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Dilson Lages Monteiro 

 

Poussin, Venus Presenting  Arms to Aeneas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia, conto & romance:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ruth, by Francesco Hayez

 

A menina afegã, de Steve McCurry

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Exposition of Moses

 

 

 

 

 

Dilson Lages Monteiro



Bio-bibliografia


O poeta nasceu em Barras do Marataoã (PI), aos 14 de dezembro de 1973. É membro da Academia de Letras do Vale do Longá, da UBE (PI), do Círculo de Psicanálise do Piauí e da Associação dos Escritores do Amazonas. Autor de + Hum-poemas (1995), Colméia de Concreto (1997), Os Olhos do Silêncio (1999), O Sabor dos Sentidos (2001), A Metáfora em Textos Dissertativos (2001 – duas edições) e co-autor de Cabeceiras - a marcha das mudanças (1996). Possui no prelo Como ensinar poesia. Participa regularmente da vida de alternativos literários de diversos estados.

Dílson Lages Monteiro é especialista em língua portuguesa e, atualmente, ministra aulas de Leitura e Produção de Textos no ensino médio e universitário, em Teresina-PI, onde dirige o Laboratório de Redação Professor Dílson Lages ( espaço em que atua junto a vestibulandos e orienta oficinas de criação literária). Assina em parceria com o poeta Wanderson Lima a coluna literária O sabor das palavras, no jornal Diário do Povo. Apresenta, juntamente com o jornalista Reinaldo Barros Torres, o Programa Circuito Cultural ( FM 93.3, aos sábados, de 7 às 9 horas), programa no qual discute literatura com escritores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Triumph of Neptune

 

 

 

 

 

Dilson Lages Monteiro



Pequena bateria de poemas de Dilson Lages Monteiro




A VAIDADE DO VERÃO


A solidão do sol absorve
o verão vitorioso
das tardes de agosto
e o gosto da vida
vira gota de lágrima perdida.

A solidão do sol silencia
o sepulcro das ruas
que rastejam na poeira do poente.

A solidão do sol
apaixonada pelo brilho
dos próprios olhos
atira-se sobre o telhado
da casa
e morre curiosa.
 



(IN)DECISÃO


Cai o sereno nas notas da noite
e o coração do sol se assombra.

Cai sobre a máscara do mar
e a face cega do amor
canta uma canção de despedida.

Cai sobre as pálpebras da boneca
despenteada pelo calor dos olhos.

Cai sobre as mãos
que acenam o adeus.
 



O GALOPE DAS ESTRELAS


Meus olhos tocam o campo
onde cavalgamos sonhos.

Ouço o mugido do gado
preservando o encanto da noite
e galopamos na tangente do açude
onde o céu se oferece para contemplação.

A madrugada corre ensandecida.
Minhas mãos alcançam as alturas
e degusto o oásis do sertão
onde cavalgamos sonhos.
 



OLHOS NO INFINITO


A palavra seca
o rio que nasce
nos meus olhos.

Semeio suor
nos ombros do tempo
e a vida do silêncio brota nos jardins
que o olhar esconde.
 



CONTATO


O coração
Pulsa
Entre o sol
Riso.
 



SOMBRA DE EROS
Para aldairis


A tua alma brilha
nas paredes do meu quarto
no silêncio da noite escura.

E os raios de teu riso
oferecem ao ar
os riscos de tuas cores:

O vermelho paira na pele
e o calor róseo
de preto e branco
veste a luz.

Ofusco-me com o rumor
de tua presença
e a alma de teu sorriso ilha
brilha na lembrança
livre de impedimentos.
 



ASSIM


Não se entregue assim
por inteiro
se a tarde demora
e o demônio mora
na hora mórbida
desse momento.

Não se entregue assim
passageiro
se o pássaro pousa
em sua audição
o som triste
da natureza.

Se entregue assim
por inteiro
se o coração suspira
o suor do silêncio
e a noite diz sim
 



(IN)CERTEZA DA ILUSÃO


Entrego a ti
o trajeto de minha emoção
e naufrago no afeto de teu tribunal.

Teu coração pequeno não comporta
o compasso de meus passos
e machuca o caminho das sensações.

Entrego-me a ti teu coração
cortado pelo olhar da tarde
que desce no degrau do firmamento.

Entrego-me a teu coração
o curso do sol que divide o hoje
entre o ontem e o amanhã.
 



CARNE DE PAPEL


Sem o corpo
o espírito vaga no ar
da paisagem oculta.

Sem o corpo
o espírito vaga
por onde crescem os fantasmas
de tuas fortalezas.

Sem o corpo
a paisagem oculta
a sinuosa curva do sonho
que se dissolve pelo chão.

Sem o corpo a noite
escurece o céu de silêncios
e o espírito se perde
entre as estrelas
para te encontrar
onde a memória alcança.
 



TERAPIA


Consigo me ver nos seus olhos
neles me vejo
como quem vê a si no silêncio.

Consigo ser o sal de seus sentidos
e o sol das emoções
vestidas pelo suor suave
que me confunde os verbos.

Consigo tocar a lucidez de sua face
e a loucura dos pensamentos
mergulhados no mar
que nos atira à areia.

Consigo o céu pousa
na palma de minha mão.
Eu astro e rei
brinco de tiro ao alvo.
 



SENHORA DE MIM


O espaço cola minha alma à tua
e sou presa fácil
do olhar fixo dos passarinhos.

O ar acaricia teu rosto
e a febre da tua boca
esfria meu estômago quente.

Sou presa fácil:
meus pés pisam o asfalto
 



SIGNO(FICA)


O que signi(fica) a forma de teus lábios
no céu de minha cama no teto do ar?

Onde leve(estamos)
o signo na clareira
encerra o ser.

O que signi(fica) o conteúdo do teu corpo
na imaginação do estado único
de minha transparência?

Em que ciência construímos a razão do dia
se a carne dos nervos em versos de suor?

Acaso o caos sucumbiu-nos
nus entre-verbos da comunicação
respostas (i)mediatas?

Onde leve(estamos)
par-oxítonas
para o ritmo do amor.
 



TAL VEZ


Um dia talvez
a tarde se deite
debaixo de meu lençol
e o corpo do tempo
seja o seio
que seguro
em minha mãos.

Um dia talvez
os versos do olhar
liguem o céu à terra
e o corpo do tempo
seja o seio
que desliza
em meus lábios.

Um dia talvez
teus labirintos
sejam a linha line(ar)
do pensamento
e o presente reviva
colorindo o peito.
 



PERMANÊNCIA


Minha pele não vê
a superfície da luz oculta
e o tato toca o corpo
sem sentir
o tom das tuas mãos.

meu nariz não respira
o cair de tua presença
como sombra de meus passos
nem o olfato fala
teu cheiro de flores do campo.

Meus olhos não degustam
a grama da cama macia
e o paladar mastiga os lábios
sem engolir o gosto
dos beijos de açúcar.

Mas a pele, o nariz, os olhos
em meu coração, poesia.
 



MARATAOÃ
Para José do Rego Lages


O rio corre em meu coração
e separa os sentimentos da areia.

A vaga das água vai
virando pó em pensamento
e a estrada encurta distâncias.

O rio viaja no horizonte
onde dançam os cabelos das carnaúbas
e soluçam os olhos do sol.

O rio corre em meu coração
e deságua nas correntezas do caminho.
 



CÉU DE ASAS


Como a manhã sem pressa
no alto da colina
nasce a palavra na retina
onde crescem a lavoura
e o vôo do céu.

Nasce sem pressa a manhã
no leito lento do rio
onde reses ruminam
a mina do sol.

Nasce sem pressa a manhã
nos palácios de palha
onde o corpo repousa
o silêncio do cio.

Como a manhã sem pressa
no coração da imagem
crescem a lavoura
e o vôo do céu.
 



(RE)PRESA


A água debaixo da ponte
agita-se com o reflexo do céu
e devora a noite
tecendo o rio de estrelas.

Debaixo da ponte
os lábios das margens
molham-se de delírios
e os lírios olham a imensidão.

Debaixo da ponte
o corpo da água escorre
entre os dedos de concreto
e esbarra no beijo da vegetação.
 



DIAS QUE SE REPETEM


O fogo fortalece
a fortaleza incerta
do após.

Aposta-se o destino
dos sonhos não vividos
e a emoção parte
lentamente
das praças órfãs.

Aposta-se a Barras dos bares
que embriagam o presente
com a desgraça sem graça
dos ébrios e ditadores.

Aposta-se o povo
nas carrocerias dos caminhões
e a sombra do inferno
cobre as vozes
mascaradas de progresso
enquanto a cidade pára
no enterro dos vivos

 

 

 

 

Michelangelo, Pietá

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Alcir Pécora

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rebecca at the Well

 

 

 

 

 

Dilson Lages Monteiro



A poesia de Soares Feitosa



Psi, a Penúltima, é uma leitura da qual não se sai como se entrou. Por isto, sinto-me inteiramente recompensado do longo tempo que lhe destinei. Como esquecer a sensação de flutuar em poemas como "Perdidos & Achados"? "Vou dar uma uma volta/ e no retorno / me dê notícias do achou"

A grandiosidade de sua poesia reside nas relações intertextuais. O vate parece um jogador habilidoso à cata do gol. O resultado do labor constitui uma poética que traduz sonhos e inquietações numa linguagem mítica, na qual, especialmente o sertão e seus hábitos, gritam alto aos nossos olhos.

 

Soares Feitosa

Leia a obra de Soares Feitosa

 

 

 

Um cronômetro para piscinas

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Assis de Mello, 2004

 

 

10/05/2005