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Julio Rodrigues Correia

 

j.rodrigues.correia@uol.com.br

Alessandro Allori, 1535-1607, Vênus e Cupido
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


 

 

Crítica, ensaio, resenha e comentário:

 


Fortuna crítica:

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Uma notícia do poeta: 

Julio Rodrigues Correia ou Julio Correia, nasceu em Eirunepé, Estado do Amazonas. Fez seus estudos secundários em no antigo Colégio Brasileiro em Manaus. Na década de 70 militou na imprensa amazonense, mais precisamente no jornal A Noticia de saudosa memória .Estudou jornalismo na UFAM tendo abandonado o curso por necessidade de trabalhar, em vista de ter logrado êxito  em concurso público para a Secretaria de Estado da Fazenda  onde se encontra até hoje exercendo as funções de Técnico de Arrecadação de Tributos Estaduais. É formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas.

Escreveu três livros em sua primeira fase na literatura: No Silencio das Horas, A Hora Noturna e Crônicas Sem Tempo. Tem dois livros inéditos: Pássaro de Fogo e A Cor do Silêncio. [Maio de 2007]

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Velazquez, A forja de Vulcano

 

Tiziano, Mulher ao espelho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ingres, 1780-1867, La Grande Odalisque

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Gates of Dawn, Herbert Draper, UK, 1863-1920

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Manoel de Barros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Riviere Briton, 1840-1920, UK, Una e o leão

 

 

 

 

 

 

 

 

Gerardo Mello Mourão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Julio Rodrigues Correia

 

 


NOTURNAL

A lua pinta de prata

os cílios da noite

sons e silêncios

abortam o instante

seminal,

vozes gerundiais

acordam as horas

que continuam

a faina

de gastar o tempo.

Na calçada áspera

um bêbado mutante

desconexa as palavras

lá fora uma chuva

 irritante

molha

.as  roupas

rotas

dos cheira-colas.

 

 

A BORBOLETA

Uma borboleta

esvoaça no ar tépido

da tarde.

Antes crisálidas

agora asas /pétalas

em  movimento

abanando

O calor das pedras.

Cores e forma

num  vai e vem

desenhando lantejoulas

na pele do vento 

 

 

A BAILARINA

  

Braços ágeis

(asas imaginárias)

traduzem a musica

no ar do instante

seminal.

 

Pernas e gestos

criam roteiros

acrobáticos.

Entre a balé

e realidade.

 

O salto da bailarina

desafia a gravidade.

 

 

  

MEDITAÇÃO

                           

Na tarde o olhar perdido no infinito

mãos rígidas e nuas silenciam gestos

e não posso compor a pirâmide de sonho

da janela do meu quarto.

Pássaros não se aproximam da arena

onde resinas saturadas de tempo

queimam às células de idade

conduzindo-me ao abismo da velhice.

que direi quando os outros chegarem?

Direi que a noite veio sem a lua

e que a rosa morreu se aroma e cor

por fim direi, sem medo de censura

que multipliquei por mil os meus pecados

pensando nos seios da mulher amada.

 

 

 

ODE A MANHÃ

 

 

Manhã renascendo

das cinzas da noite.

Odor de jasmim

perfuma a rua.

 

Leve-me embora,amada,

pelas sendas do arrebol,

eu ainda ébrio de lua

e tu vestida de sol.

 

 

 

POEMA OU ORAÇÃO PARA NILDA NO AZUL

 

                          

 

Senhor

 

Recebe em teu sólio divino

essa mulher que num planeta

contaminado pelo pecado

e o mais infame materialismo,

foi mãe devotada

esposa assumida

e avó angelical,

abatida que foi  em pleno

vôo existencial por uma bala

disparada por um fauno

cruel e assassino

dos muitos que infestam

esse pantanoso mundo

aonde o engodo  e a mentira

os vícios e a vilania

proliferam em profusão.

Aceita Senhor, essa mulher-mãe

mulher-avó que sempre teve em ti

o refugio para suas palpitações

e para os desencantos

do labor diário.

ela, senhor, que tinha sempre

nos lábios de matrona

palavras de conforto e amor

para os que sofrem das dores do mundo

merece ser tua acolhida

na mansão dos bem- aventurados.

Talvez seu lugar fosse mesmo ai

junto do teu trono

e não neste mundo

marcado pelo desamor

que aflige e faz doer

a humanidade

pois em vida, senhor, como sabes,

ela foi um anjo

transvertido em mulher.

 

(Em memória de Nilda Freitas vitima de bala perdida)

 

 

 

POEMA PARA MARIO QUITANA

 

 

 

Na tarde em descensão

num céu debruado

nuvens  pastam a água

de seus antigos

caminhos.

E os ventos soprando

fortes e céleres

arrastam a poeira

dos becos e ruas

e agitam os moinhos.

Ah, se u fosse uma pipa

ah se eu fosse

um passarinho.

 

 

 

POEMA ANTES DA NOITE

 

 

 

Antes que a noite venha

E povoe de sombras

Essas ruas e becos

Antes do apocalipse

Das horas acontecer

E encher este quarto de solidão

Vomitarei, amiga,minha paixão

Com caricias e gestos prontos

E no instante orgásmico 

Em que inundar

Teu universo pubiano

De seiva espérmica

Encherei teu teus ouvidos

Com palavras obscenas

Blasfêmias , porra-louquices

E antes que a noite se defina

Reiterarei o amor que sinto

Beijarei teus lábios, ávido,

Como um lobo faminto.  

 

 

 

POEMA URBANO

 

 

As horas se estiolam

ao sabor do dia

nuvens carregadas

de chuvas

ameaçam  lavar

os corações dos homens

sem Deus.

A  tarde se estiola

e nas esquinas tortas

mãos quase mortas

reclamam da vida

a esmola.

 

 

 

MEMÓRIAS DA TARDE

 

 

O vento chega ao alpendre

da velha casa onde nasci

e traz cheiro antigo de meu pai.

miragens turvas do passado

retornam e tomam conta

de quartos corredores

salas e quintal.

 

Sentado na velha cadeira de vime

assisto o suicídio do sol

que teima em beber o rio

no fim da tarde.

De súbito vultos do meu passado

fantasmas de mim  mesmo

açulam a memória

num festim de saudades

e vejo minha mãe

(imagem doce e luzidia )

a pervagar meus sentidos

memórias nada mais

que memórias

povoam estes instantes

de reflexão e nostalgia. 

 

 

 

MARINHA

 

       

 

Este som de concha

faz o mar evocar

mistérios de espuma

e acrobacias de ondas

perdem-se nas areias.

 

O mar e seu discurso

de sal e procelas

intimida náufragos .

No vai e vem das marés

o mar namora a praia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Winterhalter Franz Xavier, Alemanha, Florinda

 

 

 

 

Um esboço de Leonardo da Vinci

Julio Rodrigues Correia


 
From: "j.rodrigues.correia" <j.rodrigues.correia@uol.com.br>
Sent: Tuesday, May 22, 2007 3:09 PM
Subject: Architectura

 

Boa tarde poeta Soares,

saudações amazonicas.

Acabo de ler o seu poema Architetura. Primoroso em todos os sentidos. Parido de um mente alcandoradamente privilegida, de um poeta que sabe verdadeiramente versejar castiço.

Poeta, se vc não produzisse mais nada depois desse poema todos nós compreenderíamos. Só este poema basta para colocá-lo como um dos grandes poetas deste Brasil.

Parabéns, poeta.

do julio correia

manaus-am, 22/05/2007

 

 

Link para Architectura

   
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Winterhalter Franz Xavier, Alemanha, Florinda

 

 

 

 

Um esboço de Leonardo da Vinci

Julio Rodrigues Correia


 
From: "j.rodrigues.correia" <j.rodrigues.correia@uol.com.br>
Sent: Tuesday, June 05, 2007 11:52 AM
Subject: Estudos

 

Caro poeta,

Recebi Estudos&Catálogos-Mãos. Adorei. Manaus noite alva quando me foi entregue pelo porteiro do condomínio. O prefácio de Recordel, sinceramente é de uma construção belíssima.Traz cheiro de terra.

Pode-se dizer que é um prefácio telúrico. Achei vestígios de Guimarães Rosa e de Paulo Jacob, um escritor amazônico, hoje hóspede da Grande Luz.

No poema Nunca direi que te amo você envereda pela mesma trilha de estesia do Architetura. Belíssimo.

Poeta, vou continuar lendo e relendo esses opúsculos com muita sofreguidão. Parabéns, irmão.Continue sua caminhada pelos caminhos e alamedas coruscantes da poesia e da prosa. Adorei Hanna.

do Julio Rodrigues Correia     
 

Link para Estudos & Catálogos

   
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

21.5.2007