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Novidades da semana
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Página atualizada em 15.9.2000
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Henrique Northfleet Neto
Square de Leopoldville, 17/B10
B1040 Bruxelas Bélgica
henrique.northfleet@chello.be
Uma notícia do autor (set/2000)
Poesia
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Henrique Northfleet Neto
Square de Leopoldville, 17/B10
B1040 Bruxelas Bélgica
henrique.northfleet@chello.be
A TRAMA DO IRRACIONAL*

é por isso que nos procuram vivos,
atormentados pelo vento e pela neblina,
por semos aéreos.

é por isso que nos descobrem zumbis,
cobertos pelo barro e pelas raizes profundas,
por sermos terrestres.

é por isso que nos encontram mortos,
envoltos por algas e corais petrificados,
por sermos marinhos.

é por isso que nos veneram, seres
possuidos por espíritos e adormecidos no etéreo,
por sermos deuses.
ancoradouro,
tormenta,
túmulo ,
súplica.

é por isso que nos culpam e nos crivam de dor,
por nada sermos realmente,
nem água,
nem ar,
nem terra,
nem fogo,
mas destino,
incerteza
e solidão.


* Poemar (1986)
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Henrique Northfleet Neto
Square de Leopoldville, 17/B10
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henrique.northfleet@chello.be
 JULIA*

disse-me uma fada que o amor não se acaba.

é o grande espelho onde nos vemos
e vemos aos outros
e vemos nós-mesmos
ao lado dos outros
caminhando por esta vida,
pela vida de um-a-ser-ele-mesmo
e de outros-a-serem-eles-mesmos
e que mesmo quando feito em infinitos pedaços,
 - como um antigo espelho
que vai se quebrando aos poucos
e perdendo sua prata
pelos solavancos da vida -
espalhado é que ele nos mostra
o seu mais verdadeiro reflexo.

e basta a gente por os pés descalços
e vagar numa tarde fria pela praia,
para encontrar todas as peças,
deste sempre-estranho-quebra-cabeças,
voltando a ser areia fina
bolindo com os nossos dedos.

* Andarilho (1999)
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Henrique Northfleet Neto
Square de Leopoldville, 17/B10
B1040 Bruxelas Bélgica
henrique.northfleet@chello.be
 TRÊS ESPAÇOS*

tens estado me escutando,
tens me visto por teus olhos,
por teus olhos...
não me engano,
não te iludo,
não percorro o tempo (atrás de uma lembrança)
não desisto...

tens me dilacerado o corpo
quase morto...
não me imagino,
não te descubro,
não destruo o abandono (das minhas mãos no teu corpo)
não resisto...
tendo a mente desperta (deserta)
me desminto,
o que sinto...
sintoma súbito,
sólida subtração de uma parte de mim,
teu sorriso (teu desgosto)
e a vida
matando
tudo.


* Da Terra e de outros Elementos (1979)
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Henrique Northfleet Neto
Square de Leopoldville, 17/B10
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henrique.northfleet@chello.be
CORAÇÃO, CORAÇÃO,
ME CANTA UMA CANÇÃO
(novo refrão para cai, cai, balão)*

poemas são resmungos da alma,
poetas velhos caducos
ou crianças cantando seus sonhos?

quando então o esquecimento
toma conta de tudo,
por que é que se lutou tanto?
quando a perda está na natureza das coisas,
por que é que se coleciona 
uma arca cheia de bugigangas?

tive uma arca cheia de bugigangas,
nomes, bússolas e um pouco de areia do mar.

tudo misturado com a algaravia
das aves do porto e o cheiro de suor dos amantes.

perdi sua chave, porém, enquanto corria
para buscar
meu
destino.


* Europa Blues (1995)
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Henrique Northfleet Neto
Square de Leopoldville, 17/B10
B1040 Bruxelas Bélgica
henrique.northfleet@chello.be
SERENÔ
(para uma cantiga de ninar)*

a noite serenô,
vagarinho serenô...
depois o sol (pequeno) se dividiu
entre duas nuvens
e fez uma gota d'água deslizar
na vidraça do quarto dela.

seria a lágrima
que lhe escorreria no rosto
e beijaria seus lábios entreabertos.

e ela então serenô,
vagarinho serenô...
e, de pequena que era, como pequena fugiu através do raio de sol
e foi morar nas nuvens
e fez-se gota d'água
e morreu translúcida, bem longe,
distante dos meus olhos,
dividida em sete cores,
sem sorriso e sem paixão...
serenando caiu ao chão
e alimentou a semente
de uma flor qu'ia nascer.

serenô nos lábios dela,
serenô dentro a minh'alma
e c'outra calma,
serenô o sol pequeno,
que fez surgir um novo dia
e serenar no nosso mundo,
serenar noss'alegria,
serenô um nosso amor,
vagarinho serenô...


* Verdes (1972)
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Henrique Northfleet Neto
Square de Leopoldville, 17/B10
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henrique.northfleet@chello.be
Estas poesias foram esculpidas na pedra dura da vida 
por um portoalegrense (RS) nascido aos 22.03.1952.
  • Curioso, teve sorte de ser alfabetizado, formado em química, doutorado na Alemanha, ex-professor da UFRGS, enxadrista amador (apaixonado), divorciado, recasado, quatro filhos, sobremesa preferida: o quindim.
  • Escreveu já muito e pouco (pois a vida não é tão linear como se imagina). Sintético, além das poesias, prefere o conto como forma de expressão literária (coletâneas: Aquela rua sem nome - 1985, Manuela - 1988, A grande arapuca - 1994, ainda não publicadas).
  • Nunca participou de concursos, achando que o que vem da alma é de posse coletiva e, também, de apreciação espontânea, como as borboletas que Mario Quintana espetava nas folhas dos seus livros. 
  • As coletâneas de poesia, que ai estão denunciadas (com ano de compilação), estão-ainda-impublicadas.


Dedico estas páginas ao aprendiz de poeta:
Caio Northfleet, meu-filho-mais-velho, pelas muitas pedras que ele ainda terá que esculpir.

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