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Izacyl Guimarães Ferreira

 

higefe@uol.com.br

John William Godward (British, 1861-1922), Belleza Pompeiana, detail
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edna Menezes

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Vera Queiroz

Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


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Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Culpa

Izacyl Guimarães Ferreira

 

Atividades atuais (2010):

Escreve, traduz e comenta poesia.

Edita a revista LB Revista da Literatura Brasileira, com o apoio de Marcus Vinicius Quiroga no Rio e Betty Vidigal em São Paulo.

Parceria do PEN Clube do Brasil com o Grupo Editorial Scortecci,

LB: continua a obra de Aluysio Mendonça Sampaio que a criou e a editou de 1998 até 2008.


 

Atividades anteriores:

De 2000 a 2009 foi dirigente da UBE de São Paulo, editando de 2004 a 2009 o portal da entidade e a revista “O Escritor” (sequência do jornal de mesmo nome) então com capas de escritores em retratos de Portinari.

Para a UBE coordenou 3 concursos em parceria com oGrupo Editorial Scortecci, para inéditos em poesia, ficção e ensaio.

Anteriormente, foi adido cultural e diretor de centros culturais para o Itamaraty no Uruguai, na Costa Rica e na Colombia, entre 1984 e 1999. Antes, de 1953 a 1983 foi publicitário em agências no Brasil e no exterior e na Rede Globo (marketing na TV e direção da Globo Vídeo, empresa que criou para as novas mídias da Rede).


 

Obras:  

  • Discurso urbano  Scortecci, 2007, capa de Telmo, Prêmio ABL de poesia da Academia Brasileira de Letras, Posfácio de Reynaldo Valinho Alvarez.

  • A conversação,  Scortecci, 2008, Prefácio de Lêdo Ivo.

  • Antologia poética, Topbooks, 2009  Capa de Portinari. Apresentações de Alberto da Costa  Costa e Silva e Ivan Junqueira.

  • Na duração da matéria  Scortecci, 2010, Prefácio de Affonso Romano de Sant´Anna.

  • Os Endereços – Edições Hipocampo, 1953. Ilustração de Telmo. Ganhador do Prêmio Hipocampo - Diário Carioca, para estreantes, evento que encerrou a série da prensa manual de Geir Campos e Thiago de Mello, destinada a bibliófilos e subscritores, que incluiu grandes nomes da poesia brasileira.

  • A Curto Prazo – Martins, 1970. Capa de Armando Moura. Menção Honrosa do Prêmio Governador do Estado de São Paulo em 1969.

  • Iniciação – Lastri, 1972, para subscritores. Capa de Aldemir Martins, ilustrações de Tóssan.

  • Os Fatos Fictícios – LR Editores, 1980. Obra reunida, inclui os anteriores e os inéditos Escalas, Declaração de Bens, Retrato Falado, Em Outras Palavras.

  • Aula Mínima (Fichas para Paulo Freire) - Norte, 1987. Edição restrita, para distribuição pessoal.

  • Memória da Guerra – Scortecci, 1991

  • Entre os Meus Semelhantes – Scortecci, 1994

  • Passar a Voz – Scortecci, 1996

  • E vou e vamos, águas emendadas – Scortecci, 1998, finalista do Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.

  • Ocupação dos Sentidos – Scortecci, 2001. Menção Honrosa do júri internacional da Casa de las Américas, Cuba, 1999

  • Memória da Guerra – 2a. edição aumentada, Scortecci, 2002

  • Uma Cidade – Scortecci, 2003. Edição fora de comércio, em comemoração dos 50 anos da estréia em livro do autor.

  • Outras publicações em revistas e jornais do Brasil e do exterior, tais como O Estado de São Paulo, Correio da Manhã, O Escritor, Panorama, Linguagem Viva, Poesia para todos, Literatura, entre as brasileiras, e as estrangeiras Plural e Archipélago (México), Graphito (Costa Rica), Revista da Casa de Poesía Silva e Ophelia (Colombia) El Pais e Hermes Criollo (Uruguai). E ainda algumas antologias como as organizadas por Alberto da Costa e Silva (Poesia Brasileira Contemporânea, Lisboa, 1961),Ricardo Ramos Os Sonetos, 1982), Nilto Maciel (Girto, logo existo, 1992). Editou, fora de comércio, em formatos especiais, “17 Bissextos Inéditos de Renato de Pinho”, em 1977, e “Vôo Interdito”, de Elsy Guimarães, este um trabalho gráfico realizado por Jarbas José de Souza e Eduardo Bacigalupo, em 1982. Ambas edições, impressas na Lastri, foram ilustradas pelo gravador Telmo de Jesus Pereira, Prêmio de Viagem à Europa pelo Salão da Escola Nacional de Belas Artes, do Rio de Janeiro.


 

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Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

 

 

 

 

Izacyl Guimarães Ferreira

 

 

 

 

Leituras críticas:

 

 

Geir Campos"...O simples fato de possuir alguém um jeito pessoal de expressar-se implica na existência de uma comunicação individualíssima a fazer.../ Passagens de alta beleza e de estilo apuradíssimo.../ poemas que nos sacudiram e comoveram."

Geir Campos (1953)
 


Thiago de Mello


"Tenho uma grande honra de ter lançado pelas Edições Hipocampo o primeiro livro de Paulo Mendes Campos e o de Izacyl Guimarães Ferreira. Esses dois poetas inéditos, celebrados pela crítica e pelos leitores, foram lançados por nós."

Thiago de Mello (1996)
 


 

“Este livro (Os Endereços) coloca seu autor comodamente entre os melhores poetas de sua geração”

Hélcio Martins (1954)
 


 

“Conceituoso, conhecedor de sua arte, pesquisador, espírito de intensa vida interior, de forte acento dramático.”

Homero Silveira (1971)

 


Érico Veríssimo


Um poeta que tem voz própria e sabe usar seu idioma com economia e precisão, fazendo-o servir à poesia..."

Érico Veríssimo (1971)
 

 


 

"Sua inventividade no uso da linguagem higieniza as palavras, tornando-as claras e vigorosas. No início era o verbo: Iniciação"

Decio Diniz Drummond (1972)
 


 

"... um poeta sem pressa, para ser lido e relido pausadamente."

Aloísio Branco (1981)
 


Abgar Renault


Páginas inesquecíveis pelos motivos utilizados, pela qualidade da expressão e pela amargura de sua atualidade.

Abgar Renault (1991)
 


 

Substantiva porque essencial...sua poesia procura o centro dos fatos. Nada ao acaso, nada que seja possível dispensar."

Ricardo Ramos (1980)
 


Jorge Medauar


"Entre os meus semelhantes é um dos melhores livros de poemas deste país".

Jorge Medauar (1994)
 

 


 

"Mais uma vez me defronto com uma obra de alta consciência literária, de profundo teor humanístico."

Samuel Penido (1994)
 


 

Entre um lirismo amoroso sem qualquer espécie de derramamento e um lirismo mais meditativo... Izacyl é um poeta que se estabelece nesse livro ( Ocupação dos sentidos ) pelo trabalho consciente com as palavras.

Sandro Ornellas (2000)

 



Valoramos en esta obra la tensión dramática, el sentido mágico de las cosas y de la existencia. Un poeta de rica interioridad, que piensa en imágenes y nos da su exploración en lenguaje coloquial.


Gastón Figueira (1987)

 


 

La vocación del orden está refrendada por su manera de ver el mundo: no las cosas fundentes, sino “a clara disciplina dos objetos”. Sus desripciones recrean los objetos, com un lenguaje que aspira a la exactitud.

Juan Antonio Vasco (1983)
 


Amanda Berenguer, Banda Hispânica


Su poesía entre la transparencia y la concreción,de trabajos sutiles con la palabra precisa y su halo inquietante.”

Amanda Berenguer (1987)
 

 


 

"Lector de este libro ( Passar a Voz), sépalo ahora, sépalo desde ya, como con Hojas de Hierba, del gran Walt: quien toca este libro toca a un hombre".

Washington Benavides (1996)

 


 

 

                                 Sobre a “Antologia Poética”,de 2009

 

“Uma poesia na qual se expressam as inquietações do pensamento - assim   poderia ser caracterizada a maior parte da poesia de Izacyl Guimarães   Ferreira..Uma poesia pensada e, por isso, contida e até mesmo, algumas vezes, severa. Que busca a entender o que nos chega do mundo e o refaz em beleza.” Alberto da Costa e Silva (Prefácio da edição da Topbooks).


 

“...poeta extraordinariamente bem nutrido como todo grande poeta e muito   mais: inteligência métrica, austeridade vocabular,lirismo autêntico e comovido... ritmo seguro e controlado...enfim,uma admirável adequação entre o   que e o como da expressão verbal,coisa muito rara na poesia que hoje se escreve entre nós.”  Ivan Junqueira (Orelhas da edição)


 

“Neste poema Izacyl Guimarães Ferreira alcança o mais alto patamar de sua longa, discreta e paciente trajetória poética. / A conversação é um longo poema íntegro...obra de madureza e plenitude. / O poeta fala simultaneamente a si mesmo e de si mesmo: ao outro e aos outros homens. ...Toda conversação é uma dádiva.” Lêdo Ivo  (Apresentação de “A conversação”, de 2008).


 

 

 

Sobre  “Discurso urbano”,de 2007

 

Tendo vivido a maior parte da vida fora do Brasil...continua a ser um   poeta lido e admirado principalmente por poetas. Ao premiar este livro   a Academia...fará justiça a uma obra que é um exemplo do que se pode  alcançar ao unir a  inspiração ao rigor.” Carlos Nejar, Antonio Carlos

Secchin, Alberto da Costa e Silva (Parecer da Academia Brasileira de Letras ao conceder o Prêmio ABL de Poesia a esse livro, 2008)


 

 

Discurso urbano alcança um nível que poucos entre nós atingiram,seja pela concisão,seja pela riqueza da linguagem,seja ainda pelo timbre personalíssimo de sua dicção.São 50 poemas,por assim dizer,antológicos.”

                             Ivan Junqueira (2007)


 

“Esse é um projeto poético original,redondo e competente, falando em diversos níveis.Não é exatamente biografia nem memorialismo,é um vôo real & imaginário sobre o visível e o invisível das experiências urbanas...Conferindo fidelidade a seu projeto poético esse livro dá ainda mais consistência à sua

trajetória.” Affonso Romano de Sant´Anna (2007)


  

“Rigorosa e bela a construção desse Discurso urbano,em perfeitas décimas decassilábicas com todos os versos rimando homofonicamente em a. Uma façanha.”  Anderson Braga Horta (2007)


 

“... fundamental sua percepção das cidades apoiar-se sempre na clave estética; afinal elas são autênticas obras de arte coletiva.”

                                   Astrid Cabral (2007)


 

“ Há uma correspondência íntima entre conteúdo e forma nesse livro; os poemas se organizam como casas,prédios,quarteirões ou bairros das cidades dos homens,vistas aqui tanto sincrônica quanto diacronicamente...poemas (que) dão a impressão de terem sido sentidos mas sobretudo pensados,sem que este segundo esmague o primeiro.Isso é raro em poesia,pois é difícil conciliar as

duas coisas.” Vera Lúcia de Oliveira (2007)


 

“Agora é curtir a poesia urbana de Izacyl Guimarães Ferreira, poeta do trovar claro,amante apologético da civilização,da cultura e da liberdade. Noutras palavras,da cidade e de sua melhor poesia.” Levi Ferrari (2007)


 

“A visão do autor não cede ao otimismo ingênuo,não se fecha à contemplação de uma realidade que...chega a ser de uma brutalidade dolorosa./ O poeta assume-se como celebrante da vida(nesta) arquitetura de quinhentos versos (de seu) Discurso urbano.Nada como a força da palavra... para mover a mente e o coração humanos.”  Reynaldo Valinho Alvarez (2007)


  

Sobre o livro “Os endereços”, Prêmio Hipocampo/Diário Carioca para estreantes, encerrando em 1953 as Edições Hipocampo,série de livros de luxo, para 100 bibliófilos, impressos manualmente por Geir Campos e Thiago de Mello.

 

 

“O simples fato de possuir alguém um jeito pessoal de expressar-se implica na existência de uma  comunicação individualíssima a fazer.../Passagens  de  alta  beleza  e  de  estilo  apuradíssimo.../ poemas que nos sacudiram e comoveram."  Geir Campos (1953, parecer à premiação.)


 

“Alguém que tem realmente alguma coisa a dizer e que sabe dizê-lo de maneira própria,sobre ser poética”(1953,parecer à premiação) Tenho  uma  grande  honra  de ter  lançado  pelas  Edições  Hipocampo o primeiro livro de Paulo Mendes  Campos e o de Izacyl Guimarães Ferreira.Esses dois poetas  inéditos, celebrados pela crítica e pelos leitores, foram lançados por nós." (1996)  Thiago de Mello         


                        

“Este livro coloca seu autor comodamente entre os melhores poetas de sua  geração”.  Helcio Martins  (1954)         


                          

 

Sobre a obra reunida (1953-1980) sob o título “Os fatos fictícios”

 

 

“Substantiva  porque  essencial... sua  poesia procura o centro dos fatos. Nada ao acaso, nada que seja possível dispensar. Com as armas de sua elaborada técnica,um rigor e um apuro formais que, afirmativos, repelem o comum e o encantatório.” Ricardo Ramos (1980)


 

"Seu caminho processou-se sempre no sentido da adesão às coisas, ao concreto, e do apego à exatidão vocabular.Um  poeta  sem  pressa, para  ser  lido e relido pausadamente." Aloísio Branco (1981)


 

“Este livro se insere entres nossas grandes obras poéticas. Sua poesia vem carregada de vida...e sempre o verso na cadência quente da realidade, no sopro certo da inteligência.”  Henrique Novak (1981)


 

“Conceituoso, conhecedor de sua arte, pesquisador, espírito de intensa vida interior, de forte acento dramático./ Este é um poeta, isto é poesia.” Homero Silveira (1971, sobre A curto prazo)

 


 “Um  poeta  que  tem  voz  própria e sabe  usar  seu  idioma  com  economia e precisão, fazendo-o  servir  à  poesia..." Érico Veríssimo (1971, sobre A curto prazo))


 

"Sua  inventividade no uso da linguagem higieniza as palavras, tornando-as claras  e vigorosas. No início era o verbo: Iniciação Decio Diniz Drummond  (1972)


 

“Páginas inesquecíveis pelos motivos utilizados, pela qualidade da expressão e pela amargura de sua atualidade.” Abgar Renault (1991, sobre Memória da guerra)

 


 

"Mais  uma  vez  me  defronto  com  uma  obra de  alta  consciência  literária, de  profundo  teor  humanístico./ A ótica do poeta é a mais universal possível; no desenvolvimento do tema ela jamais perde a perspectiva histórica. A linguagem do autor é direta, fluente,e o mais importante: sem transbordamentos.”  Samuel Penido (1991 e2002, sobre as duas edições de Memória da guerra)


 

Entre os meus semelhantes é um dos melhores livros de poemas  deste  país". Jorge Medauar (1994)


 

Passar a voz”, severo e magnífico livro de quem dignifica a palavra escrita”. Julieta de Godoy Ladeira (1996)


                                     

E vou e vamos, águas emendadas”,verbo maduro e denso,depurado e comovente de significado humano”. James Amado (1998)


 

“Entre um lirismo amoroso sem qualquer espécie de derramamento e um lirismo mais meditativo... Izacyl é um poeta que se estabelece nesse livro(Ocupação dos sentidos) pelo trabalho consciente com as palavras.” Sandro Ornellas( 2000)


 

Ocupação dos sentidos,poesia densa,de timbre pessoal,e à vontade tanto nos versos livres quanto em métrica e formas fixas”. Antonio Carlos Secchin (2002)

 


 

“Mesmo quando seu lirismo se mostra meditativo,a presença dos sentidos, sua adesão ao real,o impelem para a concreção da linguagem,pois é no trato cuidadoso da palavra que sua poesia se plasma”.       Renato de Pinho (2004, sobre Uma cidade)


 

“La vocación del orden está refrendada por su manera de ver el mundo: no las cosas fundentes, sino “a clara disciplina dos objetos”.Sus descripciones recrean los objetos y la realidad com un lenguaje que aspira a la exactitud.”  Juan Antonio Vasco  (1983, sobre Os fatos fictícios)


                         

“Valoramos en esta obra la tensión dramática, el sentido mágico de las cosas y de la existencia. Un poeta de rica interioridad, que piensa en  imágenes y nos da su exploración en lenguaje coloquial.

Gastón Figueira (1987 sobre Os fatos fictícios)


 

“Su poesía entre la transparencia y la concreción,de trabajos sutiles con la palabra precisa y su halo inquietante./ Poesía despojada hasta la <ficha>... poesía que habita una intemporal dimensión que recorre el mundo de la escritura de Izacyl Guimarães Ferreira.” Amanda Berenguer (1987 e 2005)


 

"Lector de este libro (Passar a Voz), sépalo ahora, sépalo desde ya, como con  Hojas de Hierba, del  gran  Walt: quien toca este libro toca a un hombre".  Washington Benavides (1996)

 

 

 

Edna Menezes

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Elizabeth Marinheiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Winterhalter Franz Xavier, Alemanha, Florinda

Izacyl Guimarães Ferreira

 

Invenção, mestria e moda

 

São famosos, ou já sovados até, os conceitos de Ezra Pound com os quais classifica poetas e escritores de modo geral. Leia-se seu ABC of reading, de que há tradução: ABC da literatura”, pela Cultrix.

 Não temos que concordar com Pound mas sua classificação é inteligente, útil e foi muito utilizada entre nós, sobretudo por autores que se propunham revolucionar nossa poesia. Sigamos um pouco o pensamento de Pound.

Na busca do que chama “os elementos puros em literatura”, ele conclui que há 6 tipos de escritores: inventores, mestres, diluidores, bons escritores sem maiores qualidades, beletristas e lançadores de moda.

Creio que das 6 categorias, 3 são centrais: inventores, mestres e modistas. Porque a grande maioria é das outras 3: os bons, os diluidores e os beletristas. Por que destaco 3? Porque são, repito, centrais enquanto atitude fazedora, extremas enquanto definidoras de caminhos.

Inventor é em suma o criador de um processo, um modo, ou uma forma. Quem mostra o primeiro exemplo conhecido de um processo. Mas podemos, creio, ampliar a idéia de processo para forma, modo, uma dicção enfim.

Mestre seria o que leva processos, modos etc., a um alto grau de realização. Ou seja: Mestre é quem dá ou mantém o padrão de uma língua e uma literatura, estabelece seu cânone. Usemos a palavra clássico,  para caracterizar o que é permanente, o que é contemporâneo, eterno, o de sempre.

Modista é o que se crê inventor. Em geral faz manifestos, se diz de vanguarda, faz-se um iconoclasta, um destruidor, mas que nada constrói de duradouro. Já dizia Chanel que arte é o feio que se torna belo e moda o oposto - o belo que logo é feio. 

São pouquíssimos os inventores. Limitando-nos ao Brasil, só uma meia dúzia e não necessariamente os melhores da língua. Entre os inventores arrisco-me a citar Gregório de Matos, pela sátira desabrida e bem feita (o fazer é fundamental, sempre), um Swift tropical. Augusto dos Anjos, pelos temas e por sua linguagem, dando sopro diferente ao soneto. No século XX, só vejo João Cabral, para muitos, menos inventor que mestre.

A meu ver, o tão comentado anti-lirismo, o não-personalismo de João Crabral reinventam a poesia brasileira. É um inventor que se faz mestre. Bem aprendida, sua lição pode e tem dado frutos. Basta não ser imitado, pois se imitado o imitador vira figura de pouca ou nula importância, se querem, um diluidor.

Seriam invenção o concretismo e a práxis? Seriam? Mas Pound lembra que a invenção não garante qualidade… Se a invenção pressupõe a seqüência da mestria de outros autores, vejo baldio o terreno “inventado”. Seriam só modas, como foram o poema piada, o marginalismo, as variantes tecnológicas das chamadas poesia visual, cinética, etc? É uma questão aberta ao gosto, só?

Devemos esperar que o tampo as decante, estas invenções? 

Seguindo: o novo é de fato a categoria a celebrar, a exaltar? Devemos esperar mais ainda para ver se o novo resistirá ao teste do tempo? Concretismo, práxis etc são invenções de meio século já, aparentemente esgotadas, como seus manifestos diziam esgotado o verso. De suas invenções não teriam saído mestres: alguns bons escritores, quando muito uma indagação estética sobre os limites da poesia. 

A moda é intrinsecamente efêmera. Não só na roupa, claro, ou no desenho de carros, casas, móveis, nosso entorno. Também é efêmera, e quanto! , nas artes e nas letras. E é por aí que se perdem aqueles diluidores dos inventores e dos mestres. Como os beletristas, esses atentos ao mercado.

Os que Pound chama de bons escritores sem maiores qualidades duram bastante mais, porque são bons, e permanecem até que grandes mudanças de gosto e de divulgação ocorram: são lidos, formando o centro quase imóvel da literatura. Seriam exemplos os românticos em prosa e verso de todas as literaturas.

Já lembrou Borges que toda literatura requer rupturas, para não se transformar em mesmice e perder interesse como arte, perder leitores, futuro.

Mas rupturas têm de ser renovadoras, mais que vogas ou modas, que é o caminho mais curto para a vala comum dos esquecidos.

O importante, a meu ver, é a mestria. Importantes então são os mestres. Os que incorporam processos, não só do presente mas também do passado, e os recriam num dizer pessoal que alcança o leitor e o faz parceiro na durabilidade do texto. Fixam padrão, cânones. Não para serem imitados. Para servirem de horizonte, meta, desafio. 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Izacyl Guimarães Ferreira

 

 

Fronteiras da poesia

 

                                   

Alguns anos atrás, ouvi diplomata brasileiro, responsável pelo setor cultural de uma embaixada, pronunciar esta frase: “a melhor poesia que se faz no Brasil, hoje, é a da nossa música popular”.  

Fosse opinião sem o peso de seu cargo, a afirmação passaria em branco, no vazio. Mas estava a emitir em público uma visão quase “oficial”, e equivocada. Anos 80 e algo, quase 90. E uma simples consulta ao que se escrevia na época revelaria não só o engano conceitual como o desconhecimento da nossa produção poética de meio século. 

O equívoco já era moeda corrente naqueles anos, graças às boas letras de uma nova geração que aparecera nos anos 50 a 70, ao poder da mídia, a certo distanciamento da melhor poesia que se fazia quieta e era abafada pelo estardalhaço orquestrado nas salas de aula e nos suplementos literários por aquelas “vanguardas”, que  apadrinharam os letristas, criando-se a vertente chamada “poesia musical”. (O interessante é ver que os bons letristas fizeram carreira enquanto os poetas e teóricos “de ponta” mudaram de estética ou a viram definhar por inconsistência, por inconseqüência.) 

Sei que piso terreno minado ao discordar dessa visão superficial e eivada de confusão entre entretenimento- por melhor que ele seja - e cultura, mas proponho uma simples distinção, ao dizer que poesia é o que se faz e se lê ou se ouve sem outro amparo que o do texto, é o que se faz através do verso. Escrita e leitura feita para dentro, em silêncio, ouvido sonoro que pode ser dito. Ou naquele “barulho ao sopro da leitura”, na feliz expressão de Ferreira Gullar.

O resto está na fronteira, no que  vulgarmente se considera e se diz que é “poético” – seja uma crônica em prosa, boa e mais que boa excelente prosa, como a dos textos de Luis Fernando Veríssimo, Rubem Braga, Fernando Sabino e outros deste porte. Ou muitos dos numerosos trechos de Guimarães Rosa, Clarice Lispector ou qualquer grande nome de ficcionista, em português ou outra língua.

Um quadro, uma ária de ópera, até um crepúsculo será “poético”.

Todas estas manifestações culturais ou naturais emocionam, mas não são poesia. Bandeira dizia que há poesia em tudo, mas sabia o que dizia e essa “poesia em tudo” era o que venho dizendo: aquele universal “poético” que atribuímos ao que nos emociona. Coisas e manifestações que estão na fronteira de uma arte específica.

Estão na fronteira como aquelas vanguardas já arquivadas, modas que passaram, ou certas variações adjetivadas – “poesia visual”, “cinética”, etc. Na fronteira as muitas e muitas vezes belas letras de música, de Noel Rosa a Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso, de Orestes Barbosa até nosso Vinícius de Moares. Ou Bob Dylan, esparso Lennon ou McCartney.

 Como em certa boa música, a ocupar o espaço entre a popular e a de concerto, já nos dizia o excelente Radamés Gnatalli, tais textos ocupam as amplas fronteiras dos gêneros que se aproximam, ora pela forma, ora pela intenção do autor. Ele, Radamés, que mudou o som da música popular com seus arranjos, fez também, e muita, música de concerto. Belíssima. E forjou esse conceito de fronteira.

Em que estariam os extraordinários Gerswin, Nazaré, Pixinguinha, Gismonti, Piazzola. (Os quais, diga-se de passo, transitam bastante pelas fronteiras dos gêneros.)

No território em frente, Bach, Mozart, Beethoven, Brahms, Ravel, Bartok, Villa-Lobos.

Voltando a textos, não esqueçamos o teatro em versos de tantas épocas, inclusive a nossa: outro gênero, o dramático, composto para um palco, a voz dos atores, a platéia. Pensemos ainda nos inspirados cantadores de feira, nos desafios, na riqueza dessa poesia popular que tem raízes seculares. Outro gênero. Como a oração, a reza. Ou as cantigas de roda.

É de gênero que se trata. Por mais que os tempos mudem e mesclem limites, e haja há anos poema em prosa, conto lírico, crônica em verso, letra de samba, rock e rap, romance verdade, sem precisarmos normatizar academicamente a criação disto ou daquilo, acredito que alguma distinção parece ser bem-vinda e necessária.

Na música popular, como na ópera, o essencial é a música, ou se quisermos, letra e música se procuram ou vêm juntas. São palavras que pertencem à história da música, não à história da literatura.

Em poesia, a música é bem outra, é a da própria palavra, seu ritmo, seu contexto. Prescinde da dicção em geral ou quase sempre retórica dos declamadores. Prescinde também do usual acompanhamento de violão ou piano dos saraus e tertúlias. Podem até ser enriquecedoras experiências, tais leituras. Mas a poesia, per se, dispensa tudo isto. É palavra lida ou dita em silêncio, sozinha, puro texto, essencialmente, diferencialmente.

São gêneros distintos, a letra e o verso, a canção e a poesia . Aquela, por mais bela e escrita com as medidas típicas da poesia, é parte de algo a completar-se. Poderá, se desconhecemos ou esquecemos esse algo, a música, valer como poema. Texto na fronteira da poesia, que pode ser e é cruzada sem qualquer constrangimento. Entretanto, são distintos seus terrenos, nos lados dessa tortuosa linha divisória.

Sem nenhum desmerecimento a macular qualquer desses gêneros a que me referi, tudo o que proponho é que não os confundamos sob a expressão “poesia”. Entremos, se preciso, reitero, na linguagem popular e usemos “poético” para qualificar isso ou aquilo. Mas reservemos “poesia” para o que ela é – texto escrito, em versos, independentes de qualquer suporte ou acompanhamento, qualquer adjetivo, indefeso ali no papel.

Lembrarão alguns que no começo dos começos a poesia era cantada, era a hora dos rapsodos. Era a hora da oratura e do analfabetismo, das culturas ágrafas. Primórdios estupendos, mas que o avançar dos recursos culturais veio transformando ao longo dos séculos. 

Considerada a linguagem das linguagens por mais de um estudioso de literatura, a ponto mesmo de distinguir-se poeta de escritor, até mesmo poesia de literatura, à poesia estaria reservada uma área de criação, invenção, nomeação, fora do alcance da fala diária e da prosa – esse dizer que se apoiaria na razão. O que se propõe para a poesia é essa “reserva” que sequer é de mercado ou privilégio.

A natureza do verso, com suas regras, se é tradicional ou moderno, branco ou rimado etc, será consideração à parte. Assim a definição universal, unânime, do que seja poesia, ilha que o leitor habitual reconhece e vê cercada de um oceano de palavras definidoras entre marés de verbetes aproximativos, variáveis estéticas. Quando não dessa confusão básica que mistura artes, como se a única medida fosse a criatividade dos autores.

Será talvez pela dificuldade de precisar, cientificamente e sem erro sua essência, que confundem poesia com o que se lhe assemelha. 

E nem de longe se trata de separar o popular do “erudito” ou o que os adeptos da igualdade chamam de cultura “oficial”. Muito mais: cabe não esquecer que há versos populares, de canção ou de feira, muito melhores que os publicados em livros de “poetas” literatos.

Reitero: é de gênero que se trata. Por mais mesclados que eles se mostrem hoje, nas letras como nas artes, é preciso diferenciar as expressões, separar as formas.

Em poesia, no princípio era, é, está o verso. Seguido de outro, em direção ao poema, texto a capela.