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Jomard Muniz de Britto 

Poussin, The Judgment of Solomon

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


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Jomard Muniz de Britto

 

Um esboço de Da Vinci

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), L'Innocence

 

 

 

 

 

Poussin, Rinaldo e Armida

 

 

 

 

 

Jomard Muniz de Britto



Biografia

Diretor, Produtor, Roteirista.

Nascido na Rua Imperial, Bairro de São José, em 1937, Jomard é um cineasta, professor e escritor pernambucano. Graduado e Licenciado em Filosofia pela Universidade do Recife (atual UFPE), iniciou sua carreira profissional como professor de Filosofia em cursos secundários. Integrou a equipe inicial do Sistema Paulo Freire de Educação de Adultos, tendo sido aposentado pelo regime de 1964. Manteve-se na UFPB até o AI-5. Agitador cultural, escritor, realizador de filmes em super-8 e de performances várias, participa intensamente da movimentação tropicalista no Nordeste nos anos 70. Cineclubista e intelectual engajado, irônico paladino das vanguardas, “o famigerado JMB ou o ETC do amor cortês” (como se auto-intitula) é autor de dez livros, algumas peças de teatro e mais de 30 filmes e vídeos.

 

(Texto redigido em 20.12.1022)

 

Albrecht Dürer, Mãos

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Ricardo Alfaya

 

 

 

 

 

Ingres, 1780-1867, La Grande Odalisque

 

 

 

 

 

Jomard Muniz de Britto


 

Ó cidade faminta!


Ó cidade faminta!
Alimentando-se de letras de canções,
palavras no mel de boca em boca.
Não esquecer. Não relembrar.
Assumir a farsa. Enfiar a face
da lâmina carnavalesca.
Tristeza não tem fim /
felicidade sim...
Poeta-anti-herói de todos
os falsetes e falcatruas.
Face a fácil refazer a festa.
Festim angélico de vagabundos
pela estrada que vai dar no mar.
Amar em plano-sequência.
Beijar em montagem ideogrâmica.
Cidade Carlitos
sumindo na poeira da esperança.
Quarta-feira de cinzas no país...
Cidadela de todas as fomes.

 

 

 

 

 

 

 

Thomas Colle,  The Return, 1837

 

 

 

 

 

Jomard Muniz de Britto


 

Ó cidade poeira!

Ó cidade poeira, origem e meta
da palavra POEMAÇÃO.
Prosa de todas as províncias do mundo.
De Paris e Argélia para Casa Forte sem Luzilá.
De New York para Aflitos renarcisados.
Da China para o Palácio do Campo das Princesas.
Mais ainda o pó da POETICIDADE.
O pó nosso de todo dia pelas ASAS DA AMÉRICA
fervendo na poeira da frevocracia.
O pó também da freguesia do ó, aqui pra vocês...
Pó não é mais nem menos do que a palavra dita
maldita inaudita: pó. Possível. Impossível.
Fatal e feliz dicção monossilábica.
Poesia no corpo a corpo
do pó nosso de cada noite.
Desejos e assombrações a dor tecendo
entre damas da madrugada
o tigre de bengala Tomás Seixas
do Marco Zero adiante atormentando-se.

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Morte de César, detalhe

 

 

 

 

 

Jomard Muniz de Britto


 

Uma qualquer Recife


Uma qualquer Recife cidade sitiada
é a escuta PSI,
a escritura psiu de seus arquitetos da mais sutil
urbanidade ao redor dos favores
da SANTA CASA DE MISERICÓRDIA.
Restauram apenas fachadas em cores vivas,
reinventando a cidade-cartão-postal-global
em sua dignidade tão degradante, sufocada,
turismo mimético do Pelourinho e advertências.
Uma cidade, além das dúvidas e suspeições,
é o conjunto de seus buracos. Imanentes e
galácticos. Cartesianos e dionisíacos.
Gilbertianos por todos os séculos.

 

 

 

 

 

 

 

Frederic Leighton (British, 1830-1896), Antigona,detail

 

 

 

 

 

Jomard Muniz de Britto


 

A Grande Solidão (II)


do político ex-cassado
do pierrot lunar
do escritor ex-maldito
do poirot no luna bar
da mulher do poeta embriagado
da estrela cadente
do revolucionário milionário
do espelho demente
da multidão solitária
do cachorro sem penas
da faca sem lâmina
do fugitivo da penitenciária
do poeta arlequinal
do povo sem voz
da voz sem vez
da vez sem nós
 

 

 

 

 

 

 

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