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Edmilson Caminha 

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Riviere Briton, 1840-1920, UK, Una e o leão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Alguma notícia do autor:

  • Bio - bibliografia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vidula Sawant

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Slave market

 

 

 

 

 

 

 

Andreas Achenbach, Germany (1815 - 1910), A Fishing Boat

 

 

 

 

 

Edmilson Caminha


 

Psi, a penúltima


Grato pela gentileza com que me mandou Psi, a Penúltima, acompanhado da fortuna crítica que já o recomenda como uma das grandes obras da literatura brasileira contemporânea: a crítica de Wilson Martins vale por um prêmio. A sua poesia é daqueles ventos que, de uma hora para outra, varrem a soalheira em que se prostrar o sertão do Nordeste e fazem girar no olho do redemunho poeiras e folhos, espinhos e gravetos, sopro de vida a reanimar homens e bichos, plantas e coisas.

Quando a criação literária parece tocar a depressão que anuncia as grandes ondas, eis que surge a voz de um cearense para encher de força e de beleza a nossa poesia. Com Psi, a Penúltima, você alcança por direitos, o seletíssimo grupo em que se encontram Francisco Carvalho, Manoel de Barros e outros grandes nomes do verso brasileiro.

 

Soares Feitosa, 2003

Leia Psi, a penúltima,
de Soares Feitosa


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Andreas Achenbach, Germany (1815 - 1910), A Fishing Boat

 

 

 

 

 

Edmilson Caminha


 

Francisco Carvalho na glória dos oitenta

 

Entre as muitas “comemorações literárias” de 2007, destacam-se os 80 anos, completados em 11 de junho, de Francisco Carvalho, cuja obra engrandece a poesia cearense e honra a literatura brasileira. De 1966, com “Dimensão das Coisas”, a 2004, com os poemas escolhidos das “Memórias do Espantalho”, são quatro décadas de criação da melhor qualidade, nacionalmente reconhecida em 1982, quando o Prêmio Nestlé de Literatura saiu para “Quadrante Solar”. Tímido, não foi o poeta a São Paulo, receber as homenagens a que tinha direito: achou por bem continuar em Fortaleza, na rotina modesta de secretário do Conselho Universitário da UFC.

No centenário da publicação de “Dom Casmurro”, tomou Carvalho como desafio o soneto do qual Bentinho não faz mais do que o primeiro verso (“Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!”) e o derradeiro (“Ganha-se a vida, perde-se a batalha”). E compôs não apenas um, mas dez sonetos primorosos, bela homenagem à sedutora Capitu do romance de Machado. Repudia, porém, a etiqueta de sonetista, “uma das muitas palavras obscenas da língua portuguesa”, como afirmou um dia. Prefere ver-se por lente mais incomum: “Toda grande poesia tem alguma relação dialética com o silêncio. O homem pode até conviver com o ruído feroz das sociedades tecnológicas. Mas terá de recolher-se ao silêncio para se reencontrar consigo mesmo, com a sua interioridade.”

Essa, talvez, a explicação da silenciosa homenagem com que a imprensa de Fortaleza comemorou os 80 anos de Francisco Carvalho. Pouco importa: lembrado ou não, Francisco Carvalho é um grande, um luminoso poeta, cuja obra nos enche de beleza e emoção. Como escreveu Machado de Assis, “essa a glória que fica, eleva, honra e consola”.

 

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