Mais de 3.000 poetas e críticos de lusofonia!

 

 

 

 

 

Aila Magalhães

 

 


Poesia:


Prefácio, ensaio, crítica, resenha & comentário:


Conto:


Fortuna crítica:


Alguma notícia da autora:

Meu caro Soares,


tu me pedes uma notícia sobre mim, notinha pequena, coisinha ?toa. E eu fico aqui a matutar que diacho de notícia eu poderia te mandar. 

Acho que sou o que costumam chamar por a?de "low profile". Nada de espetacular, extraordinário ou incomum, nada que mereça ser classificado como notícia.

Passei recentemente dos cinquenta, meus três filhos e filha estão criados, minhas três netinhas são lindas e amadas, mas as avós maternas (ainda) são as favoritas, o casamento resiste a longevos 33 anos. 

Gosto de rabiscar acerca das coisas que penso, sinto, vejo, vivo...Trabalho bastante, ouço música com frequência, leio razoavelmente, saio de vez em quando, durmo pouco, como pouco, bebo raramente, mas fumo além do aconselhável (prometo parar, s?não sei ainda quando).

Sonhos? Viver em um local mais tranquilo, maior contato com a natureza, trabalhar em atividades que exijam mais criatividade que operacionalidade, dinheiro para o necessário e pequenos mimos, entre estes, viajar.

Tu me pedes também uma foto. Vou enviar duas... tu escolhes.

Um abração, poeta!

Sempre um prazer ler-te.

Aila (18.05.2014)

 

Pois vão as duas fotos, caríssima Aila, afora esta outra (embaixo) de algum pouco tempo mais:

 

 

 

 

 

 

Juarez Leitão

 

Gerardo Mello Mourão

 

 

 

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Aila Magalhães

 

 

 

 

vinte passos

rumo a nem sei bem onde...

 

 

1. Partilha

 

nada a ti pertenço
não meus olhos,
bandeiras de paz e guerra,
ou aquele olhar de horizonte incerto
cândido e flama
de qualquer hora

nada a ti dedico
não minha voz,
sussurro de medo e tédio
ou algum cantar de notas mornas
melodia e grito
de qualquer noite

nada a ti inspiro
não o sonho encadernado,
nuvem de azuis puídos
asa e semente
qualquer que fosse a estação

deixa-me, deixa-me ainda
o corpo não mais de outrora
o viço,
o gozo,
o riso,
o ciso que j?perdi.
estes, agora,
e não a qualquer tempo,
doarei.

 


 

  

 

2. Do bom, belo e aparentemente justo.


Maria tanto amava que ardia..
Mas at?o último suspiro negaria...
Era direita, a Maria.
S?que todo santo dia numa saída ela pensava
Bolava, rebolava, revirava.
Nem mais dormia, a Maria.
Ainda honesta,
enlouquecida, definhava..
(nada bom)



Foi então que conheceu Teresa.
Era bem puta, a vadia.
(faria o que o Z?gostava
que era também o que queria)
(o duplamente bom)

 


Maria deu ao Z?, de presente, a Teresa
E a si própria, deu João e deu ao João...
Z?ficou alegre de repente.
Cantarolava. Assobiava. At?sorria!
Trazia flor pra Maria.
Comprava carne de primeira.
Vestido novo de chitão...
Nem cogitava um João!!!
(mas era justo, justíssimo!)

Enquanto isso a Maria
Agradecida ( e direita )
Trabalhava ?tarde
E ?noite dormia.
Cansada e feliz
Com o seu Z? a Teresa
E com João., a Maria!
(bonito, muito bonito, dona Maria!)

"Quem em prol da sua boa reputação, não se sacrificou j?uma vez a si
próprio?" (Nietzche)


 

 

 

3. Soul & Side

não h?mais tempo de esperar pelas bromélias.
deixo-te a semente.
não ?sensato celebrar tristezas.
deixo-te o passado.
impossível ver crescer frutos do ventre
confio-te o futuro.

Vai...

quando for noite, haver? estrelas
se não houver, acenderás fogueiras.

Vai...

quando sedento, beberás da fonte
sem fonte, beijarás a boca
que aplacar?tua sede.

Vai...

não h?tempo para bilhetes.
deixo-te um sorriso e os livros que não li.

vai...antes, apenas deixa-me uma canção
baixinho, muito baixinho, quase um sussurro...
não estaremos sós.

se por acaso chegar-te a saudade,
planta uma semente, acende uma fogueira,
ouça uma canção, sinta o cheiro do mar,
inspire o passado, expire o futuro.

depois, deixa tudo seguir com o vento.
 



 

 

4. E da?


não me recordo o dia.
tinha cara de segunda,
corpo de preguiça, olhos de sono,
marcas de batom mal disfarçadas pela roupa.

sim, bem poderia ser segunda-feira,
daquelas quando, qualquer um,
sem eira e nem beira
poderia adivinhar o grande final.

sim, poderia ser qualquer dia,
pois são iguais os dias de quem espera
sem que dúvidas ou certezas atropelem o calendário.


naquela manh?,
chovesse ou fizesse sol,
estaria ali novamente o vazio
exceto por algumas moscas
infernizando as orelhas do cão.


 

 

5. Variável

não, não desejo abrir mão de minhas dúvidas,
não quero sol todos os dias
nem chocolate todas as noites.ou sexo.

erra, redondamente, quem me esperar doçura apenas.
trago um p?de tamarindo bem plantado no peito,
regado pela chuva e por marés que como eu, vão e voltam.
gosto de voltar e, para tanto, preciso ir.

claro que tenho convicções, algumas at?bem fortes.
sou contra pena de morte,desprezo a inveja
abomino armas.
acredito no amor.
todos carregam em si o bem e o mal .

meu forte, contudo, são as dúvidas.
haver?vida após a morte?
quem sou eu?
prosa ou verso?
outono ou primavera?
azul-turquesa ou verde-água?
agora ou nunca?

choro fácil. rio fácil.
dificilmente esqueço, mas sou capaz de perdoar.
sou gentil, mas viro bicho vez por outra.
sou meio bicho, na verdade, mas s?meio.

tenho muitos sonhos,
gosto de gente e também de estar s?br> prefiro mar e campo,
gosto de árvores e estrelas, mas abduzida, ia querer  voltar.

não sei se sou feliz, mas não acho que seja infeliz
então sigo cutucando a onça com vara curta, mas não muito.
deu pra entender?

 


 

6. Transmutante

quero um poema amoroso,
mas são palavras esquálidas,

desidratadas,
um tanto pálidas,
que me aparecem recostadas ?velha e tosca cerca de lenha e arame farpado.
(confesso que não sabia dos espelhos).


ainda assim, desejo ardentemente um poema apaixonante,
de arrepio pela nuca, calor nas partes, secura pela boca.
distraem-me as tangerinas sobre a mesa
de cheiro cítrico,
tão limpas quanto não pode ser esse poema.
contento-me então com um poema enganador
e escuto sinos de vento no meio da madrugada,
j?se inundam os lençóis do cheiro morno de teu corpo
e um sussurro tomando corpo

preenche qualquer vazio.
- chega!
 


 

 

 

7. Inter vivos

ai de mim, que não sei dizer
palavra-favo,
puro mel escorrendo sobre a língua

ai de mim, que não sei calar
palavra-fel,
espinha de peixe entalada na garganta

ai de mim, que não sei conter
o bem-te-quer,
primavera sob chuvas de verão

ai de mim, cansada de nadar
rio intermitente
não chega ao mar...


 

 

 

 8. Devota

pouco rezava
namorando atrás da igreja,
compensava.

sem ser santo,
era divino a cada beijo
e o “ai, meu deus!”, j?corriqueiro

menino bom, aquele
gostinho doce
na boca da noite

como fosse penitência,
mal tocava o sino, a ladainha começava
e o padre não sabia da missa um terço...


 


9. Jazz, melancias e algum propósito

?possível (creio nisso)
fazer do espaço uma dimensão diversa daquela que lhe atribuem a maioria dos terrenos,
aqueles seres normais, seres super-normais,
do tipo que adora melancia e odeia jazz...(ou vice-versa).

?também possível fazer do tempo objeto de pouca valia,

coisa impensável para os tais terrenos

- time is money, honey...
afinal, tais seres,
seres super-normais e pouco etéreos,
estão repletos de passados e presentes
do tipo que dorme cedo para então cedo acordar num futuro que não sabe se vir?br> ou se ver?
(vi_verei? vi_ver?)

ai, que enfadonho
esse modus peripatetikos
de embrenhar-me pelas veredas
e, descuidada, perder-me por trilhas cheirosas
de florinhas quase azuis, frutinhas e mel...

 

(mencionei frutinhas, para excluir as melancias).

perdoa, pois, essa rasa metafísica
que tanto busca, mas afrouxa o passo
logo que encontra uma resposta breve
na simples sombra de um vago olhar
(reflexo?)

estarei por acaso
feito um narciso disfarçado,
receosa das águas do lago
que no final das contas, poderia por tudo a perder?

e em assim sendo,
o que fazer das coisas por fazer,
da manh?sonolenta,
do desgosto terreno
do terrível vazio,
do propósito não descoberto?


 

 

 10. Do avesso

desconstruir a poesia
torn?la hoje, simples rotina.

temperar bifes escarlates
tenros feito folhas jovens de alcachofra
(nem tão rotineiro assim)

desenhar riachos de azeite
no fundo da caçarola
interromper o curso vez por outra
com a ponta do dedo indicador

adocicar perigosamente a boca
na lata semiaberta de leite condensado
sorver cada caloria como se fosse a última...

aproveitar a chuva
e desfilar em meias e camiseta
( cabelos molhados da bica do quintal).

fazer amor às quatro da tarde
deixar o banco pro dia seguinte
ganhar desconto no ingresso do cinema
encontrar a blusa azul, sumida h?uns quatro meses...

depois, nada demais...
um entardecer sem chuva
de céu laranja, de mar calminho,
de lua cheia, de abraço forte,
e beijo com sabor de at?amanh?
 



 

 

 

11. De que me vale o poema?

A parede branca se estende ?minha frente e se espicha,

qual espigão tombado, sem portas sem janelas,

onde não se entra, de onde não se sai.


Parede, que se chama muro.
Penso sobre o muro e salto.
Qual poesia sobreviveria neste vazio preenchido de concreto?

Muro
Murro
Morro

Examino o muro com meus olhos de poeta: aparentemente branco, apenas.
A cal guarda o cheiro da terra respingada pelo suor dos homens.
Aqui e ali, vejo sonhos rabiscados no nome da mulher amada,
Aqui e ali, adivinho revoltas expressas no tijolo mal assentado,
Vez por outra, uma porta semi-aberta no reboco que racha solidário ? liberdade.

Quem dera uma janela...

A muralha da China pode ser vista da lua
O muro de Berlim tombou de portas fechadas
A fronteira do México parece segura
Judeus e muçulmanos lamentam por Israel.

Quem dera um machado...

“Trabalhadores do mundo inteiro, divirtam-se”...
Longe dos muros de Paris,
minha pequena Guernica não tem as cores de Picasso,
apenas mestres sobre os quais cuspiria Waters
aqueles mesmos que assombraram Munch
e fritaram a orelha de Van Gogh no óleo de girassol

Quem dera um pincel...

Sem janela, sem machado, sem pincel,
restam-me poucas certezas,
um muro branco, aparentemente, apenas,
e um velho disco do Pink Floyd

Quem dera agora um poema.

 


 

 

12. Memória cache...

memória cache, ou,
receita para um amor interminável...

comece pela nuca
e com a ponta dos dedos,
delineie-me os lábios...

do prato de jantar,
recolha-me folha, carne, flor,
lubrificada em azeites virgens

experimente cada pedaço,
como se fosse o único,
mesmo que seja o último...

depois de tudo, o canto das cigarras,
executado em sinfonia,
eterno enquanto dure...


nota:
Tradicionalmente, em outubro ou novembro, a cigarra sai do solo. O macho vai para as árvores, canta e atrai a fêmea para o ritual do acasalamento. Logo depois, ele morre e as fêmeas saltam para as árvores, colocam seus ovos que viram larvas, caem no solo, penetram na terra e ficam sugando a seiva da árvore durante três a quatro anos, at?recomecem seu ciclo.


 

 

 13. Ritual

o lume da madrugada
acolhe corações ardentes
em dialeto que se traduz,
em meio ao grande silêncio

tempos em tempos...

vertentes pelas ruas, passarelas,
tão vermelhas quanto outrora,
ainda tingem a terra, rosicler
escoam pelo rio, corredeira
ainda fazem turva cada aurora...

liberdade, liberdade!

desperto,
o dia revela cicatrizes encarnadas
mapas de dores tatuadas sobre a carne,
silêncios costurados pelos caminhos d´alma.

aos quatro ventos, o rufar dos tambores abre passagens.

 


 

14. Poema para ninguém

 

Persiste-me o segredo

de um feito antigo.

- verdade ou mito?

(nem sei ao certo, admito)

 

Pelo sim e pelo não,

mantenho um nome

bem guardado, envolvido

em papel celofane

de um encarnado esmaecido,

embora vivo, ainda vivo.

 

Pelo não, pelo talvez,

repasso lençóis de seda

e a ferro quente,

marco a ponta de um momento,

dobrando no peito uma saudade incerta

 

nesse silêncio,

nessa noite quase infinita

encarcerada entre o algum dia ou nunca

um quase grito:

Voc? maldito!

 


 

 

 15. Soletrando

toda essa necessidade de falar,
provém do silêncio,
do vazio exposto,

insistentemente,
no cabide que ainda guarda o cheiro de tua camisa favorita,
no limão que apodrece na fruteira

e o desperdício de tanta vitamina,
C, de coração, talvez...
ainda bem que "sempre" escreve-se com "S",
assim, posso esperar um "D" de dia desses.


 

  

16. Um olhar por sobre os telhados
(ou, do ponto de vista dos gatos)

quieta, observo o tempo através do sol.
primeiro, uma sombra enorme parece engolir a luz.
depois, a luz ?que engole a sombra
fazendo nascer um dia azul

sobre telhados recém-paridos, encarnados de luz,
pontilham aqui e ali os verdes,, amarelos e lilases
das  flores teimosas num tempo de quase inverno.
(não sabem as flores que ha tempo de adormecer?)

o silencio cede ao breve rumor do vento entre palmas,
(carícia)
e saúda esta manh?que também a mim pertence.

Passeio nas horas que indiferentes, passam por mim,
e sem cerimonia, envelhecem-me.

Enquanto isso, o mar vermelho dos telhados
guarda milhares de segredos:

quem ser?feliz? quem chorar?
onde estarão os que conspiram?
por onde andarão todos os amantes?
(serei eu ou apenas os olhos de um gato?)

dói em mim este futuro incerto,  a pouca certeza que me coube.
dói em mim saber e não saber
esse ter tido e o não ter sido
dói-me, neste dia azul, viver o que me cabe
como talvez doa também aos gatos, nas noites claras de luar,

a lembrança do alto da montanha...


 

 

 

17. M a r i n h e i r a


em minha pele,
cristais de sal recendem
um mar revolto,
desaguado da ponta de tua língua.

por sobre ela, a pele, inteira,
gotas de marés,
saliva de peixe,
escamas incrustadas ?moda incisiva de teus dentes.

sem encanto ou canto,
ser areia,
seara,
sereia...
nadar ou morrer na praia,
?tudo quanto resta.
 



18. Ex-voto

penumbra...
num canto da sala,
quase jaz
solitária e muda...

como se invisível fosse,
fruto de alguma mágica,
inventada apenas para justificar
a sua longa existência.

o tempo escureceu-lhe o corpo
j?trêmulo, um tanto disforme
impossibilitado de oferecer
conforto e prazer de outrora.

uma coisa.
substantivo feminino.
objeto meio indireto,
vulgar e obsoleto
frente ?poltrona de couro legítimo
que agora ocupa a vaga de honra,
bem ao lado da janela.

a velha cadeira,
j?sem dono, expõe toda a sua inutilidade.
- quem sabe um antiquário?
 




19. R e l e i t u r a s


páginas amarelecidas desfilam sob meus olhos
e me dou conta das diversas sombras deixadas por entre
os dias...

sem poder reescrever velhos destinos,
pesco, aqui e ali,
possibilidades abandonadas ?própria sorte
e,
em exercício lento
(ou de pouca f?,
lanço mão de alguns pequenos fios,
adiciono uns e outros ingredientes,
recombino certas variáveis,
e como quem conserta uma sopa rala, um tanto
insípida,
fecho os olhos,
apuro os sentidos a perscrutar causas e efeitos
dentro de mim.

[pausa]

vêm-me lembranças de um velho tapete de cordas,
amaciado na profusão de corpos,
uma cortina de conchas e contas
barulhando ?brisa da janela,
um abajour de sisal cru
desenhando sonhos pelas paredes...

[suspiro...]

o rio amarelo da china não chega mais ao mar.
j?não sei onde brilha o jade.
não choro mais, não choro.
aprendi a fazer renda.

 

os dias anoiteceram
e para que não falte a certeza,
não h?lua,
exceto no quadro da parede,
que me chega de repente.

[um ar grave, não necessariamente triste]

preciso, urgente,
de palavras novas,
daquelas que não saem da cabeça,
e nos tiram o ar, o sono,
e nos permitem ouvir estrelas e sinos de vento...

 

 


 

 

 

20. Canção de amanh?


não direi adeus
se ainda tarda o sol.
também não falarei de flores
quando a primavera discursa aos olhos
permitindo que descansem as saudades do outono.

fecho os olhos e deixo-me levar por uma tênue certeza,
uma impressão sutil como o fio da teia
da caprichosa aranha-mãe,
de que o silencio conspirara a meu favor.

não direi adeus,
embora saiba do fim de todas as coisas,
fim que abraça mesmo os sonhos
sem tempo de vir a ser,
fazendo breve o que se julgava eterno.

lentamente, tento desconstruir o pensamento
ainda embriagado de lucidez indesejada,
concebido em meio acido, sobrevivente,
como o pródigo filho que ainda não partiu.

refaço-me do último suspiro
recolho a última palavra
ignoro as horas apressadas
e caminho para o mar.

 

 

Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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31/07/2005, 15:15