Mais de 3.000 poetas e críticos de lusofonia!

Regina Souza Vieira

Titian, Venus with Organist and Cupid

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Traduções:


Alguma notícia da autora:

 

 

William Blake (British, 1757-1827), Christ in the Sepulchre, Guarded by Angels

 

John William Godward (British, 1861-1922),  A Classical Beauty

 

 

 

 

 

Poussin, Rinaldo e Armida

 

 

 

 

 

Regina Souza Vieira



Biografia

Profª Pós em Literatura Brasileira / Tradutora, Profª de Francês e Inglês, nasci no Rio de Janeiro (24 de março de 1952), cidade onde resido e da qual gosto muitíssimo. Sou muito dedicada à minha profissão e me entrego, por completo, à poesia e aos textos que escrevo, embora mantenha sempre uma autocrítica acirrada a respeito do que flui naturalmente do espírito como forma de inspiração. Sou alegre e estou sempre apta a fazer novos amigos, sobretudo com pessoas dispostas a trocar idéias sobre cultura ou assuntos interessantes.

 

Obras

      Livros:
      • Sentimentogramas - Rio de Janeiro: Cátedra, 1987, 67 págs
      • Boitempo: Autobiografia e memória em Carlos Drummond de Andrade
      • Revivências - Rio de Janeiro: Taba Cultural, 1997, 104 págs
      • Inventivas verossimilhantes (contos)
      • Limites da prosa e da poesia em Carlos Drummond de Andrade 
                     
      Participação em antologias:
      • A nova poesia brasileira. Rio de Janeiro: Shogun Arte, 1983
      • "Autobiogragia e memória em Carlos Drummond de Andrade" e "Poesia: Inspiração ou Arte?" Seminários da Pós-graduação em Letras (1992-1993) Rio de Janeiro PUC, 1994.
      • Poesia viva  Rio de Janeiro: UAPÊ, 1995
      • ANAA em prosa e verso (poesia e conto) Antologia Poética da ANAA - Academia Neolatina Americana de Artes, 1996
      • Cem vezes poetizando (reunião de entrevista por Doris Cattacini no jornal Poiésis) Petrópolis, 1998
                     
      Métodos didáticos:
      • English in a short time (3 apostilas)
      • Le Français rapide (3 apostilas)
      • English idiomatic Expressions (Expressões inéditas)

 

Albrecht Dürer, Mãos

Início desta página

Ricardo Alfaya

 

 

 

 

 

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

Regina Souza Vieira


 

Grande poeta amigo Soares:

Estes versos de Carlos Drummond de Andrade, em louvor a João Guimarães Rosa:


"Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu,
de se pegar?"
("Um chamado João" in Versiprosa)


ficariam bem ajustados na paródia que eu gostaria de fazer agora:


Ficamos sem saber o que é Feitosa
e se Feitosa existe,
de se pegar?


Verdade, poeta e amigo Feitosa! Admiro de há muito o seu trabalho no Jornal de Poesia; admiro ainda mais a oportunidade que você dá a poetas e escritores neófitos que encontram, por um lado aquiescência e incentivo para publicarem no seu site, por outro lado nele encontram um arcabouço de conhecimento de autores nacionais e estrangeiros.

Recebi o seu Estudos & Catálogos – Mãos e imagino o prazer e o orgulho de Virgílio Maia, cuja obra não conheço nem tampouco a pessoa, mas que imagino ambos privilegiados por este prefácio seu. Se em lê-lo, sinto-me honrada, imagine-se o autor do livro, que terá nas primeiras páginas de sua obra esta apresentação profunda!Regina de Souza Vieira.

Com Você, a gente se surpreende sempre. Nós, por exemplo, nem nos conhecemos diretamente e eu me gabo de receber o seu convite para publicar o meu livro A prosa à luz da poesia em seu site. Que presentão! O que eu fiz para merecê-lo? O que lhe dizer para que as palavras correspondam ao meu agradecimento? E sabe por que o seu carinho me é tão importante? Há meses venho pensando em disponibilizar na internet este livro, mas nunca me decidia a isto. Aí surge o seu convite, que surpresa!

O meu livro, à parte qualquer pretensão, contém uma vasta pesquisa sobre a prosa drummondiana e, mais do que isto, em analisando os gêneros praticados pelo autor mineiro, há uma parte teórica sobre crônica, ensaio e conto, que pode ser útil a outros pesquisadores ou estudantes.

Garanto-lhe que fiz o que pude para divulgar o meu trabalho: dei palestra em Itabira, busquei e até consegui o apoio da Fundação Casa de Rui Barbosa e do neto de Drummond, Luís Maurício, mas a divulgação é difícil, o tempo passa e nós mesmos acomodamo-nos ao que não foi feito.

Bem, vou enviar-lhe em anexo o livro, se puder disponibilizá-lo me dará uma das maiores recompensas literárias que posso almejar. Apesar de este e-mail já se fazer longo demais – será que sofro de gigantismo epistolar? – quero apenas colocar-me ao seu dispor ou ao dispôr do JP para tudo ou qualquer coisa em que eu puder ser útil. Sou uma apaixonada por literatura e me voluntário sempre a qualquer pesquisa ou a qualquer informação.

Uma última observação, quase um pedido: o meu site acolhido hoje no JP já não é o meu atual, se puder alterar, será um MUITO OBRIGADA a mais que lhe fico devendo.

Sua sempre amiga.

Regina Souza Vieira

 

 

 

 

 

 

 

Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

Regina Souza Vieira

 


 

Perguntas, Dúvidas, Inquietações

 

Há tantos prazeres buscando
um espírito que lhes dê repouso
que eu às vezes busco na escrita
um simples momento de pouso

Mas a escrita é muito ampla

quer prazer e até desconsolo
há tantas flores no campo
que mal lhes vemos o miolo

Meu íntimo é um remo expulsando

de sua frente os empecilhos
talvez eu palmilhe grandes trigais
da ida talvez eu guarde
a ânsia de mil andarilhos
Todos nós somos iguais

Meu espírito clama por sossego

Quero ser feliz, viver em paz
numa roda de amigos, ver minha família
na minha família, só ter amigos
quero palmilhar pelas ruas e travessias
plantar em meu jardim uma simples tília
e esquecer, outras flores até desconheço

Minha pessoa é um enigma indecifrável

e eu tento me entender todos os dias
e a cada dia torno-me mais confusa
a sensibilidade é uma arma poderosa
manipula nossas palavras
perde-se e anda perdida dentro de nós
se nós a usamos, mais ela nos usa
e de tanto nos usar – de nós até abusa!

Um dia, chegarei a me entender
Quem sabe?

 

 


  

Hora da Sabedoria

 

Meio-dia: Hora de rezar
Meia-noite: As bonecas desencantam
Longe, os pássaros nos encantam
Não é de tristeza o seu cantar.

Meio-dia, meia-noite, horas obscuras
no grande relógio da vida
na atmosfera nebulosa do saber
que sempre buscando saber mais
perde-se na hora, no tempo, que sempre sem tempo
um dia nos fez nascer, para no outro,
nos deixar morrer.

Meio-dia: sol alto, calor a agasalhar
Meia-noite: penumbra, silêncio, sonhar

Dois extremos tem o tempo desde o tempo
em que sem hora se vivia

Meio-dia, meia-noite, que fantasia
Por que saber a hora, se apenas em nós
no interior do eu é que estão a noite ou o dia!

Meio-dia, meia noite: dois ponteiros colados
apontando para o infinito
que também só dentro de nós
se revela ou feio ou bonito.

Continua o mistério, que nunca se elucidou
Pois se é mistério, nada o esclarecerá

Meio-dia, meia-noite, falem filósofos, magos ou deuses
Nós, homens, quem de Vocês ouvirá
Essa verdade que ad aeternum ninguém saberá
e o mais belo é esse não saber e buscar
Na meia-noite, no meio-dia, o tudo ou o nada
que ninguém sabe se ainda vai achar!
 

 


 

Espaço para Sorrir

 

No silêncio deste dia
que já avança no solaço
ainda não se achou o espaço
para o meu sorriso bonachão

sorriso de bouche à l´oreille
Como é bom sorrir assim
afastando pra longe as dores
alastrando o que há de bom
dentro de mim.

Mas o dia já vai alto, no entanto
Meu riso permanece adormecido
terei deixado lá no fundo vencido
o meu tempo de ser feliz?

Não, não sei se foi a vida que quis
se meu destino de mim se encarregou
hoje, ainda não sorri nem chorei
tampouco meu ego despertou

Estranho dia, estranha manhã
leva-me ao vento, bonachã
deixando-me quieta, tranqüila
sem meu peso, sem minha dor


 


  

Emancipação

 

Ontem, o meu filho se desprendeu do limbo
Coloquei-o, sozinho, no correio; ele viajou
Alcançará destinatários que nele vão ver
defeitos e qualidades que meu zelo desconhece
Meu livro viajou estados e países afora
Emancipou-se de mim que o fiz nascer
só com carinho

O meu livro se foi, foi sozinho encontrar leitores
como um filho que parte, eu lhe disse adeus
mas eu estava feliz porque, anseios meus
alguém a distância o esperava e folha a folha
quem sabe, me revelará o seu interior

Hoje, o livro que escrevi já não é só meu
e foi para este fim que criei aquele mundo
só que o concebi à minha cara, à minha sensibilidade
dotei-o do que pensava e que julgava ser para mim
o correto de minha mensagem

Meu filho se foi pelos trilhos do correio
Destino certo: encontrará um outro pensar
Quem sabe um leitor afeito a desfolhar
a rir, chorar ou repreender minha forma
de um novo mundo em mim criar.

Uma certa dor de despedida fica na mãe
mas um orgulho também lhe sorri
porque foi com este objetivo que escrevi
de nada adiantaria guardar pra mim a minha cria

Um livro é um filho, amor é criação
Felicidade é ter a quem entregar já criado
o filho que palma a palmo foi elaborado
no ventre fértil de nosso interior

Vai, filho meu, espalha pelos caminhos
teus eflúvios de intenções, mensagens
profícuas, fundadas no amor.

 


 

Falta Alguma Coisa

 

Numa manhã de domingo, ensolarada
A alegria invade a minha janela
Por que será que, em mim, a manhã não é bela
Por que, para mim, esta manhã não é aquela
que eu gostaria que fosse, toda ela alegria?

A cada dia, quero o dia seguinte
a noite superada depois de um bom sono
A cada manhã eu busco da festa em mim
o retorno, e quase sempre minha festa
tem uma alegria menor do que a sonhada

A manhã, anuncia um dia feliz, ensolarado
Eu, me aquieto lendo tranqüila o jornal
Mal ouço o assobio matinal, que luminoso
me diz que o dia é todo de sol!

Talvez porque nas manhãs de domingo eu sofra
depois de uma semana, o grande cansaço
Talvez não me anime a ver o oposto do mormaço
Porque, pra mim, o domingo é uma tarde
que exige uma transação para o dia seguinte

mas a manhã traz frescor, vontade de viver
um dia de descontração se anuncia pra vida
parece do contra esta espécie de emoção
que, em mim, apaga o que seria festa e se abre
em vontade de dormir por mais duas horas.

Quem sabe, olhando melhor este sol, ao longe
Vendo azul o horizonte, ergo minha fronte
desfaço em mim este desânimo tristonho
e, alegre, disposta ao sol, feliz me ponho
e começo, porque é domingo, a rir e a cantar!

Esquecendo este lento quase chorar
que precisa de incentivo para ser feliz!
 

 

Manoel de Barros

 

Augusto dos Anjos

 

 

 

 

Muito mais de não sei quantos mil poetas,

contistas e críticos de literatura.

Clique na 1ª letra do prenome:

 

A

B

C

 

D

E

F

G

H

I

J

K

L

M

N

O

P

Q

R

S

T

U

V

W

 

X

Y

Z

 

 

WebDesign Soares Feitosa

Maura Barros de Carvalho, Tentativa de retrato da alma do poeta

 

 

SB 23.01.2023