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J. Romero Antonialli 

j.romero.a@bol.com.br

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma nota do editor:

J. Romero Antonialli é um passional. No sentido de que coloca toda a paixão naquilo que faz. Ele acredita no que faz. Só assim, acreditando, pleno de entusiasmo com aquilo que faz, é possível fazer algo.

Um belo dia, Antonialli me apareceu (ainda não nos conhecemos pessoalmente, só via internet) com uma interpretação sobre um poema de Mário Quintana. Desculpem-me, não é bem uma interpretação. É uma viagem! Jamais imaginei que poema tão curto pudesse proporcionar tamanha riqueza ao intérprete. Hermenêutica poética? Isto mesmo! É o que Antonialli seguramente realiza.

Apresento-lhes agora (15.5.2005) o mesmo texto sobre Quintana, antes em html, com apresentação bem precária; agora, em adobe.pdf, ótimo para salvar, imprimir, encadernar, ainda que apenas numa pasta colecionadora.

Antonialli tem outros trabalhos, muitos. Uma monumental  análise sobre alguns poemas de Fernando Pessoa que, a qualquer instante, trarei aqui, na íntegra, quase 200 páginas.

E, com uma ponta de orgulho, cumpre-me confessar, produziu Antonialli vários ensaios sobre a poética deste escriba. Já disse a ele, pena que não pessoalmente:

— Meu caro Antonialli, tenho certeza de que Dormências se fez unicamente para ser analisado por você.

Convido-os à viagem de J. Romero Antonialli:


Ensaio, crítica, análise e comentário


Alguma notícia do autor:

  • Bio - Bibliografia


Poesia :


 

 

O autor reside em Casa Branca, SP, e é ligado ao magistério da lusofonia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Psi, a penúltima

 

Bernini_The_Rape_of_Proserpina_detail

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rinaldo e Armida

J. Romero Antonialli



Dou-me o direito


Dou-me o direito
De ser alegre,
De ser triste,
Mas sendo sempre feliz.

Dou-me o direito
De ser responsável,
De ser irresponsável,
Mas com toda a responsabilidade.

Dou-me o direito
De ser ousado,
De ser tímido,
Mas com toda a intrepidez.

Dou-me o direito
De ser quente,
De ser frio,
Mas com todo o ardor.

Dou-me o direito
De decidir,
De vacilar,
Mas com toda a determinação.

Dou-me o direito
De ser sério,
De ser palhaço,
Mas com toda a austeridade.

Dou-me o direito
De me encontrar,
De me perder,
Para jamais me extraviar.

Dou-me o direito
De ser duro,
De ser flácido,
Mas sem perder a rigidez.

Dou-me o direito
De falar,
De calar,
Mas sem perder a eloqüência.

Dou-me o direito
De levantar,
De cair,
Mas sem deixar de caminhar.

Dou-me o direito
De aprender,
De ensinar,
Mas sendo sempre aprendiz.

Dou-me o direito
De ser sensato,
De ser louco,
Mas com toda a lucidez.

Dou-me o direito
De esperar,
De desesperar,
Mas com toda a esperança.

Dou-me o direito
Do encanto,
Do desencanto,
Mas sem perder o encantamento.

Dou-me o direito
De não ser eu,
De nunca ser eu,
Para sempre ser eu.

Dou-me o direito
De ser eu,
De sempre ser eu,
Para ser eternamente eu.

Dou-me o direito,
Dou-me a esperança,
Dou-me a promessa,
Dou-me a certeza,
Dou-me a convicção,
De ser um pálido eco,
Um palidíssimo eco,
Um vividíssimo ecoar,
Do santo Verbo...
 

   

 

Titian, Noli me tangere

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Paulo Petrola, 2002

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Nurture of Bacchus

J. Romero Antonialli


 

Escrever

“O português são dois, o outro, mistério.”
(Carlos Drummond de Andrade)


Escrever:
Descobrir coisas que não sabia.
Melhor:
Que não sabia que sabia.
Melhor:
Que nunca saberia...

Escrever:
Ato de busca,
de desvelamento,
de auto-encontro.

Escrever:
Ler, perplexo,
Os escaninhos da alma,
Os fugidios escaninhos da alma...

Escrever:
Aprendizagem fácil,
Tremendamente difícil.

Escrever:
Esfinge bifronte:
Assaltar as arcas do verbo,
Permitir que a palavra nos encontre.
 

   

 

Henry J. Hudson, Neaera Reading a Letter From Catallus

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Adelaide Lessa

 

 

 

 

28/06/2005