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Luis Manoel Siqueira 

luismps@hotmail.com 

Poussin, Venus Presenting  Arms to Aeneas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


Contos:


Alguma notícia do autor:

 

Luis Manoel Siqueira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ruth, by Francesco Hayez

 

Frederic Leighton (British, 1830-1896), Antigona

 

 

 

 

 

 

 

 

John William Godward (British, 1861-1922), Belleza Pompeiana, detail

 

 

 

 

 

Luis Manoel Siqueira


 

Biografia:
 

  • Nasce em Garanhuns-PE, em 1960. Transfere-se para o Recife. Aos 8 anos publica os primeiros contos no suplemento infantil do Diário de Pernambuco.
     

  • Aluno de Elijah Von Sönsten e Celeste Azevedo, estudando língua e literatura americana, inglesa e brasileira.
     

  • Aos 17 anos primeiro lugar em prêmio literário com um ensaio sobre Machado de Assis, maratona escolar promovida pela Academia Pernambucana de Letras,Academia Brasileira de Letras, Caixa Econômica Federal e Grupo Bloch.
     

  • Em 1979 publica “A CIDADE DA LUZ AZUL” Romance de estréia, juntamente com o cantor e compositor Luís Gonzaga, que inclui um texto seu na contra-capa do disco “Eu e Meu Pai”.
     

  • Conhece neste mesmo ano a poetisa Celina de Holanda, que juntamente com os Poetas Alberto Cunha Melo e Jaci Bezerra organizavam o movimento cultural das Edições Pirata no Recife. Recebe grande influência destes três escritores.
     

  • Gradua-se em geologia pela UFPE. Inicia juntamente com o seu pai, Luís Siqueira, um trabalho em garimpos de pedras preciosas do Brasil, durante dez anos.
     

  • 1992 - Prêmio Othon Bezerra de Mello para “O Leão e a Baronesa” e menção honrosa para “A Idade da Pedra”. Academia Pernambucana de letras.
     

  • 1993 - Muda-se para o sertão baiano onde reside por dez anos, nas margens do Rio São Francisco, trabalhando como agricultor.
     

  • 1993-2001. Escreve em jornais do interior, antologias. Trava conhecimento com poetas e artistas do sertão Oeste de Pernambuco e Bahia. É eleito por aclamação presidente da União Brasileira de Escritores, núcleo Petrolina / PE. Renuncia após quatro meses em favor do vice, poeta Aroldo Ferreira Leão.
     

  • 2002-2003. Realiza o mestrado em Geociências na UFRN. Em Natal também conclui o romance NERUEGA, escrito ao longo de doze anos.
     

  • 2003 – Premio Literário Cidade do Recife - Neruega – Menção Honrosa.
     

  • 2004 – A Companhia Máscaras de Teatro encena “Norman e o Motor da Sala” durante temporada de 3 meses no teatro MÁSCARAS no Recife antigo.
     

  • 2004 – Selecionado para trabalhar como coordenador de um programa de combate à pobreza rural, com recursos do Banco Mundial, atuando em 26 municípios do sertão pernambucano (Pajeú, Moxotó e Itaparica)

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Titian, Three Ages

 

 

 

 

 

Luis Manoel Siqueira


 

Obras publicadas:
 

  • A CIDADE DA LUZ AZUL – Romance. Recife – 1979
     

  • JAMAIS HOUVE TREVAS – Novela. Edit. Universitária.
    Recife – 1981
     

  • A ÚLTIMA VALSA – Poesia. Edições Pirata. Recife – 1980.
     

  • MIGUEL, O GATO – Poesia. Edit. Grumete. Recife – 1982
     

  • ADEUS – Romance. Bolsa Funarte. Edit. Grumete –
    Recife – 1984.
     

  • O LEÃO E A BARONESA – Romance .Edit.Universitária.
    Recife – 1992 (Prêmio Othon Bezerra de Mello - Academia Pernambucana de Letras)
     

  • A ESTÓRIA DO CAVALEIRO PERDIDO – 2003 – Editora Coqueiro e Uzyna Cultural.
     

  • Artigos em revistas, antologias, jornais: Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio (Recife), Tribuna do Sertão, Jornal da cidade, Folha Verde (Petrolina ), O PÃO (Fortaleza), Assum Preto (Internet).

     

Obras inéditas:
 

  • MANUAL DE USO DE GRAVATAS – Poesia
     

  • A IDADE DA PEDRA - novela. (Prêmio Othon Bezerra de Mello/APL - Menção honrosa - 1992)
     

  • NERUEGA - Romance.(Prêmio Cidade do Recife – Menção Honrosa- 2003)
     

  • ESTRÊLAS DE PEDRA : ACERVO HUMANO, HISTÓRICO E FOTOGRÁFICO DOS GARIMPOS DE GEMAS DO BRASIL - Ensaio.
     

  • TODAS AS JANELAS DO MUNDO - (Crônicas Sobreviventes).
     

  • A URGÊNCIA DE ANIMAR O CORAÇÃO - Poesia Reunida.
     

  • BREVIÁRIO DE HERESIAS SERTANEJAS – Contos
     

  • O ASSUM PRETO - Jornal eletrônico (Org.)

     

 

 

Herbert Draper (British, 1864-1920), A water baby

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Marília Gonçalves

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), The Picador

 

 

 

 

 

Luis Manoel Siqueira


 

Fortuna crítica:


Sobre “Norman e o Motor da Sala”


“Textos fortes, puros, definitivos. Beleza de literatura, força animal, doçura humana, tudo isso num coquetel límpido de águas e orvalhos, de suores de onças e ovelhas.”

Alberto da Cunha Melo


“Luis, querido, que texto lindo. Fiquei tão emocionada lendo Norman. Ressuma vida, beleza, poesia. Tão justo é ser encenado como ser bastante divulgado para que mais pessoas tenham acesso a tamanha delicadeza de expressão, leveza de imagens e harmonia de imagens e expressões de tanta beleza plástica. Parabéns. Posso levar uma cópia e ler para minha turma da Federal que estuda os autores contemporâneos? Gostaria de mostrar-lhes como a arte literária é algo que mexe com nossas víceras. Creio que todos amarão o seu texto como eu amei.”

Zuleide Duarte
 



Sobre “Banzai Cariri”


“Pois seu Luis Manoel Siqueira, vosmecê me pôs a chorar com essa narrativa dos seiscentos. Que coisa linda, compadre. Esse diálogo final é foda fiquei comovido. é a idade, meu querido, o cariri velho dentro d´alma a teimar com o que fui virando”.

Xico Sá
 



Sobre “NERUEGA”


“Meu caro Luis Manoel:
Esta madrugada acabei de ler o seu livro. Aquilo que lhe disse, após a leitura das primeiras páginas, posso reafirmar: você é um excelente contador de histórias. Um romancista de primeira linha. Um dos melhores desta geração. Pode crer: conheço um escritor pela simples leitura de um capítulo. Aliás, eu nem conseguiria ler tudo, se não gostasse. Neruega lê-se com agrado e interesse do começo ao fim. É um livro bem urdido. Está bem escrito. E, além disso,tem vida, tem verdade. Valoriza-o o ambiente em que a história transcorre. Você resgata um mundo desconhecido da maioria dos leitores. Um Brasil a que poucos brasileiros têm acesso.”

Maria de Lourdes Hortas
 



Sobre “O Leão e a Baronesa”


“Escrita ágil e fácil; Deparei com tipos interessantíssimos, capturados por uma escrita reveladora de um fabulador e evangelista das ruas, entre o povo.”

Sérgio Campos
 



Sobre “Jamais Houve Trevas”


“Um dos raríssimos livros que me arrepiaram durante a leitura...arrastando um leitor desconfiado e frio, como eu, de página em página, como um mágico não retórico, um grande mágico de um circo pobre...Que escritor!"

Alberto da Cunha Melo
 



Sobre “A Estória do Cavaleiro perdido”


“Querido Luis Manoel, há histórias assim na vida: como a estória de uma Luciana parada no Recife numa noite de luar a conhecer o Luís Manoel das pedras. Não sei, querido Amigo, se eu conseguirei voltar ainda a ser a Luciana do sertão, a Luciana sertaneja a quem você dedica a sua belissima estoria do cavaleiro perdido. Sei que Você com a sua poesia e a sua amizade me fiz reviver a emoção do sertão. Obrigada . Obrigada por ser meu amigo e por ser o autor deste poético canto-folhetim. Um abraço e até sempre da amiga

Luciana Stegagno Picchio
 



Sobre “A Idade da Pedra”


“Poema de coisas e de sentimentos essenciais esta Idade da Pedra que nos chega do Brasil profundo, do sertão de Pernambuco, nas asas da saudade.”

Luciana Stegagno Picchio
 



Sobre “A Cidade da Luz Azul e Jamais Houve Trevas”


“Parece-me que em ambos os livros a vida convencional é experimentada como algo fútil demais para ser suportada, e isto em todos os aspectos, inclusive no religioso.”

Fanuel Paes Barreto


“Se continuar escrevendo bonito desse jeito, entro pra sua igreja. Deus te guie, zelação!”

Luis Gonzaga - o Rei do Baião


 

 

 

Hélio Rola

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Camilo Martins Neto

 

 

 

 

 

 

 

 

Entardecer, foto de Marcus Prado

 

 

 

 

 

Luis Manoel Siqueira


 

Achados e perdidos

 

A cheia levou minha cabana de índio e carrinhos de corrida com formato de charuto. Um batalhão inteiro de soldadinhos de chumbo e a minha maleta de mágico. Desfez os vestidos bordados de minhas irmãs – vestidos que nunca mais foram usados. Elas também cresceram muito, como caberiam naquelas roupas de boneca ?

A cheia levou os enfeites de natal. Ficavam o ano inteiro dentro de uma caixa em cima do guarda-roupa. Nunca mais vi natais enfeitados como aqueles.

A cheia levou uma porção de discos que meu pai gostava de ouvir de noite enquanto a gente dormia no tapete da sala. E estragou de vez a grande radiola de válvulas “Hi-FI” com três rotações.

A cheia lavou e apagou impiedosamente todo o álbum de família, para o desespero de minha mãe. Destruiu sua coleção de revistas de culinária e sumiu de vez com os cachinhos de cabelo que ela guardava como lembrança de seus meninos de colo. Salvou-se a bússola de meu pai, e Deus sabe como, um urso e duas bonecas assustadas.

A cheia levou enxovais, madrigais, recitais no Santa Isabel, manhãs cheias de pregões pelas ruas de um Recife ainda terno e suburbano.

A cheia levou bons vizinhos, alguns amigos, e cobriu a casa inteira com um manto de lama negra, de cheiro forte, fazendo reaparecer a terrível figura do homem da campanha contra a filariose – aquele vampiro que vinha de noite tirar sangue dos dedos da gente.

A cheia levou minha irmã e suas canções que hoje, desconfio, é o vento no terraço balançando as avencas.

A cheia varreu nossas vida para bem longe e nos jogou aqui neste futuro, sem nem ao menos perguntar se gostaríamos de ficar.


Luis Manoel Siqueira
(De “TODAS AS JANELAS DO MUNDO”)


 

 

 

Valdir Rocha, Fui eu

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Sérgio Castro Pinto

 

 

13/09/2005