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Irineu Volpato 

Thomas Colle,  The Return, 1837

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Poesia :


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Soares Feitosa, dez anos

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), Reflexion

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

Irineu Volpato


 

Biografia


Irineu Volpato, já consumindo os 70, nasceu em terras de roça nuns morredos Paraíso, somados a Piracicaba. Por isso não me estranhem quando constante me digo de Ressaca, Caiapiá, Ponta do Morro, Araquá, que era um corguinho altivo, mas semvergonhosamente vadio, sua nascida em Cuvitinga, eitava por Santa Júlia, cortava Vila Estação, navegava entre terras cujos nomes ainda acho me lembro. E doutras plagas também que vizinhavam ali onde.

E como tantos curiosos da sorte também eu vim catar beiras, que aís sobravam na vida. E não passo reclamo do tanto que essa vida doou-me, que aprendi saber-me exato de quanto cabia e era meu.

Botei uns filhos na vida, bonitos (eta coruja !) pra não de mim reclamarem. Me andei por uns ofícios, que sustiveram meu sendo, me garantiram uns depois . Me despedi de patrões, mas quem se despede do trampo ? Catei meu picuá de sonhos que tinha largado atrás e meti-me literato, com meu jeitão revezado e fui espiando a vida, naqueles cantinhos amoitados que poucos cuidam catar. Somei uns livrinhos lavrados com títulos de arrepiar, quase um poema inteiro (que sempre assim pensei – se não me lerem os poemas, pelo menos a resenha no título vão ter que engulir de ler). E de entremeio brinquei com uns amigos de França, do México, do Paraguai (me esquecia da Argentina), ah, também duma Itália, de traduzi-los, traduzirem-me.

E pra me completar literato vim recolher-me de só, em beira rabeira de estrada, que emenda duas cidades neste Estado de São Paulo (Piracicaba-Santa Bárbara). Propriamente na roça, mas com suas facilidades cidades de luz, telefone na casa, mas com todo o quieto o do mato, com passarinhos e seus cantos,cães e curiangos em noites e arrebois de chorar.

Não tenho E-Mail nem site, prefiro o preto no branco escorrendo no papel. Amo as cartas em que toco com devoção de oração.
 


Endereço do autor:


Rua Otávio Angolini, 235 - Cruzeiro
CEP: 13459-040
Santa Bárbara d‘ Oeste - SP
Brasil
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Morte de César, detalhe

Irineu Volpato


 

Quando pedras não são pedras
 

Quando Pedras não são pedras
mas Delfos Atenas
Olímpia Epidauro Micenas
criancie coração insuspeitado
à espreita
que barro de teus pés
irá sangrando descobertas
-margem de caminhos já sem pressa
colheita de migalhas
vésperas morrer perplexidades

(in Poiéladas)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Frederic Leighton (British, 1830-1896), Antigona,detail

Irineu Volpato



Neblina suja paisagem
 

Neblina suja paisagem
cidade fosca se esconde
fundida fissuras sarcasmos
Em suicídio de vozes
maré surdina e silêncio
mata-se dia enredado
atravessado de horas
empoçando-se na tarde

(in Quondam)

 

   

 

Alexander Ivanov. Priam Asking Achilles to Return Hector's Body

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Francisco Brennand

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ingres, 1780-1867, La Grande Odalisque

Irineu Volpato


 

Foi nos silêncios ocasos
 

Foi nos silêncios ocasos
Guardando Tamanduateí
em que navegavam vozes
de lembranças logo ali
que vida velhaca e o velho
sorriram das mágoas idas
e que tempo iria punir

(in Paulistarum...)

 

   

 

Henry J. Hudson, Neaera Reading a Letter From Catallus

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Helena Armond

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Alessandro Allori, 1535-1607, Vênus e Cupido

Irineu Volpato



Serra penteava-se moça
 

Serra penteava-se moça
de azuis entardecidos
estacionada no espanto
 
Dentro de mim era um resto
como comigo estivesse
metade dor e silêncio
 
Deitado sombra de ausência
arregalado uma esmola
corando saudade póstuma
feri-me de desalguém
 
Ah tirar-me esse silêncio
de ferida ida brincando
me sair do nunca mais
desse resto me queimando

(in Variavereda)

 

   

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), Mignon Pensive

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Foed Castro Chammas

 

 

 

24/08/2005