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Abelardo Romero

13.6.1907, Lagarto, SE; 17.3.1979

Jornal do Conto
 

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Micheliny Verunschk

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O nome de Abelardo Romero Dantas, segundo Assis Brasil, ao lado de José Maria Fontes (1908-1994), figura como o precursor das mudanças estéticas do Modernismo, chegadas ao Estado de Sergipe por volta das primeiras décadas do século XX. Consciente, Abelardo Romero já começava a brincar com os versos, sem respeito à métrica ou a qualquer padrão poético. Por natureza, o poeta se apresentava livre em sua fonte de inspiração e em sua criação lírico-literária. Os historiadores da literatura sergipana o classificam como um promissor pré-modernista e um modernista lírico. Nascido a 13 de junho de 1907 às 5 horas da manhã de um dia de Domingo, filho de Etelvino Dantas e Maria Romero Dantas, Abelardo Romero era de família tradicional que já dera vultos importantes, a exemplo de seu tio-avô, o folclorista Sílvio Romero, também nascido em Lagarto.

Atividade predileta (RJ, 1951). Acervo familiar.Foi jornalista, poeta e escritor, com poemas publicados na África e na Europa, tendo sido citado e reconhecido por todos os cantos do Brasil e do mundo, onde percorrera; recebeu na Itália, num postal futurista, os aplausos de Felipe Marinetti. Na França foi elogiado por Georges Lê Gentil, que ressaltou a originalidade de sua mensagem lírica. A critica Argentina o colocou entre os conceituados poetas do Brasil, tendo sido também elogiado por reconhecidos homens de letras, europeus e norte-americanos, bastando citar entre eles: Antonio Rosado, em Portugal; Geraldo Diego, na Espanha, Émile Dantinne, na Bélgica, Heinz Piontek, na Alemanha e Philip Booth nos Estados Unidos. Estreou como poeta graças ao incentivo de Murilo Araújo.

Membro da Academia Sergipana de Letras ocupou a cadeira de nº 16, mais tarde da professora Ofenísia Freire. Faleceu em Lagarto, aos 72 anos, no dia 17 de março de 1979, no antigo povoado Cidade Nova.
De sua seara literária, é autor dos seguintes livros de poesia: Trem noturno (1931), Vozes da América (1941), As Rosas e o Relógio (1949); A Musa Armada (1954); Exílio em Casa (1955); O alegre Cativo (1959); O Passado Adiante (1970) e Visita ao Rio (1978). Na prosa, destacou-se com: Sílvio Romero em família (1960); Origem da Imoralidade no Brasil (1967); Chatô, a verdade como anedota (1969), Heróis de batina (1973) e Limites Democráticos do Brasil (1975), este último sem publicação ainda. Em 1940, pôs seu dom poliglota a serviço traduzindo dois romances: A Rainha Elizabeth – de Lytton Strachey; e Falso Testemunho – de Irving Stone.
 

Astrid Cabral

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

William Blake, Death on a Pale Horse

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Victor Mikhailovich Vasnetsov, Rússia, 1848-1926, The Knight at the Crossroads

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Riviere Briton, 1840-1920, UK, Una e o leão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abelardo Romero

 

 

ODE A RASUNDA

 

As ilustres façanhas se olvidam quando

         as deixamos rodeadas de silêncio.

                                                Pindaro

 

Torres coroadas de brasas
correndo atrás de comboios,
a rubra boca rotunda
dois faróis falando às vagas,
e nas balizas celestes
pipilo de estranhas aves.
 

Na orla da noite ornada
de luzes senta-se o Rio,
e, na escuridão profunda,
em vermelho sobre o negro
datilografa seu augúrio:
chove amanhã em Rasunda.
 

A manhã já não divulga
o chilreio das gaivotas,
nem o marulho dos cascos
de potros de escamas alvas
se contorcendo feridos
pela chama que os inunda.
 
O boi deitado no pasto
espanta com a orelha bamba
irisada mosca imunda
que lhe perturba a audição.
Galápagos colam o ouvido
ao planalto ressoante.
 

Os que falam dentro d’água
anunciam pelo mundo:
crisântemos sobre crisântemos
nas cadeiras numeradas.
Pálidas bocas ansiosas
de baleias moribundas.
 

Bravo! The kings of soccer.
Sie freunten sich wie die kinder
Ah, c’est un merveilleux ballet.
Es tu hijo, madre España!
Per jovem, il brasile é nato
col vivo pallone al pie.
 

Os suecos correm loucos,
pateiam como corceis
sobre seu campo de colza.
Enrugam o rosto no esforço.
O Brasil baila em alvoroço.
Brinca com a bola nos pés.
 

Viena, Londres, Moscou,
Paris, Berlim e Belfast
dilatam as órbitas ocas
dos vídeos. E em Estocolmo
a língua dos galhardetes
vibra por nós em Rasunda.

 

Para o céu sobem lianas
pelas sebes de cimento.
Mãos e bocas, olhos soltos
saltando pelas persianas,
e no lagar dos conventos
mistura de pranto e mosto.
 

Sirenes, sinos, girândolas.
Não se janta. Ninguém ama.
E os rios descem salobros
na larga face fecunda.
Pais e filhos dormem juntos
sobre os louros de Rasunda.
 

Remetente : Walter Cid

 

 

 

 

 

 

TREM NOTURNO

 

Noite ideal para um brusco desaparecimento....

 

Todos estão impacientes

Mas o trem noturno vai partir.

 

Mereço este castigo de andar sem rumo

Por não haver engano a ninguém?

Agora também desejo que ninguém acredite

na amargura das minhas palavras.

Preciso ser diferente, diferente...

 

O trem partiu,

Correndo sobre os rails,

Correndo, correndo...

 

Eu sou o passageiro que pensa, calado.

A felicidade anda sempre na frente da locomotiva.

Sou o passageiro calado do trem noturno.

 

Em torno de mim

Há olhos vivos,

Velozes

E há também

Olhos tristes, vagarosos.

 

O trem noturno

O trem

Noturno

Entre as arvores,

Entre as montanhas....

 

Noite ideal para um desaparecimento...

 

Não há testemunhas ao ar livre.

Somente o vento acompanha o comboio iluminado,

Entre as arvores,

Entre as montanhas.

 

Vou pensando em ti,

Mas eu não te quero mais.

Quiseste me judiar como se eu fosse pássaro ou menino.

Não te quero mais.

 

E já que não posso ser feliz,

Quero o destino do trem noturno

Iluminado,

Entre as arvores,

Entre as montanhas.

Madrugada.

 

A geada

Do campo

Entrou no meu compartimento.

É creme para o meu rosto macilento.

Estou esquecido,

Entorpecido.

Nem pensamentos bons poderei ter.

 

Acompanhando o trem noturno

O vento

Está menos

Violento

 

Eu continuo sendo o passageiro calado,

Um viajante clandestino

Do trem noturno

Entre arvores

Reaparecidas,

Entre as montanhas

Reformadas.

 

Só quero o destino

Dos trens noturnos,

Desenfreados,

Tombados

Entre as árvores,

E espatifados

Ao sopé das montanhas,

Ao amanhecer.

 

 

 

 

 

CAJUEIRO

 

Cajueiro,

cajueiro,

velho cajueiro em flor

que afundas tuas raízes

na frouxa terra cansada

onde vovô

te plantou.

 

Quando nasci

já eras velho.

e florescias na terra

onde vovô

descansou.

 

Todo janeiro

floresce.

Eu todo junho

envelheço.

 

Nosso destino é avesso,

mas igualmente tristonho:

Tu não comes de teu fruto,

nem eu vivo de meu sonho.

 

Cajueiro,

cajueiro,

velho cajueiro em flor,

Nenhum de nós é feliz.

 

Vivemos presos à terra

em que vovô

nos plantou:

Tu preso pela raiz,

eu preso por meu amor.

 

Cajueiro,

Cajueiro,

velho cajueiro em  flor.

 
 



 

 

 

 

DUAS TRAGÉDIAS

 

 

I – Envenenamento

 

Ave,

Nenhuma sossegava

Porque eu lhe armava um laço

Num galho de goiabeira.

Não obstante o amor dedicado à espécie,

Eu atravessava

O pescoço fino

De cada passarinho pegado com um espinho fininho.

No entanto,

Após aquele envenenamento....

— Vão pensar que eu sou assassino! —

Envenenamento, sim.

Prendi duas rolas implumes numa gaiola de arame.

A mãe delas ia dar-lhes migalhas diariamente,

Se batendo nos ponteiros.

Uma tarde, exausta,

Como não pudesse soltar as filhas,

Trouxe um ramo de erva venosa.

E as rolas comeram a erva, morrendo logo, logo.

 

 

 

II – Canto Interrompido

 

O passarinho cantava numa árvore.

Eu cheguei, pacato,

Fiz a pontaria,

Fechei o olho,

Puxei o gatilho,

E o tiro partiu ...

Quando olhei,

O passarinhozinho estrebuchava no chão molhado,

Com o bico a deitar gotas de sangue.

O cano da espingarda fumegava....

 

Só então eu percebi que o canto estava interrompido


 

 

 

 

 

 

 
Conceição Paranhos

Início desta página

Ana Guimarães

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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