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Valdir Rocha 

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Poussin, The Exposition of Moses

 


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Valdir Rocha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Albrecht Dürer, Mãos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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José Castello

 

 

 

ESCUTEM SEU NOME         

 

Em um poema de Floriano Martins, "Rastro", esbarro em um verso que me derruba: "_ Esta é a única obra. Escutem seu nome". O poema está em "O sol e as sombras" (Editora Pantemporâneo, 2014), livro trabalhado em parceria com as mãos vigorosas do artista Valdir Rocha. As reproduções das gravuras em metal de Valdir são atordoantes e conferem ainda mais potência à frase que leio. 

          O livro se abre com uma epígrafe iluminadora do espanhol Francisco de Goya: "Na natureza existem tão poucas cores quanto linhas, só existem o sol e as sombras. Dá-me um pedaço de carvão e eu te darei o quadro mais belo". Tudo, no livro, conflui para um mergulho radical em si. Tudo conflui para o verso de Floriano _ ele, também, simples e forte.

          Eu o repito, para ter certeza de que ele existe: "_ Esta é a única obra. Escutem seu nome". O verso vem em itálico, o que tanto pode indicar a fala de um personagem obscuro, como uma citação. Mas citação de quem? Não importa _ o verso se fecha em si mesmo e nos sacode. Nos arrasta. Ele resume, de modo impactante, o segredo da própria criação.

          Lembra Goya que na natureza existem poucas coisas realmente valiosas e que, por isso, devemos nos aferrar ao pouco que temos. Precisamos nos agarrar ao que somos _ ao próprio nome _ ou nada mais se sustenta. Essa parece ser a sina de artistas e escritores: sustentar uma assinatura. As máximas contemporâneas afirmam que "o autor morreu", mas para os artistas verdadeiros isso não passa de uma afirmação leviana.

          Precipitada e perigosa, já que pode matar (ainda que metaforicamente) o que um artista é. Pode emudecer uma voz. E de que mais trata um nome senão de uma voz que nos designa? Que nos devolve a nós mesmos? Ter um nome _ o que é muito diferente de ter uma identidade renomada _: eis tudo o que um artista quer. Tudo o que um artista (um escritor) persegue. Tudo o que o mantém respirando.

          O mesmo poema, "Rastro", abre com outros versos fortes: "O lugar de ser de cada letra,/ a oração convertida em pérola/ que nos decifra em fatias". A palavra pérola _ eis o nome, ao que só se chega depois de um longo percurso de volta a si. Voltar a si é muito mais difícil do que avançar, ou transformar-se. Em outras palavras: para um artista, voltar a si é o verdadeiro avanço, é a verdadeira transformação. 

          Transformar-se em si mesmo _ o que parece simples é o mais difícil. Ainda Floriano: "O mundo é uma fábula,/ até que nos descobrimos/ o personagem de sua saga". O personagem de si mesmo. Ao lado do poema, um imenso rosto, com os olhos arregalados, nos encara. Figura, mais do que nunca, silenciosa. Seus olhos bastam. 

          A arte de Valdir Rocha dialoga em silêncio com as palavras do poeta. Esse olhar intenso e imenso, voltado mais para dentro do que para fora, é aquele que um artista abre para, enfim, chegar a si mesmo. Refere-se, ainda, ao espanto que todo artista experimenta quando, depois de muita luta, chega ao próprio nome.

 

http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/posts/2015/03/04/escutem-seu-nome-561658.asp

4.3.2015

 

 

 

Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um esboço de Leonardo da Vinci

   
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

Valdir Rocha



Bio-Bibliografia


Valdir de Oliveira Rocha, sexto de sete filhos de Euclydes e Verginia nasceu em casa, assistido por parteira, aos 6 de agosto de 1951, na cidade de São Paulo, onde vive. Escultor, pintor, desenhista e gravador, dedica-se às artes plásticas desde 1967. É autodidata. Casou-se com Lídia, em 1978, e tem dois filhos, Denise e Francisco.

Em sua obra, destaca-se os seguintes livros:

  • Mentiras, verdades-meias & casos veros (São Paulo, Escrituras, 1994)

  • Intimidades transvistas (São Paulo, Escrituras, 1996)

  • Fui eu (São Paulo, Escrituras, 1998)

  • Valdir Rocha - Xilogravuras (São Paulo, Escrituras, 2001)

  • Cabeças (São Paulo, Arte Aplicada, 2002)

  • Gravuras em metal (São Paulo, Artemeios, 2002)

 

 

 

Hélio Rola

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Helena Armond

 

 

16/12/2005