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Ernâni Getirana


 

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Alguma notícia do autor:

 

 

 

Sophie Anderson, Portrait Of Young Girl

 

Eloí Elisabeet Bocheco

 

 

 

 

 

Theodore Chasseriau, França, 1853, The Tepidarium

 

 

 

 

 

Ernâni Getirana


TEUS OLHOS

Não foram mais que poucos segundos
E você nem viu quando olhei
Mas sem seguida um riso teu correu pelo ar
E beijou a flor que havia no jardim

Me pergunto se você entende de flor
Porque se for sim
A flor do jardim era bem-me-quer
Que é a coisa que todo mundo quer dessa vida

Como resisitir aos riso teu?
Como fugir dele e não me sentir bobo?
Mas não apenas o riso
Os olhos também,
O corpo.

Tudo numa linguagem de gozo e querência
Tudo como um presente que a vida oferecesse
E fosse a essência de um momento apenas
Porque tudo, minha menina, nessa vida é passageiro,
Tudo teima em acabar tão cedo! A passar pela gente
num piscar de olhos.


Portanto em meio a tanto pranto e dor desse mundo
Só memso esse teu olhar encantador e profundo
Para me dar a certeza plena
De que vale, sim, a penas sonhar.


Ernâni Getirana - Pedro II - PI

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Nurture of Bacchus

 

 

 

 

 

Ernâni Getirana


 

Comentário de Nordestes:

 

E aqui mais um poema nessa linguagem-raiz, que quanto mais dita mais... necessária. As várias nuances e indicações bíblicasEntardecer, foto de Marcus Prado nos remetem à uma releitura num nível semântico e histórico onde os personagens-povo desfilam reclamando por justiça. É a famosa introspecção de "Eu" poético num eu impessoal mas, ao mesmo tempo, restabelecido, esse eu impessoal, numa postura de alter-ego do poeta. Falando assim parece complicado mas basta dizer que é como se os personagens tomassem "de pena" ( caneta ) do poeta e dissessem suas verdades e o poeta gritasse: "mas era isso que eu queria dizer, meus irmãos de saga", Sagarana? " serTÃO assim, como essa fome enjaulada que habita em mim?" Digo em um de meus poemas. SF escreve como se fôra um menino astuto que
acabasse de criar um brinquedo e ficasse ali do lado da criatura a pensar, fui eu? Todo bom artista tem essa mesma sensação após "parir" sua obra." Parla", meu caríssimo poeta!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Theodore Chasseriau, França, 1853, The Tepidarium

 

 

 

 

 

Ernâni Getirana


 

Comentário de Habitação:

 

E depois dizem que as palavras são para ser... ditas. Pode ser. Mas, certamente, para ser ditas do modo que a vida é feita e parida.Albrecht Dürer, Germany, Study of praying hands EMPATIA PURA. É o que esse poema provoca na gente. A capacidade que SF tem de burilar as palavras sem arranhar-lhes as entranhas, mas, ao contrário, preservando a docilidade de cada uma delas, com seu travo próprio, sua maciez específica, sua casa-idéia metafórica, isso é o que é.

Elas, as palavras, essas bichinhas arrebanhadas por SF, nesse jeito todo seu de nordestinizá-las, alinhavando-as com benzeduras, coisas do agrado do polígono, ( secamente e ainda belo ) lugar-alfabético onde o poema de SF ganha vôo usando as correntes ascendentes da sensibilidade.

HABITAÇÃO: Homem-tatu, caracol, metalinguagem esgueirando-se por entre as frestas da poesia, ela também, casa dos deuses e, na verdade, casa de qualquer homem que ousa debruçar-se sobre si mesmo nessa casa-planeta que habitamos todos nós, filhos da palavra, habitação da esperança.
 

 

 

 

 

 

08.08.2005