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Elizabeth Lorenzotti

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Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904) - Phryne before the Areopagus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Notícia do seu livro de estréia, Suplemento Literário, que falta ele faz:


Contos:


Alguma notícia da autora:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ruy Vasconcelos

 

Sébastien Joachim

 

 

 

 

 

 

 

 

Elizabeth Lorenzotti


 

Bio-bibliografia


Elizabeth Lorenzotti nasceu em São Paulo, passou a infância em Poços de Caldas (MG) e cresceu em São Paulo, onde vive. É jornalista. Acredita que só a arte salva. Em 2007 lançou Suplemento Literário, que falta ele faz.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elizabeth Lorenzotti


 

Der Himmel ueber Berlin


Vastidões desérticas onde se apura
O mistério do ser-- o desejo em brasa
doura a fornalha-- e a dor é só secura
Grande e estranho segredo te embaraça
Memórias do verde emolduram a alma
Sede milenar de tantos pergaminhos
Anjos de asas caídas tocam flauta
Elfos, ourives das sendas, dos caminhos
Dai vazão, dai, às torrentes do profano
Aprisionado ao negro vão da tormenta
Fonte de augusto poeta brasileiro
Vergam os céus sobre o minúsculo humano
As capitais engasgadas de magenta
Desenrolam a miséria estrangeira
 

 

 

 

Bernini_Apollo_and_Daphne_detail

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Virgílio Maia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elizabeth Lorenzotti


 

Visita


Fincado nos píncaros
majestoso enigma
espreita, de perfil

Memórias de cordilheiras
em meio à ubíqüa neurose

Incorruptível
no secular vício da carniça
observa o ciclo da caça

Ruídos esganiçados não te assustam
Parabólicas captam todas as aparências

Excluído do olhar humano
Impassível urubu urbano

 

 

 

 

Ticiano, Magdalena

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Antônio Massa

 

 

 

 

 

 

 

 

Winterhalter Franz Xavier, Alemanha, Florinda

 

 

 

 

 

Elizabeth Lorenzotti


 

Santa Tereza

Tareja nada esconde que não se veja


Às três da tarde de terça
um homem toca saxofone na porta do bar
ao lado de outro que conserta inutilidade.
E outros homens bebem
o buraco aumenta cada vez mais.
Líricas de dia de Cosme e Damião
já se desenrolaram sexta: doces, algaravia, meninos.
E neste sábado, o que seus olhos procuram?
Escapar da dor? Eu me rio, meu caro vizinho.
(e a saparia em coro noturno a gargalhar)
Algo aqui prende as solas das sandálias
ao chão de pedras, aos mesmos caminhos
diariamente. Vão e voltam e tornam a voltar
Em clima de suave compadrio
Os repetidos rituais cotidianos:
os dedos tapam ouvidos quando relincha o bonde
o cego abre caminho à força da bengala branca
o grande e velhíssimo caderno marca Deve e Haver

O homem que me despe com os olhos neste domingo é uma mulher
ao lado de outra e de um cão cinzento. Senhor, essa estranehza
deixa passar
Que somos todos infinitamente estranhos, tal disse Orides

Essa fumaça de tantos cigarros e a garganta a arder, a arder, a arder/

As Musas me visitam de madrugada
enquanto escrevo a letra de "You do something to me"

you do something to me
something that simply mistifies me
tell me what should it be
you have the power to hipnotize me

let me live with your spell
do do that voodoo that you do so well
for you do something to me
that nobody else can do
that nobody else can do

Eldorado de São Paulo
Imediatamente, como fosse eu a DJ, uma voz feminina canta para mim a música no rádio
Lembro de escaravelhos e do velho mestre, não por acaso

Não arde o sol costumeiro, ainda é primavera
ainda é Rio de Janeiro, ainda somos
Evoé!
 


 

 

 

Soares Feitosa, dez anos

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Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Elizabeth Lorenzotti



Rio, 40


A escada que vai dar no Cantagalo
O consolo aos deprimidos. Calçadões.
A praia especial para os cachorros.
A esmola fácil ao falso mendigo.
A orientação das pedras, as pulseiras.
Os estrangeiros. Tapetes vermelhos.
As alças dos vagões sujos da Central.
As quinze facadas. As ciclovias
ao pôr do sol. Peixe à belle méunière.
Os bares da barra. Pizza em pedaços.
Os sons ainda distantes do carnaval.
Os solenes rituais do cotidiano.
A carta e a carteira. o farol e o sinal.
Os velhos casarios. A graça de Deus.
O templo nos altos de Santa Tereza.
O estorvo e o trevo do arcado poeta.
A elegância delgada do sambista.
A algaravia. O sol na tua cabeça.
As manchetes nos quiosques de revistas.
Os invólucros dos corpos. As barcaças.
Os olhares esgarçados das meninas.
O negro gato enroscado sob a mesa.
A estrela na porta. A tua presença.
Os tiros na madrugada. As risadas.
A tornozeleira indiana, as cartas.
As padarias que não vendem cigarros.
Os matadores. A visão do templário.
Os bolos sempre embatumados dos bares.
O chute na pedra. O homem da espada.
O tratado de métrica abandonado.
Os primitivos à venda numa praça.
As marcas dos trilhos de bondes extintos.
O sol nas barracas de Copacabana.
As finas paredes dos apartamentos.
A folia incessante sob os trópicos.
A roda da fortuna, as linhas das mãos.
As impávidas causas. Multidumbres.
A sinistra cegueira. A alma antiga
dessas mulheres. Os desencontros.
A thing of beauty is a joy forever


 

 

 

César Leal

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Tintoretto, Criação dos animais

 

 

 

 

 

Elizabeth Lorenzotti



Luar de 25 de janeiro


Ô grande leão
solto no vale debaixo do Viaduto
sacode a juba mansa bafejada por Deus
e derrama nas pessoas sobre o asfalto seco
o mel da harmonia
como se leão não fora
mas floripôndio
da praça de Andradina
E nos cem mil corações o mel se instala
e ficamos tão doces, tão bons e tão belos
quanto sempre poderíamos ser

Essa perspectiva nos ilumina

A lua despe a cidade dos maus humores
de tudo quanto é estúpido, cruel, triste,
desurbano

Ô grande leão
floripôndio
luar de janeiro
transcidadão

Nós velamos por você nestas noites brasileiras
 

 

 

 

Irineu Volpato

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Weydson Barros Leal

 

 

 

 

 

 

 

 

Velazquez, A forja de Vulcano

 

 

 

 

 

Elizabeth Lorenzotti


 

Criado-mudo


O rosário de jade sobre a Teogonia
O livro de Leonardo
Meu caderno de sonhos
Cristais de gengibre
A caixinha de Alhambra
A pedra cor-de-rosa
O hexágono da China
Potinhos de pedra-sabão de Minas
A obra em negro
Os escritos de Blake:

Tudo existe porque tem um nome

 

 

 

Crepúsculo, William Bouguereau (French, 1825-1905)

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Jamesson Buarque

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elizabeth Lorenzotti



Declaração


Abúlica, nevrálgica, efêmera
Helênica, epidérmica, esdrúxula
itálica, inédita, neófita
ínclito, másculo, cáustico
seráfico, trópico, feérico
Amor às proparoxítonas

 

 

 

Ronaldo Costa Fernandes

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Rodrigo Petronio

 

 

 

09/05/2005