Jornal de Poesia, o nº 1 do www.google.com

Albrecht Dürer, Mãos

Comentários a

Estudos & Catálogos - Mãos

A menina afegã, de Steve McCurry

Graça Graúna

 

Poet'amigo Soares Feitosa:

Congratulações pelo Estados & Catálogos — Mãos e pela fortuna crítica em torno do seu prefácio e da poesia do Virgílio Maia. Concordo com o leitor Adail Sobral que fala de Esperança à luz do seu texto. Pois bem, apesar destes tempos nus, é coisa bonita de ver e sentir a Esperança que brota de uma tríade poética/afetiva/semiótica, particularmente nas passagens em que você expressa admiração aoGraça Graúna poeta Virgílio e à desenhista Socorro Torquatro - Côca.

Gosto das coisas que você reinventa para melhorar o mundo; coisas de quem carrega no nome Ars Poética; que o diga Conceição Paranhos: "Você está crescendo mais do que um jequitibá".

Também pergunto: cadê o livro do Virgílio? Nem li Recordel, mas pela leitura de Hora Uma que ilustra o seu prefácio, dá mesmo vontade de receber o sol, a aurora e o café quentinho e forte da caatinga que nos dá força no amor e na guerra.

Seu Catálogos chega em boa hora. Acabo de receber um convite de Sébastien Joachim para participar em junho próximo, na UFFPE, do seminário A cidade o campo: cidadania e nomadismo. Conforme Sébastien, nesse evento será dada uma atenção especial ao índio (autor e personagem) e aos poetas — dois emblemas do nomadismo. Abordarei questões relacionadas à identidade na poesia indígena e brasileira. Citarei seu Catálogos. 

Final de dezembro, de passagem pela região central do Brasil, vi muitas daquelas marcas nas quais "aprendemos a ler". É exatamente como você diz: "marca de gado, meu jovem, um ferro em brasa, o boi, ali subjugado; [um] olor de carne-couro, chiante, queimante; uns esturros de dor". No interior de Goiás conheci o Rio das Porteiras onde ecoam esses esturros, em Tropas e boiadas, de Carvalho Ramos.

Fico por aqui, carregando saudades dos sertões.

Dê sempre notícias a esta sua amiga,

Graça Graúna.

ggrauna@yahoo.com.br

 

 

 

 

Carlos Herculano Lopes

 

Caro Feitosa,Carlos Herculano Lopes

Muito obrigado pelo Estudos & Catálogos — Mãos, que li com o maior interesse. Precisamos sempre de gente assim. Com sua garra, para manter sempre aceso o pavio da poesia. O Ceará nunca falha.

Um grande abraço e parabéns.

Carlos Herculano Lopes,

BH/jun/2004

 

 

 

 

ildásio Tavares

 

O Prefácio de Recordel

Impressiona à primeira vista o texto do prefácio de Recordel, obra do escritor Virgílo Maia, pela sua inteireza de linguagem, engendrando o que podíamos chamar de uma sadia organicidade do discurso literário — os signos, os símbolos, a imagística guardam entre si uma estrita coerência semântica, traçando o quadro geral de umaIldásio Tavares expressividade nordestina, rural (basicamente) forte e que demanda uma acurada percepção para que o leitor se deixe impregnar pelos tons, entretons e sentido geral do texto, captando a interrelação precisa do texto com o contexto.

Acresce que o texto é bifronte. Por um lado, cumpre com perícia sua missão de portal, de um saber prévio a outro saber: a outro fazer; de prefácio. O texto de Soares Feitosa pode ser considerado como uma peça literária individual, um ensaio "tout court". Nisto, o autor esgrime sua inteligência no  profundo sentido de um ato de compreensão, ao tempo em que faz uso de todo seu potencial de artesania para costurar o seu discurso, estribado, semduvidamente, numa aguda percptibilidade dos signos que maneja, porque bem os conhece, e os distribui com plena consciência do seu lugar e de sua significabilidade no tabuleiro de uma literatura nordestina íntegra -- comecei falando em inteireza e.vejam, vim a terminar neste território conceitual. 

É isto, Soares Feitosa — um escritor por inteiro.

Ildásio Tavares

 


 

Maria do Socorro Cardoso Xavier

 

Admirável escritor/poeta Soares Feitosa:

Gostei deveras da prosa e projeto Edições Cururu. Lembrei-me de uma modinha que ouvira e participara dos folguedos de infância, nos terreiros em noite de lua cheia: ..."sapo cururu da beira do rio, quando o sapo canta ó maninha é que está com frio"...

Nordestina, dos sertões de Pernambuco, porém meio cearense, devido a minha ancestralidade materna: percorri no lombo de cavalos léguas e léguas as plagas do cariri e outras cercanias do Ceará: Barbalha (Sítio Cocos, Roncador), Brejo dos Santos, PorteirasMaria do Socorro Cardoso Xavier (Massapê), Jati. Por lá meus bisavós e  avós maternos possuíam propriedades e engenhos.

Este magnífico texto "Estudos & Catálogos - Mãos", do escritor Soares Feitosa, - prefácio quase ensaio do livro Recordel de Virgílio Maia, é sem dúvida alguma, uma obra de arte literária das mais originais. O ludicismo, o lirismo e o realismo do autor ao tratar das coisas da ambiência nordestina, de forma tão profunda e autêntica, fez-me reportar qual quadro vivo aos idos da minha infância por aquelas paragens.

Soares Feitosa metafórica, inconsciente e ou conscientemente, resgata o universo sertanejo, nos fazendo ouvir o aboio do vaqueiro, o relinchar dos cavalos, o chocalho do gado e bodes, os bacorinhos, os bezerrinhos desmamados, os burros e jumentos. Os baldes de leite e o cheiro dos currais, a coalhada, as farinhadas, a prensagem do queijo de manteiga, cujo dia era uma festa: os fios de queijo no alguidar cozendo no fogo de lenha, e a criadagem disputando a raspa do alguidar para dali fazer uma boa farofa.. "Chouriço" era outra festa: o doce feito do sangue do porco com gergelim pilado no pilão e rapadura, temperado com pimenta e cravo. É de dar água na boca, tão delicioso doce!

Nem tudo era uma festa e um doce: O mugido e berro do gado sendo ferrado com o ferro quente em brasa, com o "logotipo" do fazendeiro. E como traz a propriedade privada berros e lágrimas! Meus avós maternos ficavam sôfregos com aproximadamente mil cabeças de gado na serra do Araripe, na iminência de serem roubadas ou
atacados por bandos de cangaceiros, e assim teriam que vender diversas cabeças para pagar o resgate. Isto ocorreu com minha avó materna em relação ao bando de cangaceiros denominados "Os Marcelinos". 

Do alpendre, ao levantar da rede, o avistar dos canários e assum preto, de Luiz Gonzaga, os gibões, selas e baús, herança dos artesãos da península ibérica, o ecletismo cultural árabe, - povos pastores, estes, além de conduzir os rebanhos de ovelhas, trabalhavam muito bem o couro.

O crochê, renda de almofadas, com fios de algodão, a partir de bilros e espinhos de mandacaru, artesanava-se para enfeitar as sertanejas, amenizando seu caráter rijo. Que sertões étnica e belamente ecléticos: portugueses, índios, negros, cristãos novos, árabes, tudo fundido num caldeirão de cinco séculos- travestidos
de brasilidade, cujo lirismo e realismo ao mesmo tempo, imprime uma magia inigualável.

Tudo isto o autor, escritor e poeta Soares Feitosa resgatou neste texto fantástico, quase prosa lírica: não fica a dever a Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Humberto Eco de O Nome da Rosa, Gabriel Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão. E ao escritor e teatrólogo paraibano, Ariano Suassuna. 

O autor foge ao lugar comum, a intertextualidade de leve; entre o erudito e o popular, tece milagrosamente a ficção e o real; se abraçam para caracterizar as mil e uma ma noites dos contos nordestinos. Texto singular e rico, beirando as margens do épico.

E assim encerro esta singela apreciação, semioticamente quase sentindo o cheiro agradável do capim-santo, da terra quente molhada com as primeiras chuvas de janeiro, o som do aboiar do vaqueiro; a
coreografia da anágua rendada e gomada das moças casadoiras, para ir a missa do domingo e a festa da padroeira.

Fechando estas breves impressões, pois longe de crítica literária, invoco o cientista social Euclides da Cunha, com frase indelével e tão atual: "O sertanejo é antes de tudo um forte"!

Com um abraço fraternal de uma nordestina, meio cearense,

 

Maria do Socorro Cardoso

 

 

Lauro Marques

 

Caro Feitosa

 

Acuso o recebimento do primeiríssimo rebento das Edições Cururu. Pausa. Parêntesis. Vou também repisar na tecla da memória. Lembro de ter visto, no quintal de minha casa, em Mossoró, RN, no tempo da minha infância, uma cobra prestes a engolir um, acho queLauro Marques era, cururu. Afastamos, eu, com ajuda de familiares, a cobra a tempo. Assim espero. Essa morreu, matamos, com certeza. O cururu eu não sei. Lembro dele parado lá, respirando. Mais não lembro porque na época tinha mais o que fazer do que ficar cuidando da saúde do bicho. Já bastava ter matado a maldita. Fecha parêntesis.

Obrigadíssimo pelo envio do jornal impresso. Mantenha-me informado de prosseguimentos idem de textos ibidem. Escrevo rápido, como um cururu online, desculpe a falta de tempo, mas queria lhe escrever logo. Matou-me a saudade da língua nordestina. E ativou memórias como a do chouriço (sic). A iguaria esteve presente na minha casa, trazida pelo pai, da feira, mas foi recusada por todos, menos o mesmo. O sertanejo é antes de tudo um punk. Se bem que meu pai era brejeiro. Encerro por enquanto.

Saudações brejeiras e campineiras  de um paraibano-potiguar em são Paulo.

E um abraço no primo Maia.

E por aí vai

Outro abraço

do amigo

Lauro

p.s


 
+++Visite o Site, Comente, Divulgue:
A Mácula 
JORNAL DE BORDO e poemas de Lauro Marques
Arte+Estética+Poesia+Literatura+Comunicação+Filosofia.
http://www.amaculahumana.blogger.com.br

 

 

Francisco Carvalho

 

Caro poeta Soares Feitosa

Não conheço Recordel, mas, pela saraivada de elogios de todos os lados, deve ser coisa de primeira.

O seu prefácio. Bem, o seu prefácio é uma longa história deFrancisco Carvalho erudição esculpida na epiderme dos papiros. "Sem esforço, pode-se perceber a veracidade do que foi dito e a eloqüência do que se calou". Esta frase de Luiz Tavares Júnior sobre minha poesia aplica-se como uma luva sobre o seu arrazoado. Os depoimentos do que o leram me deixaram completamente nocauteado. Você jorra sabedoria grega e troiana por todos os "poros da semântica" (Jorge Tufic) do seu prefácio. Em certos momentos, chega-se a ter a impressão de que você escreveu um tratado sobre as origens legendárias de Tróia.

Você há de convir que tudo isso é um overdose para um poeta de beira de rio, igual a este que lhe escreve estas mal traçadas linhas. De um simples prefácio sobre coisas que dizem respeito a ferros que identificam a genealogia dos bois, você faz um ensaio ecumênico, coisa para letrados e demiurgos que foram beber sabedoria nas fontes mais remotas da cultura universal.

As cartas e os artigos que fazem remissão ao seu trabalho, esses escritos são da mesma têmpera e profundidade. De tal modo que os elogios ao livro e ao dito prefácio se fundem num só núcleo.

Fico por aqui, caro poeta Soares Feitosa, pois estou com receito de escorregar nalguma casca de banana, haja vista que me sinto destituído de lastros racionais para acompanhá-lo nesta viagem altaneira pelos labirintos da transcendência.

Convencido estou de que me acho entre aqueles que já "não sabem fazer uma muralha inca, sem emendas, nem cimentos".

Fraterno abraço do seu admirador, 

Francisco Carvalho

 

Valdir Rocha

 

Caríssimo Poeta Feitosa,

Recebi suas palavras impressas, com essa boa nova das Edições Cururu. Alvíssaras. Pressinto que vem por aí algo que poderá crescer - basta que o seu editor assim o queira -, para resultar numa EditoraValdir Rocha, Fui eu ímpar com pés firmes na poesia e na ficção.

Pense alto - ainda que sem ambição pessoal -, pois que poderá fazer à literatura brasileira impressa uma bondade igual à que fez virtualmente, com seu site tão apreciado.

Quanto ao seu Prefácio, noto nele o sabor, tão bom, de seu estilo pessoal, pois que "Ao dono, indelegável, personalíssimo, o direito de ferrar". Ora, se o Prefácio é seu, com justiça, nele deixou sua marca —: SF

 

Abraço grande do

Valdir Rocha

 

 

 

 

 

Silvio Roberto Santos

 

Poeta Soares

Curti muito a tua epifania dos catálogos, rapaz.

Lembrei do velho Leopold comprando rim numa feira de Dublin.

É o que se poderia chamar de visceral.

Ave, Soares!

A propósito, esse Recordel já saiu?

 

Sílvio R. Santos

 

 

 

 

R. Roldan-Roldan

 

Caro Soares Feitosa,

Sim. Chegou seu papel e tinta. Com odor atávico de terra, de chuva, de mato. Com luz de vela - livros-copistas, palimpsestos e até "grimoires".

Com o som longínquo de aboios. E fios deliqüescentes de referência. 

Rodam

 

 

Foed Castro Chamma

From: "Foed Chamma" <foedchamma@yahoo.com.br>

 

Poeta Soares Feitosa,

 

Os moços da Padaria Espiritual seja de onde estão hão de regozijar-se com o veneno de cura das Edições Cururu e os Estudos & Catálogos - Mãos, prefácio/ensaio, que o livro de Vergílio Maia  enseja, lembrando os ferros do Bode Alado de Ariano Suassuna e Guilherme da Fonte, ou Uma Burra, da HeráldicaFoed Castro Chammas Sertaneja, em anúncio publicado no jornal "A República" de Fortaleza, Ceará, edição de 2 de novembro de 1898, e reproduzido e no nº 51 de 0 PÃO, do stesso redator-chefe Vergílio Maia... 

O emaranhado de itinerário de fogão de lenha, gibões e moringa de sola no "catálogo das águas" dentre outros itinerários é um convite premonitório à leitura de Recordel.

Muito agradeço "ao dono, indelével, personalíssimo" esses Estudos & Catálogos - Mãos de Soares Feitosa. 

Sinceramente, Foed.

 

 

Continua