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Gabriel Nascente

Titian, Venus with Organist and Cupid

 

 

 

 

 

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Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Henry J. Hudson, Neaera Reading a Letter From Catallus

 

Titian, Noli me tangere

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:

Gabriel Nascente



Bio-Bibliografia


GABRIEL NASCENTE é o nome literário de Gabriel José Nascente. É de Goiânia (GO), onde nasceu a 23 de janeiro de 1950. Jornalista. Morou em São Paulo, apadrinhado pelo poeta Menotti Del Picchia. Autor de quase três dezenas de livros publicados, em sua maioria, poesia. Ex-presidente do Conselho Municipal de Cultura. Em setembro de 1978, a Academia Paraibana de Poesia lhe outorgou o título de “O Embaixador da Poesia Brasileira”. Conquistou, em 1996, um dos prêmios mais cobiçados de todo país, o "Cruz e Sousa de Literatura", de Santa Catarina, com o livro inédito de poemas A lira da lida. E obteve também outras premiações de âmbito nacional. Seu nome figura hoje em diversas antologias da poesia brasileira, inclusive em edição bilíngüe.


Obras do autor:

  • Os gatos. Ed. Cerne: Goiânia, 1966.

  • Reflexões do conflito. Ed. Oriente: Goiânia, 1970.

  • Menino de rua. Imprensa da UFG: Goiânia, 1970.

  • Viola do povo. Ed. Oriente: Goiânia, 1972.

  • Colméia de anônimos. Livraria Martins, Editora: São Paulo, 1973.

  • Um balde cheio de flores para Manuela não chorar. Ed. Oriente: Goiânia, 1974.

  • Os passageiros. Ed. Cultura Goiana: Goiânia, 1975.

  • Menestrel de rua. Ed. Oriente: Goiânia, 1976.

  • Exilados do sol. Ed. Goiás: Goiânia, 1977.

  • A nova poesia em Goiás (Antologia dos poetas goianos). Ed. Oriente: Goiânia, 1978.

  • Colheita (A voz dos inéditos). Inigraf: Goiânia, 1979.

  • Pastoral. Ed. Oriente: Goiânia, 1980.

  • Águas da meia ponte. Ed. Civilização/Brasileira/Massao Ohno: Rio de Janeiro, 1981.

  • Chão de espera. 2ª edição. Ed. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1984.

  • Crônica da manhã. Ed. da Universidade Católica de Goiás: Goiânia, 1985.

  • Madrugada nos muros. Ed. Líder: Goiânia, 1987.

  • Janelas da insônia. Ed. O Popular: Goiânia, 1988.

  • Trono de areia. 2ª edição. Ed. Líder: Goiânia, 1989.

  • A valsa dos ratos. Poemas enfeixados no livreto distribuído em campanha eleitoral. Tiragem 10 mil exemplares. Ed. Luzes: Goiânia, 1992.

  • A ponta do punhal. Gráfica Cerne: Goiânia, 1993.

  • Ventania. Fundação Cultural Pedro Ludovico, Gráfica Cerne: Goiânia, 1995.

  • Sandálias de pedra. Incursão poética ao Minimalismo. Editora Kelps: Goiânia, 1996.

  • A lira da lida. Poesia. Prêmio Nacional "Cruz e Sousa de Literatura", Florianópolis, 1996.

Outros:

  • Um dia antes de mim (novela). Ed. Da Universidade Católica de Goiás: Goiânia, 1986.

  • Sentinelas do efêmero (entrevistas literárias). Ediouro S.A, Rio de Janeiro, 1992.

Sobre o autor (livros e revistas)

  • A Poesia Goiana no Século XX (Antologia), organização, introdução e notas de Assis Brasil, volume IV da Coleção Poesia Brasileira, Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira/Imago, Rio de Janeiro, 1997. Págs. 242 a 246.

  • Poesia Sempre. Revista semestral de poesia, ano 3, número 5. Fundação Biblioteca Nacional/Departamento Nacional do Livro, fevereiro de 1995. Rio de Janeiro. Págs. 171 a 174.

  • Antologia da nova poesia brasileira. Organização, seleção, notas e apresentação de Olga Savary. Fundação Rio/RIO ARTE. Editora Hipocampo: Rio de Janeiro, 1992. Pág. 115.

  • Sincretismo - A poesia da Geração 60 (antologia). Introdução e organização de Pedro Lyra. Fundação Cultural de Fortaleza/Fundação RIO/ARTE. Editora Topbooks: Rio de Janeiro 1995. Págs. 407 a 416.

  • O livro de ouro da literatura brasileira (400 anos de história literária), Assis Brasil. Editora Tecnoprint S/A/Grupo Ediouro: Rio de Janeiro, 1980. Pág. 223.

  • Curso de madureza atual (volume de Português), Amílcar Monteiro Varanda. Livraria Martins Editora: São Paulo, 1971. Pág. 487.

  • I Concurso Nacional de Poesias Vinicius de Moraes (antologia). Editora Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 1984. Págs. 62 a 64.

  • Lauréis (antologia), volume IV, João Scortecci Editora: São Paulo, 1989. Págs. 34 a 35.

  • Poesia & crítica (antologia de textos críticos sobre a poesia de G.M.T.), Dulce Maria Viana. Secretaria de Estado da Cultura: Goiânia, 1988. Pág. 36.

  • Amigos seletos (antologia poética), Yêda Schamltz. Edições Consorciadas/UBE-Goiás: Goiânia, 1991. Pág. 54.

  • Goiânia, flor e poesia (antologia poética), organização de Vera Lúcia Gomes de Oliveira. Núcleo de Patrimônio Histórico e Artístico, Secretaria Municipal de Cultura: Goiânia, 1993. Págs. 52 a 54.

  • Diálogo poético, Luiz Contart. Ed. Líder: Goiânia, 1995. Págs. 33 a 37. Estudos literários de autores goianos, Mário Ribeiro Martins. Editora FICA: Anápolis, 1995. Págs. 635 a 639.

  • Análises e conclusões, Nelly Alves de Almeida, volume I. Editora da Universidade Católica de Goiás: Goiânia, 1985. Págs. 147 a 158.

  • Rastro literário, Coelho Vaz. Ed. Kelps: Goiânia, 1991. Págs. 45 a 46.

  • Literatura contemporânea em Goiás, Brasigóis Felício. Ed. Oriente: Goiânia, 1975. Págs. 97 a 101.

  • Súmula da literatura goiana, Augusto Goyano e Álvaro Catelan. Livraria Brasil Central Editora: Goiânia, 1970. Págs. 265 a 266.

  • Pequena história da literatura goiana (1799-1985) - para a infância e a juventude, Alaor Barbosa. Gráfica O Popular: Goiânia, 1984. Págs. 98 a 99.

  • Gente & literatura, José Mendonça Teles. Editora da UCG: Goiânia, 1983. Págs. 89 a 94.

  • Revista da Academia Brasiliense de Letras. Nº IX, Brasília, 1989. Pág. 247.

  • Revista Hispano-Americana (Del Brasil para toda a América) - Informativa-literária-diplomática-indústria e comércio Hispano Americano. Ano XX, III Época. Nº 15, Janeiro-fevereiro de 1972. Pág. 37.

  • Escrita (revista mensal de literatura). Ano I, nº 10, São Paulo, 1976. Pág. 15

  • Presença literária. Ano I, nº 4, Abril/maio/junho, João Pessoa, PB, 1984. Pág. 28.

  • Inéditos, julho-agosto. Editora Inéditos Ltda: Belo Horizonte. Págs. 3 e 49. Brasília. Ano VIII (revista de circulação nacional). Brasília, 1985. Pág. 17.

  • Mostra visual de poesia brasileira. Ano II, nº 12, novembro de 1984. Campos, RJ.

  • Revista da UBE-Goiás, nº 2. Ed. Kelps: Goiânia, 1992. Pág. 21.

  • Os navegantes (Goiás, dez anos de poesia), Brasigóis Felício. Ed. Oriente: Goiânia, 1977. Págs. 48 a 55 e 105 a 107.

  • Poema. Na contra-capa de mais de meio milhão de talonários de cheques do BEG - Banco do Estado de Goiás S.A. Goiânia, 1995.

Outras referências bibliográficas:

  • A escalada poética de Gabriel Nascente. Seleção de estudos sobre a poesia de Gabriel Nascente, organizada pelo Prof. Manuel de Jesus Oliveira. Ed. Oriente: Goiânia, 1972.

  • El Llanto de La Tierra. Seleção de poemas traduzidos para o castelhano pelo também poeta Dilermando Rocha, do Centro de Estudos Brasileiros de Buenos Aires. 1976.
     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da Vinci, La Scapigliata, detail

 

 

 

 

 

Gabriel Nascente



Aqui me tens, senhor


Aqui me tens, Senhor,
à imagem e semelhança da revolta.
O poema me faz livre da omissão e do tédio.
Quem viu a terra azul foi Gagarin. Eu não.
Eu nasci num chão proibido.
Do calvário à bomba atômica
há chagas e medo,
muito caos em meus ouvidos.

A revolta sai do fundo do meu ser
como estranha labareda.
A revolta. Não a flor do ódio.
A solidão em meu peito é vertical.
Há peixes e árvores gritando socorro!
Minha garganta é seca.
O alvo da vida
é o amor.

À imagem e semelhança da revolta,
aqui me tens, Senhor.
Fragmento de mil sombras,
minha glória é estar vivo.

Na revolta viajo
- entre pressões,
seqüestros,
assaltos -
meu grito!

Habeas-corpus para o coração
do subversivo pregado na cruz.
Habeas-corpus para a mulher
no lençol do desamor.

É isto, Senhor!
Muito antes de nascer
fui verbo no infinito.

Agora não.
Sou moço de bigode amargo,
poeta, classe média. De CPF
a diploma de Primeira Comunhão
tenho de tudo,
até um bife sangrando
á tua imagem e semelhança.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Gabriel Nascente


 

O grande banquete

I
Convidarei
Proust e Guevara
Maiakóvski e Pound,
Rilke e Rimbaud,
materialistas e teólogos
(corja de loucos, graças a Deus!)
para tomarem comigo
um porre de justiça.

Primeiro cairemos num duelo de metáforas.
Depois estrangularemos o pescoço da miséria.

Mas atenção,
de arcabuzes ninguém entra!
Ouviremos o fragor das fráguas
neste bródio universal de homens.
E no fogo de nossas taças
brindaremos o amor subversivo
de Cristo.

Entrem logo, bardos meus,
para o banquete
dos excluídos.

As basílicas do mundo
estão falidas.
Deus está no húmus,
não precisa de nascer.

Vamos chover crisântemos
nos hospitais, nas favelas,
nas marquises e nos sonhos.
Vamos saudar a humanidade
com este florido
chapéu de pássaros.

II
Dim dom bel! Dim dom bel...
todo homem é de papel.

É Natal.
Ninguém avisou a polícia
que Cristo está nas ruas.

(Diário da Manhã, 30 de dezembro de 1996)
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Triumph of Neptune

 

 

 

 

 

Gabriel Nascente



Dia do julgamento
(Para Nilo Benetti, companheiro)


EU não vim para molestar o sentimento
daqueles que perderam o caminho das lágrimas.
Nem tampouco para ulcerar a dignidade sacra
do pão sobre a mesa. Eu vim, amigo, para falar
desta ferramenta fundamental que é a vida,
destes olhos naufragados na rebelião de um pranto,
da tristeza sem fim de minha mãe
que toma remédio de hora em hora,
do cansaço comprido de seus olhos
pedindo sossego pro mundo —
sobretudo, amigo, para falar
do regresso imponderável de todas as manhãs
da estrela magnífica que clareia
como espuma
nos olhos da lavadeira,
daqueles que trabalham com os mortos
e sabem de cor a numeração das lágrimas,
dos que constroem apartamentos
e dormem em camas de zinco,
dos que tiram fotografias
ao lado dos políticos,
da poesia, sobretudo da poesia,
que é mais forte que um boi
na canga de seu ofício,
da poesia
que é mais vulgar
que um beijo no prostíbulo
da poesia
que cancela o desespero
que maltrata o sofrimento
que proclama a paz
da poesia
que navega em nosso corpo
como um grito numa mansão deserta
da poesia
que é mais bela
que um trem na mata
da poesia
que é mais bela
que um cantil cheio d'água
da poesia
sobretudo da poesia,
que é como a presença de um rio
entrando pela noite dos escombros,
— ave muito clara, ternura,
deixa-me morrer
entre as estrelas.

(Viola do povo, págs. 15 e 16, 1972)


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Nurture of Bacchus

 

 

 

 

 

Gabriel Nascente



 

Soares,
 

Psi, a Penúltima — sua poesia me deu um coice, tremi nos tornozelos; foi como se voltasse ao tempo da pura poesia! Gabriel NascenteÉ livro para ser ler de videira. Pode até ser da Idade Média, mas com gosto de anjo na gandaia!

Obrigadíssimo, Soares Feitosa, por teres arrebatado o gigantismo do teu estro na cantante galáxia de Psi, a Penúltima, que jorra poesia aos borbotões da terra inócua, azul de sofrimentos. 

Fico de vigília torcendo para que sua poesia, de esplêndido cunho e veio de agruras e salsa do sertão inunde esse nosso insípido solo de batráquios engravatados.
 

Gabriel Nascente 
 

 

 

 

 

 

05/07/2006