Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Soares Feitosa, dez anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Soares Feitosa


Email para um jovem poeta

 

Recebo cartas, muitas, de jovens me perguntando, como editor do Jornal de Poesia, o que devem ler, o que devem fazer. Como se fosse uma tentação a la Rilke — Carta a um jovem poeta —, respondo-lhes que fujam da poesia em prol dos estudos terra-chão, um vestibular, um concurso, essas coisas da vil subsistência. Depois, mais na calma, cuidem da poesia. Por outra, ainda não recebi carta de nenhum jovem cientista pedindo orientação sobre o que ler, o que estudar. Se receber, direi que se mude para a Arte, qualquer uma, poesia também, de modo a se aliviar um pouco do peso da "cadeira CDF". Donde — conclusão — tenho que o Homem se faz de duas bandas: uma, ao devocional, do alegrar-se; a outra, ao obrigacional, do subsistir, pão-nosso-de-cada-dia, que os mais sábios fazem-na tão prazerosa quanto a outra. Eis o desafio: juntar as duas bandas: alegrar-se no obrigatório e obrigar-se no alegre.

Falam os cientistas nessa história de lado racional e lado emocional do cérebro, esquerdo e direito. Ora, se o jovenzinho se percebe poeta, nada mais injusto para com ele, como pessoa humana, que incentivá-lo a abandonar todo o resto, a reviver a escravidão de Mozart, menino, quatro-cinco anos, todo engravatado, dando concertos nas cortes européias. Não há queixas quanto às composições de Mozart, mas a pergunta é: teria ele composto tão bem como compôs se o pai lhe tivesse permitido uma infância? Há queixa, sim, quanto ao lado humano de Mozart, uma vida de sofrimentos, a morte na miséria. Algo a ver com o fato de não ter tido infância? (E, se realmente, a infância for o pedaço mais rico de nossa existência?!).

Entendo que nunca se deve permitir a hipertrofia absoluta de um dom, como em Mozart, de compor e compor, a ponto de transformar-se num obrigacional sem nenhum espaço para o existir. Os exemplos, ao longo da história da Arte, são pungentes. Aqui mesmo no Ceará, esse estupendo poeta José Alcides Pinto, um dia, largou o emprego de professor universitário federal para viver de brisa. E Verlaine. E Rimbaud. E Van Gogh. Os exemplos são notórios em toda a história da Arte, de gente tão famosa quanto. Desconfio que Alcides seria tão bom poeta, senão melhor, se professor universitário — uma vidinha mais tranqüila. Pelo menos para si.

No campo artístico, música, canto e cinema, os exemplos são assustadores. Elis Regina, tão jovem. E Natalie Wood no esplendor da glória. Teria faltado o quê a essa gente? Desconfio que lhes faltou o "devocional" a contrapor (e somar!) naquilo que carregavam sobre si como fardo permanente e insuportável de cantar e representar o tempo todo. Há, por outra, magníficos exemplos, mas não são muitos, de grandes "obrigacionistas" que se sobressaíram no devocional. Thomas Hobbes, filósofo e educador no obrigacional e cientista no devocional; Goethe, pouco se comenta, mas no devocional foi naturalista, e dos bons! 

Talvez o exemplo mais contundente daquele que teria viajado a viagem completa ao redor do Homem, isto é, da criança-adulto-criança (e o verbete criança não seria oriundo do radical criar?!) seja o de Benjamin Francklin, aquele que fez-tudo, sempre pelo melhor, sem esquecer este outro, Leonardo da Vinci, com um emocional absoluto (Arte) de parelha com um “outro lado”, o racional, Ciência, em que também se destacou. Mais recente, não posso deixar de mencionar o nome de Richard Feynman, o nobel da nanotecnologia, do infinitamente miúdo em que se funda toda a Física moderna.

Richard Feynman era físico. Tudo para ser um chato como regra geral o são esses caras só-ciência. Desculpem-me, o grau de chatice não é privilégio dos  só-ciência. É privilégio, sim, daquele tipo só-uma-única-coisa, monocórdico, ainda que Arte, ainda que mundialmente famoso. (Daria para conversar mais do que uma meia hora com um Ronaldo que apenas jogue futebol, por melhor que jogue? Ainda bem que esse atleta estupendo até parece ter um horizonte bem mais amplo).

Feynman, dotado de uma curiosidade não apenas científica, estudou Arte e chegou a pintar com desenvoltura. Foi também educador, lingüista, músico e... físico. Uma das páginas mais brilhantes sobre a aventura do espírito humano é relatada por ele em O americano outra vez. Conta sua passagem pelo Brasil, onde morou cerca de dois anos, e a participação no carnaval do Rio como tocador anônimo de "frigideira". Mas, no fundo, o ensaio é sobre o Homem, de permeio com a didática. Atualíssimo, devia ser texto obrigatório na abertura do ano letivo de todas as escolas do Brasil.

Esse ensaio me proporcionou, ao acaso, meu primeiro contato com Feynman. É um texto de umas quinze páginas (clique aqui) de que imprimi várias cópias de presente aos filhos e amigos. Depois, adquiri todos os livros que escreveu. Devia ter ganho o nobel de literatura. E o da paz também. Acho que Feynman tinha o cérebro sem divisão alguma... Parecia fazer as coisas com imensa graça, com total prazer, como se tudo para ele fosse apenas um devocional absoluto. Poucos viveram tão belamente como esse presepeiro genial, Richard Phillips Feynman, 1918-1988.

No campo do aqui de perto, ao alcance do olhar, agora lhes falo de três cidadãos bem sucedidos em suas áreas obrigacionais. Um é empresário, professor e tributarista. É o Valdir Rocha, que edita livros em São Paulo, ensina e escreve sobre tributos. Um dia, vi em cima da mesa de um amigo, em Salvador, um revista nova, a Dialética. Fiquei tão embasbacado que anotei os dados e pedi assinatura. Mas uma coisa me chamou, de logo, a atenção: na capa da revista, um "garatujal". Era um quadro. A reprodução de alguma obra de arte. Pois o tal Valdir, logo depois vim a descobrir, era o mesmo de quem havia recebido, num grupo de 50 poetas brasileiras, pelas mãos da poeta Eunice Arruda, um quadro dele, FUI EU, para comentar.

O meu exemplar fora remetido para o antigo endereço baiano, de modo que, tardio, não participei da antologia que depois publicou em cuchê e aValdir Rocha cores. Entanto, aquele quadro me provocou dois textos. O primeiro, um poema meio louco, Não é aqui não. O segundo, uma versão direta, bem mais recente, do quadro de Valdir, em cortes e recortes, Fui eu, minha versão

Ambos os trabalhos muito me alegram. Mas o que me alegra muito mais tem sido o convício — epistolar, quase sempre — e de acompanhamento da revista Dialética de que dependo no meu "obrigacional" de tributarista, auditor aposentado. (Obrigacional, o meu? Nem tanto. Gosto tanto do que faço que faço-o pelo vício de gostar. Melhor que os velhacos não saibam, mas se alguém não me paga o trabalho, o prejuízo é pequeno, posto que já estava pago no prazer de tê-lo feito. Por isto mesmo, pagam). Valdir pinta. Leva tão a sério esse devocional que seus amigos do outro lado, os só-tributaristas, nem acreditam que seja o mesmo Valdir.

A pergunta é: Valdir seria o mesmo editor, professor e tributarista sem ser ao mesmo tempo, devocional, pintor? Acredito que não. No mínimo, seria um azedo capitalista, um professor cruel, miúdo, rasteiro e sofrido. Donde, conclusão, o devocional é que "abranda" a maldição bíblica do terrível "suor do teu rosto". (Por igual, se a maternidade é no amor, aquele "parirás" se transmutará em acalanto). Donde — começo a gostar disto — segunda conclusão: de tão prazerosos sejam o suor do rosto e o parirás, que, de maldição, em "benção" — oxítona — se transformem. Sim, o prazer, a empolga de dar uma aula, o ardor do argumento, a alegria quase infantil de transmitir conhecimento: falo-lhes agora de Hugo de Brito Machado, o tributarista.

É uma amizade velha, ele bem jovem, ainda lhe guardo o primeiro livro, com dedicatória, sobre o ICM que, à época ainda não tinha S. Eu também era jovem, 20 anos apenas, auditor de tributos, por concurso (olha o concurso, meu caro jovem aspirante a poeta!), lá pela Receita Federal, onde Hugo dava aulas e treinamento. Uma festa a aula! Claro que era uma injustiça pagar o mesmo preço por aula a Hugo e aos línguas-de-pau que por lá apareciam. Os línguas-de-pau, sim, e não eram poucos, justo que recebessem a má-aula em dobro, porque aquilo, para eles, era carga pesadíssima. Hugo? Devia pagar a aula em vez de receber! E, por que não? 

Marcos de Holanda tem tempo para se aposentar umas dez vezes da UFC. Entanto, está lá todos os dias, em sua belíssima obrigacio-devocional aula-monumento. Logo, se vai dar aula, gastando condução, roupa e sapato sem nada receber, é claro que está pagando...  Parece-me que Marcos de Holanda retira forças no devocional do esporte, vou confirmar com ele, um tal Sporting, acho que Ceara, sem acento, Club. Ou seria do Fortaleza?

Pois um belo dia fui visitar o professor Hugo. Ele estava às voltas com aviões. Plantas, ferramentas, motores montados e desmontados, asas quebradas, colas, remendos, bonecos e simuladores de vôo: aeromodelismo.Hugo de Brito Machado Nem sei se seus clientes, alunos e leitores são capazes de imaginar aquela fera do saber e do convencimento-convencer tão embevecido ali em meio àquelas quinquilharias de graxas, etanol, metanol (sei não, TNT, acho que era TNT que ele botava naqueles motores e em si mesmo) e muito barulho. Sei, sim, que aquilo é-lhe fundamental ao "outro lado". Ambos, o trabalho pelo lazer, e o lazer ainda que dê trabalho — e como dá! — pelo trabalho-prazer.

Noutro dia, fazia uma pesquisa sobre matéria do meu obrigacional. Era sobre o tema do devido processo legal, uma matéria ainda recente na doutrina brasileira. Vamos explicar rapidamente o que é isso. Não adianta você ter o melhor direito se não tem os meios para exercê-lo. Preso incomunicável — tomemos este exemplo — como poderá demonstrar, se incomunicável, a inocência? Conclusão, o devido processo legal é um conjunto de princípios que se assenta, em essência, na absoluta lealdade do acusar-e-ouvir. Claro que há bem mais coisas no devido processo legal, mas se de tudo que o acusam, você pode defender-se em iguais condições, já temos aí meio caminho contra a barbárie.

Os positivistas, e não são poucos, vêem o devido processo legal apenas como algo decorrente da lei, da constituição. Para eles processo legal é o que está previsto a lei e isto lhes basta. Foram, todavia, as palavras deste outro professor que me encheram as medidas:

   

“A compreensão do devido processo legal é estimável sobretudo como uma atitude permanente do Julgador, mais do que uma postura científica que possa validamente adotar; mais pelo que tem de significado humano, histórico e doutrinário, do que mesmo pelo conteúdo das múltiplas garantias que sempre pretendeu conter, muitas vezes, embora extensas, insuficientes para dar conta de toda a ampla abrangência desse instituto.”

 

Trata-se do cearense (Valdir é paulista; Hugo, piauiense) Napoleão Nunes Maia Filho, para quem o devido processo legal é algo muito acima de qualquer primado constitucional. Presumo até que ele o situe no plano mais alto das idéias, por certo até mesmo mais alto do que a decantada norma hipotética fundamental, de Kelsen. (Napoleão Nunes Maia Filho, Estudos Temáticos de Direito Constitucional, UFC/ Casa José de Alencar, 2000, p.Napoleão Maia Filho 57). Ele não teria estudado nas mesmas escolas dos positivistas? Como consegue pensar de maneira tão radical?

O pior é que me defrontei com outra abonação, de muito mais "prestígio", e que seria escolhida contra a do professor cearense por nove entre dez "tributaristas":

"O devido processo legal, como princípio constitucional, significa o conjunto de garantias de ordem constitucional, que de um lado asseguram às partes o exercício de suas faculdades e poderes de natureza processual e, de outro, legitimam a própria função jurisdicional". ARAÚJO CINTRA, Antônio Carlos de; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 14ª ed. São Paulo: Malheiros, 1998. p. 56.

 Em primeiro, gente do sul-maravilha, editora de prestígio, sem esquecer que a Doutora Ada, há pouco, foi eleita para a Academia Paulista de Letras. Contudo, cometem o erro de afivelarem o devido processo legal à constituição, quando se dá justamente o contrário, inclusive historicamente, pois foi a instituição do due process of law que, a rigor, deu fundamentos a toda aquela não-escrita Carta Inglesa. A constituição que, de saída, não esteja a garantir, soberbo e absoluto, o devido processo legal, será qualquer coisa exceto constituição. 

Li, alhures, que a Constituição seria a isonomia, posto que todos os direitos se reduzem, ao fim e ao cabo, ao homem, pelo homem, como medida do homem. Digo aqui, baseado na lição do professor Maia Filho que a constituição é, sim, a isonomia, desde que de par e em paralelo com o devido processo legal, posto que não bastam as garantias do direito sem os meios leais — escrevi leais, de lealdade — de consegui-lo. Não refiro uma isonomia meramente constitucional porque escrita ou inscrita na Lei. Mas a uma outra, absoluta, anterior a qualquer tratado, escrito ou não, porque fundada não naquela igualdade negocial do tipo "ao outro como a ti mesmo", mas numa necessidade absoluta de que o outro exista, posto que o Homem sozinho não subsiste. Logo, isonômico porque a partir do outro, mas isto é história para muita cerveja, lingüiça com farinha seca e banho de chuva.

Finalmente, a pergunta: como é que um pensador saído de lá das barrancas do rio Jaguaribe (Limoeiro do Norte) consegue pensar tão longe, a ponto de passar esse belo quinau na trinca paulista? Tal qual Valdir Rocha com suas pinturas, Hugo Machado com seus aviõezinhos de brinquedo, o professor Maia Filho brinca com a poesia, daí porque não há espanto quando demonstra ser capaz de fugir e abominar o esmagador bitolamento positivista. Nenhum assombro, enfim: ele cultiva um devocional estupendo: a poesia:  

"A VAGA

No mar a onda brilhante
susta o tempo:
é aquele instante
do longo momento
interminável e só,
quando o movimento
se faz e se contrai.

Inverte-se o líquido
o mar é o infinito"
 

Duvido que um positivista, desses do tipo só-ciência, veja numa vaga-mar nada além do que a chance de um afogamento. (Sem esquecer que Raymundo Farias Brito também cultivava o poema. E Guimarães Rosa. E Euclydes da Cunha — Canudos não se rendeu!).

Portanto, meu caro jovem, corre para a Arte se nada sabes dela. Se sabes em excesso, devociona-te no obrigacional do estudo secular, mas sempre tendo em mente o Homem, aliás, o rosto do Outro, o único bem possível. Nele te abonarás.

                               Fortaleza, agosto de 2002


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Dos Leitores:

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), 

The Christian Martyrs Last Prayer

Gérôrme, The Christian Martyrs Last Prayer

 

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Fabiana Maranhão


 

Belíssimo texto. Leitora do jornal de poesia, fiquei encantada em conhecer deste modo seu editor. Acredito que Rilke ao responder o neófito Franz Kappus, não o fez tão feliz quanto fiquei.

Não bastasse os preciosos conselhos , compartilho ainda dos comentários referentes ao ilustre Prof. Napoleão Maia Filho, que com sua sensibilidade transmite aos seus leitores "a expressão do alado sentimento".

Excelente o texto do nobel da nanotecnologia Richard Feynman, sem dúvida um ensaio sobre o Homem.

Agradeço ao editor ter me proporcionado tantas alegrias e concluo com um trecho da segunda elegia de Rilke, o poeta que nos mostra como todos os esforços humanos de realização e plenitude ontológicas são corroídos pela temporalidade:

"Às vezes minhas mãos se reconhecem ou meu rosto gasto nelas tenta se abrigar. Isto me dá uma certa consciência de mim mesmo. Quem, no entanto, por tão pouco ousaria ser?"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Gerana Damulakis


 

Feitosa: você cada dia encanta mais com seus escritos. Junte tudo, ponha num livro. Faça como diz o final da carta: corra para a arte. A arte só fica no papel, na tela, na pedra... Temo pelo futuro do que só está nessa coisa virtual que é a internet, afinal basta deletar, enquanto o livro necessita de fogo para morrer. Lembrei de Hitler, que nem tocando fogo nos livros conseguiu destruir a literatura alemã. 

Parabéns e um beijo afetuoso de Gerana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Weydson Barros Leal


 

Caro poetamigo,

que belo texto! 

Digo-lhe mesmo que seu texto vale para todos os poetas e não-poetas, jovens e velhos, pessoas de todas as idades. O título deveria ser: "Carta ao Homem". Valeu para mim, também, portanto. As épocas mais férteis de minha poesia foram justamente aquelas em que eu estava atolado de obrigações do outro lado. Quando tenho todo tempo do mundo, a poesia também descansa, e dorme, e dorme... 

Parabéns! Vou-me embora arrumar o que fazer em Pasárgada, nem que seja arrumar a cama do Rei! 

Abraços, 

Weydson Barros Leal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Elizabeth Lorenzotti


 

Sent: Thursday, July 22, 2004 4:31 PM
Subject: re:email a um jovem poeta

Querido Feitosa

 

É, como sempre, lindíssimo esse seu texto. Mas quanto à batalha entre a sobrevivência e a Arte, não concordo. Pois hoje, nestas vampirescas megalópoles onde pessoas como eu nadam de braçada pra não ser afogadas, ao chegar em casa - o que já é uma vitória cotidiana - infelizmente já sugaram toda e qualquer inspiração do ser humano.

Mas não perdemos a esperança no INSS.

Grande abraço

Elizabeth Lorenzotti

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ricardo Manzo


 

From: ricardo
Sent: Tuesday, July 11, 2006 1:36 PM
Subject: Obrigando-me no alegre

 

Boa tarde

 

Estou achando incrível o site Jornal de Poesia. Sou publicitário e sempre interessado na leitura, seja qual for de caixas de cereais a papéis de balas. Heheehe.

Sempre gostei de escrever, mas nada sério. Acabei de ler o seu texto e-mail para um jovem poeta. Adorei a idéia de devocional e obrigacional e principalmente o conceito: “alegrar-se no obrigatório e obrigar-se no alegre”.

Adoro a área de marketing e consigo alegrar-me no obrigatório, mas agora vou procurar obrigar-me no alegre.

Vou deixar abaixo um texto, poema, pensamento, seja lá o que for para você ler.

Não sei ao certo se o que escrevo é bom, mas como você disse, seus leitores decidem, então ficaria muito feliz se você decidisse se acha interessante ou não.

Se puder encontrar tempo para responder esse e-mail quem sabe com uma crítica ficaria agradecido.

Obrigado pela atenção que tenho certeza que irá dispensar.

 

Um abraço

Ricardo Manzo

 

 

Dúvidas

 

Ricardo Manzo

 

Não sei se é pelo signo

Ou se é da minha natureza

Não sei se sou inseguro

Ou se é incerteza

 

Não sei se sento ou se vou embora

Não sei quanto tempo que leva a demora

 

Não sei se dou risada ou se me apavoro

Não sei se canto ou se choro

 

Não sei nem se o que eu sinto é certo agora

Sinto um vazio

Como se não tivesse futuro

Sinto a dor de estar no escuro

 

Não peço pena

Nem sei se quero escrever

 

Não sei se luto ou deixo acontecer

Não sei se me desespero ou se tento me fortalecer

Não quero dúvidas quero aprender a escolher.