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Paulo Nunes Batista

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Leighton, Lord Frederick ((British, 1830-1896), Girl, detail

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Henry J. Hudson, Neaera Reading a Letter From Catallus

 

Bernini_Bacchanal_A_Faun_Teased_by_Children

 

 

 

 

 

 

 

 

Thomas Colle,  The Return, 1837

 

 

 

 

 

Paulo Nunes Batista



Bio-Bibliografia


 

PAULO NUNES BATISTA é paraibano de João Pessoa, onde nasceu em 1924. Cordelista, advogado e jornalista. Nome que desfruta de prestígio internacional na Literatura de Cordel, citado até na Grande Enciclopédia Delta Larousse. Tem textos poéticos traduzidos para o japonês e é autor de dezenas de livros. Mora em Anápolis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ingres, 1780-1867, La Grande Odalisque

 

 

 

 

 

Paulo Nunes Batista



A ho(n)ra  p(ol)uída


O caso é este:
Já não se faz poente
como antigamente!

Um sol de néon se põe
sobre um horizonte de plástico.

Os humanos robôs assistem a esse
espetáculo
com seus olhos de vidro, suas mãos de metal.
Nesta ho(n)ra p(ol)uída, o que resta
da vida
após o Armageddon total?

Os passáros de Aço sobre
árvores de cimento armado
ainda tentam cantar.
O som apodreceu. O que era Grito é
mármore,
e virou pedra o ar.

Parecem ainda nadar os peixes
fictícios,
todos de uma só cor.
Mas não restam senão duas duríssimas Lágrimas
que um Deus qualquer chorou
sobre o altar dos derradeiros
Sacrifícios
no Ritual do Horror.

Quis falar, sem sucesso, uma Boca
eletrônica.
Mas não havia mais
uma palavra só, após a DOR
atômica -
a não serem uis! e ais!...

E toda a Arte - dos antigos aos
modernos -
de que memória havia nos museus
-
tudo subiu pros céus, na explosão
dos Infernos
ante os olhos atônitos de Deus!

E uma jovem sem cara exibiu o seu
sexo
numa palma de mão:
foi tudo o que sobrou, depois de
cem mil séculos
do Show de Armageddon.

Surdo-mudo, paralítico, asssexuado e
cego -
após dar-se na próxima mente o
Grande Nó -
o último homem entregou sua alma
toda ao ego
e nunca se sentiu tão infinitamente.
Só.

(Paiol Literário, jornal Diário da Manhã, 27 de janeiro de 1997)
 

 

 

 

Bernini_The_Rape_of_Proserpina_detail

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Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Morte de César, detalhe

 

 

 

 

 

Paulo Nunes Batista



M’eu Livro


Não, não estou no(s) meu(s) livro(s):
meu livro está em mim —
é nele que me livro
desse que eu não sou. Enfim.

Às vezes não me entendo.
Quase sempre sou outro.
O que quero dizer
é que escrevo o que penso
mas não sinto o que sinto ser.

Livra-me de meu(s) livro(s).
E — enfim livre! — seja o meu
livro — este livro aberto
que ainda não sou eu!...

Gilberto Mendonça Teles
certa vez escreveu(-me)
que eu já fui mais claro em meus versos
e acabei ficando (mais) confuso.
Talvez ele tenha razão:
Hoje eu sou mais os meus anversos.
 

 

 

 

Rubens_Peter_Paul_Head_and_right_hand_of_a_woman

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Mario Cezar

 

 

 

 

 

 

 

 

Franz Xaver Winterhalter. Portrait of Mme. Rimsky-Korsakova, detail

 

 

 

 

 

Paulo Nunes Batista



Ah! salto!...


Assaltei-me na Pedra
do meio do Caminho.
Ei! Você aí! Mãos pra cima
E não se bula se não te taco fogo!
Quis corrigir o tratamento errado.
Mas achei melhor cautela e caldo.

Vamos logo, ô cara! Passa a carteira!
E eu confuso: – Qual, a de documentos?
– Quer brincar comigo, engraçadinho?
Olha a navalha na cara!

– Não, meu chapa, isso não!
Leve o dinheiro, o óculos, o dente de ouro
o relógio de bolso (que me custou barato)
os anéis (que não tenho!), o talão de cheques
(mas, por favor, não use antes de verificar o saldo, tá?).
Leve o boné que o Epaminondas comprou em Lisboa
e me trouxe de presente.
Ah! Quer também a pasta, lembrança do Floriano Régis?
Sim, olha ainda tem os sapatos
com ½ sola nova pelo Caetano, o Cantor.
Leve tudo, tudinho, tudíssimo – até a roupa.
Mas... qu’é isso? A estrovenga, não!!!...

Se tocar nela me tira do sério
E aí você vai ter que sentar-se ali
na Pedra do Caminho de Drummond
para apreciar a briga mais feia do mundo:
Eu – com essa quicezinha cega
(não de picar fumo, que não apriceio)
ou com uma Pedra sem fundo
vencer o Gigante Engolias, o Meliante
que em meu nome me assalta.
Ai que danada falta
de mim!
 

 

 

 

Ticiano, Magdalena

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Adriana Zapparoli

 

 

 

 

 

 

 

 

Franz Xaver Winterhalter. Portrait of Mme. Rimsky-Korsakova, detail

 

 

 

 

 

Paulo Nunes Batista




ABC de cantoria para Soares Feitosa
 

Por Paulo Nunes Batista

(que escreve, improvisa e glosa)
 

Antônios! Santos, Poetas,
Profetas em Verso & Prosa!
Dêem-me as palavras certeiras,
da Rima e Métrica a entrosa,
pr’eu versar, todo em poesia,
o ABC DE CANTORIA
para SOARES FEITOSA.

Batistas... todos: Antônio
Batista Guedes, meu Tio;
Louro-Dimas-Otacílio,
meus Primos – o Grande Trio;
Ugolino do Teixeira,
meu Avô... abram a Porteira
do Verso – pro Desafio!

Cantadores e Coquistas;
os Poetas do Cordel;
Glosadores, Repentistas
tragam-me a Imagem fiel
pr’eu – retratando um Poeta –
atingir o alvo da meta
e cumprir bem meu papel!

Deus Apolo! Santas Musas!
Do Parnaso dêem-me a Mão,
trazendo a Luz da Poesia
nas Asas da Inspiração,
pr’eu aqui dizer quem é
esse Francisco José
SOARES FEITOSA, então.

Em Ipu, no Ceará,
esse Menino nasceu:
19 de Janeiro
foi o Dia em que se deu
o grande acontecimento.
Mas seu pai, que triste evento!,
no mesmo dia morreu.

Francisco José SOARES
FEITOSA é único filho
de Tatim e dona Anísia –
parteira de muito brilho.
Do norte do Ceará
trouxe o de melhor que há,
no seu destino andarilho...

Glaucineide, uma serrana
é sua Dona e Senhora.
Cearense, como ele,
no Lar da Virtude mora.
Tem cinco filhos do Chico:
fez o poeta mais rico
de um ouro que não descora...

Heroína, Dona Anísia
enfrentou a viuvez
com coragem, decisão,
fé, trabalho e sensatez.
Fazendola Catuana:
aí, Anísia, a Serrana
do Menino um Homem fez.

Infância, passa o Menino,
toda, em Monsenhor Tabosa,
cidadezinha pacata,
que de boa fama goza.
Num Seminário, em Sobral,
com 13 anos, afinal
entra SOARES FEITOSA.

Já dos 14 aos 15 anos
em nova Russas morou,
em casa do tio amigo
padre Leitão, que o ensinou.
Rio Macacos... seu rio...
Os sertões, a Mãe, o Tio
são saudades que guardou.

Lá vai o jovem Francisco
pelos campos a correr,
pelos matos ou caatingas
quando Deus manda chover...
ou quando a Seca secava
tudo em torno... e só restava
a água-de-se-não-morrer...

Macacos... diz o Poeta:
(Eu) “nem sei se ainda existe,
mas lhes garanto que água
ele não têm!”... dizer triste
de quem faz, do rio, tema
de um belíssimo poema...
O rio na alma resiste...

Nessas águas do Macacos
Chico Zé matou a sede...
deu inté bunda-canastra...
fez de sonho uma parede
para represar as águas...
E balançou suas mágoas
no céu azul de uma rede...

Outros ares: Moço Chico,
Jornalista em Fortaleza.
Foi caixeiro-viajante
no Piauí, com destreza,
vai pro Banco do Brasil.
De mexer com o metal vil
trouxe a sina, com certeza...

Porque, na casa do 20, –
dando à vida novo rumo –
aprovado por concurso,
mantendo o fiel do prumo,
Francisco José SOARES
FEITOSA se eleva aos ares:
já é fiscal do Consumo!

Quando viu que era preciso,
nos seus 22 de idade,
casou-se com Glaucineide,
pra sua felicidade.
Se diz sim – ela diz sim.
E os dois vão vivendo, assim
como se um só, na verdade.

Recife: catorze anos
em Recife residiu –
de 80 a 94.
O governo o transferiu
pra Salvador da Bahia.
O demônio da Poesia,
antes disso, descobriu...

Salvador... suas ladeiras...
a bela gente de cor...
Bahia de Castro Alves,
da Liberdade o Cantor!
E Chico, de Pernambuco,
trouxe, da Poesia, o suco
pra cantar em Salvador...

Traz, de Recife, o primeiro
poema, pois Chico o fez
beirando os 50 anos,
no ano 93.
Da Poesia a Estrela lhe arde.
Dá o Réquiem em Sol da Tarde
à luz, em 96.

UM Senhor Poeta surge,
quase da noite pro dia.
Ainda em 96,
funda o Jornal de Poesia
pioneiro – na INTERNET.
Mas, neste 97,
é que mostra o que escondia...

Vem, PSI, A PENÚLTIMA,
sacudir nossa Nação
com Obra que, em nossas letras,
é quase revolução –
algo de espantoso e novo...
E balança a terra e o Povo,
com seu livro – SALOMÃO!

Xis de SOARES FEITOSA
é unir da copa à raiz
a Poesia Brasileira –
o melhor deste País.
Poesia valente, viva –
Verso & Prosa – positiva,
que acha do problema o xis...

Zâmbi, Meu Negro, Obrigado
por ter dado ao cordelista
a chance de abecedar
SOARES FEITOSA, o Artista!
Se me faltaram arte e engenho
perdoem o mau dese(mpe)nho
do

PaulO NunEs BaTistA
 

Anápolis-GO, 21-8-1997, 2:15 da madrugada
 

 

 

 

Ticiano, Salomé

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20/04/2005