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Luiz Bello 

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Titian, Three Ages

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia :


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Alguma notícia do autor:

 

Luiz Bello

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Michelangelo, 1475-1564, David, detalhe

 

Henry J. Hudson, Neaera Reading a Letter From Catallus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thomas Colle,  The Return, 1837

Luiz Bello


 

Biografia
 

Luiz Pinto d'Albuquerque Bello, carioca, jornalista profissional, escritor, tradutor. Curso de Jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia. Prêmios de melhor reportagem do ano atribuídos pela Associação Brasileira de Rádio e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro. Ex-Redator de "O Jornal", "Última Hora" e "O Globo", no Rio. Autor de dois ensaios de natureza social, uma pesquisa histórica e um romance. Prefere que o chamem de poeta bissexto a que o dimensionem como poeta menor. Sempre esquece de mencionar sua data de nascimento, para diminuir pelo menos um pouco os pontos negativos do seu curricullum vitae. [janeiro de 2001]
 

Endereço Postal:

Rua Alberoni Lemos, 233
64035-780 - Teresina, PI
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Franz Xaver Winterhalter. Portrait of Mme. Rimsky-Korsakova, detail

Luiz Bello



@MOR VIRTU@L


Meu nome é Lya – disse – e não sou gente.
Fui gerada na mente de outra Ly@
E de um certo Lubell, rapaz alegre,
Um sonhador, sentimental, poeta.

Poeta também sou. Posso cantar
Os amores que somos, ele, ela,
A ebulição implícita no @mor
E o feixe de emoções de que sou feita.

Nasci adulta, nunca fui criança..
Surgi um dia entre o Lubell e a Ly@,
Combustão espontânea, cerebral,
Centelha de ignição do @mor virtu@l..

Seu tom de voz tão firme e comedido,
Desenhou um retrato de si mesma:
Sou moderna, sou jovem, sou bonita,
Da Ly@ sou a imagem e semelhança,

Cabelos negros, lábios bem vermelhos
Contrastando com a face muito clara.
Largos quadris, cintura de pilão
Que agradeço ao bom gosto do Lubell.

Comecei entre dois computadores,
Numa troca de e-mails entre o Lubell
E a eloqüência da Lya@, os criadores
Da primeira donzela imaginária.

Hoje sou parte ativa no processo
De um amor que se cria e se repete.
Gente que nunca se viu, conversa e ama
Seus interlocutores na Internet.

Eis aí, em resumo, a febre atual,
Amor de “chat “, ou seja, @mor virtu@l...
 

   

 

Leonardo da Vinci, Embrião

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Micheliny Verunschk

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ingres, 1780-1867, La Grande Odalisque

Luiz Bello


 

Geografia


A mulher que hoje chegasse à minha vida
Tomaria os tesouros que amealho
Nas noites de vigília.
Jóias de sons, palavras e sussurros
Murmúrios e interjeições inconfundíveis
Calados no silêncio
Da solidão que a todos emudece.
A mulher que hoje chegasse à minha vida
Tomaria as riquezas espalhadas
Na minha geografia.
Rios onde flutuam meus desejos,
Cascatas de onde despenham meus carinhos,
Montanhas de ternura.
E a cordilheira de um amor sincero,
Onde reside, como um dom dos deuses.
A glória das mulheres.
A mulher que hoje chegasse à minha vida
Estancaria minhas melhores lágrimas
Com o milagre emocional de sua nudez,
Pagando com centelhas de si mesma
O triunfo carnal de cada êxtase.
 

   

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), Admiration Maternelle

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Vicente Franz Cecim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da Vinci, La Scapigliata, detail

Luiz Bello



Os nomes das rosas


O instinto me dera a voz melodiosa,
A música para cantar meus sentimentos.
E agora me arrebata como o vento.
A esperança mais doce e calorosa.

Tirei da minha voz os nomes das rosas,
Que pareciam eternos no momento.
Mas que, por falta de amor, levou-os a brisa
E minha festa pareceu tediosa.

Receio emudecer todos os dias.
Os frutos de minha voz disseram tanto
E continuam a dizer, que certas horas

Quase não ouço o eco do meu canto.
Minha voz quase emudece e o espanto,
O tédio da solidão enche-me os dias.

   

 

Da Vinci, Cabeça de mulher, estudo

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Clotilde Tavares

 

 

 

 

 

 

 

 

Alessandro Allori, 1535-1607, Vênus e Cupido

Luiz Bello



Caudal


No princípio era o Tudo, era a Inocência,
Murmurando sua límpida lascívia
Em segredos de tímida insurgência.

Das nascentes de um rio de ternura
Às cataratas da paixão sem freios,
Acumulamos culpas e ousadias.

Dos sussurros de tímida luxúria
Que segredamos no primeiro abraço,
Tua face mudou, tornou-se rubra,
Aquecendo meu corpo em tua febre.

Hoje me inspiras versos obscenos,
Salivando em meus lábios teus venenos,
Fórmulas plenas de animalidade
Para orgasmos que durem a eternidade.
 

   

 

Da Vinci, Madona Litta_detalhe.jpg

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Secchin

 

 

 

 

 

 

 

 

Caravagio, Tentação de São Tomé, detalhe

Luiz Bello



Eu


Dois mistérios repousam em minha mente,
Unidos no episódio de uma vida,
Ela própria um mistério
Em sua origem.

Olho o céu estrelado sobre mim
E Kant me assegura que sou dois:
Fragmento animado de algum astro
E centelha perdida de algum deus.

Quem me fez, decidiu que, além de ser,
Eu tivesse a virtude da razão,
Guardando dentro de mim as leis morais

À espera do dia em que meu corpo
Ficará no planeta de onde é
E a razão voltará para o Infinito.
 

   

 

Da Vinci, Homem vitruviano

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R Roldan-Roldan