, estou cuidando de muitas coisas ao mesmo tempo, então há momentos em que os assuntos se embolam completamente.

Verifiquei a página do José Geraldo Neres, com a respectiva resenha que lhe fiz, ficou tudo muito belo.

Li também o texto solicitado, nele há um revezamento mágico de coelho, com sapo, obra com cobra, num jogo de tangências, de aproximação e afastamento. Há ainda um exercício de colagem de cenas da memória com textos que lhe chegaram, com o qual constrói o tríptico sobre os três enigmas narrados. Em minha interpretação, os enigmas caminham na direção de um outro de maior gravidade e universalidade, que diz respeito à questão do relacionamento verdade/ficção, talvez a questão maior que tenha motivado todo o texto. Como sempre, uma arquitetura deveras singular, como aqual vai cada vez mais caracterizando seu estilo.

Desses museus naturais ambulantes de que você fala, recordo-me de ter visto um ainda criança, numa praça em Belo Horizonte, quando passava as férias por lá. Nunca pensei que aquela visita ao bizarro ambiente alguma vez me pudesse vir a ser útil, mas acho que o foi agora, muitas e muitas décadas depois, para ajudar-me a visualizar melhor o ambiente que em que transcorre parte de sua crônica.

Fico contente que tenha recebido o livro. Fico então no aguardo de um comentário seu a respeito.

Um grande abraço,

Ricardo Alfaya

 

 

Albrecht Dürer, Mãos

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Ricardo Alfaya

 

 

 

 

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