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Silas Corrêa Leite

poesilas@terra.com.br

Poussin, The Judgment of Solomon

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


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Silas Correa Leite

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da Vinci, Cabeça de mulher, estudo

 

Albrecht Dürer, Mãos

 

 

 

 

 

 

 

Da Vinci, La Scapigliata, detail

 

 

 

 

 

Silas Corrêa Leite


 

Bio-bibliografia:


 

Silas Correa Leite é autor de um vasto material ainda inédito, de romances a trabalhos sobre a Prática Educacional Vivenciada, poesia para jovens, coletânea de contos de realismo fantástico e outros, ele conta, com a eloqüência que lhe é peculiar, que pensa em traduzir seus trabalhos e tentar lançá-los no exterior, como fez com sucesso Ignácio de Loyola Brandão. Mas, sua versatilidade não pára por aí. " Componho rocks, alas & blues, tenho pesquisas sobre Ética e Cidadania da Comunidade Carente e trabalhos para o público infanto-juvenil". Silas é membro da UBE-União Brasileira de Escritores. " Sou uma espécie de " plantador de sonhos", um "inventor do inexistente", eterno aprendiz da alma humana, sonhando um neosocialismo de resultados. " Escrevo para não ficar louco, ou melhor, para livrar-me do que crio, feito um "Sentidor", para citar Clarice Lispector. A poesia que produzo é a oxigenação da minha alma", ele diz.. Ele se define como " um Rimbaud pós-moderno (antena da época) que não acredita em sonho que não seja libertação, e registra para o futuro esses tempos tenebrosos de primatas globalizando a miséria absoluta e a violência sem fronteira, num país continental de muito ouro e pouco pão. Acredito, também, que só a mulher pode mudar o mundo. Como nem sempre elas captam funcionalmente isso, prefiro escrever meu despojo insano para dar meu testemunho nessa difícil lição da viagem de Existir".


Silas colabora com diversos Suplementos Culturais, jornais, revistas e tablóides, com artigos, resenhas críticas, poemas, microcontos, trabalhos sobre "teens", Educação, Política, Terceira Idade, Ética e outros temas. Dentro do Mapa Cultural Paulista (Secretaria de Estado de Governo), foi escolhido por dois anos, representando Itararé, como um dos dez melhores contistas do Estado São Paulo.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Silas Corrêa Leite


 

Processo
Para Nelson Werneck Sodré


Eu estou sendo processado
Por dizer que um corrupto e ladrão é corrupto e ladrão
E o ladrão pode ganhar a causa

Eu estou sendo processado
Mas ele pode ser ladrão de quadrilhas e máfias liberais
Mas alguém dizer que ele é não

Eu estou sendo processado
Por dizer explicitamente o que jamais poderia ser dito
A justiça viça essa aberração

Eu estou sendo processado
Devia acreditar que ser ladrão pode e dizer que é não
Mas eis a triste interpretação

...............................................

O poeta inocente condenado
O ladrão confiando no “status de sítio” da justiça
E ainda com sentença de impunidade transitado em julgado


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Silas Corrêa Leite


 

Receita da verdadeira mulher

Parafraseando Vinicius de Moraes (In Memoriam)


As mulheres belas que me perdoem, mas
Inteligência é fundamental. É necessário
Que haja qualidade no amor e na flor
Não só a estética vazia, a beleza lambida e mais nada.


Quero a mulher para antes, depois e durante
Não a elegantérrima vestida para consumo de néscios
Ou para a inutilidade do efêmero ou rococó
Mulher porta-jóias que abre a boca e só sai confete de [frivolidades.


É preciso que a mulher reflita por si mesma
Saiba de receitas e açúcares – De revoluções e ogivas
De lírios selvagens e livros – E de contentezas líricas
Porque mulher inteligente tem alto astral e mulher infeliz tem focos mal resolvidos de baixa estima e depressão com neuras.


Eu desejo a mulher-pássaro pelo vôo altivo dela
Não pela cor do rouge de ki-suco com a alma vazia
Quero a mulher que seja ponte, asa e saiba
De Brecht a Bethoven, de Silvia Plath às Minas do Rei Salomão.


Mulher sofisticada e boba com rímel? Deus-me-livre!
Mulher que só tem nádegas e não tem cérebro?
Não: quero mulher de paz e amor, de idéias e de curativos [siderais
Que tenha a temperatura sagracial de trilhas humanas, muito além das lágrimas de liquidificadores.


As mais belas flores são colhidas primeiro
Se a mulher for bonita no conjunto do kit básico alem do sangue [cênico
Terá volume de coxas mas não pode ser vazia de sonhos [impossíveis
Valerá mais pela pensão alimentícia do que pelo pacto secreto de amor e de morte.


Que Vinicius me perdoa a pegajenta confissão
Mas a inteligência no conjunto é essencial
Quero a mulher turbinada na cotação guerrilha
Não a de axilas raspadas mas com pele gessy.


Quero a mulher perfumada na sua essência natural
Que a faz mulher-bandeira, Rita Lee, Heloisa Helena
Não a boneca cobiçada que um brucutu faz andaime
Mas a que tenha passaporte de vivências e grau de lucidez para o que der e vier.


Quero a mulher Joana D´Arc, Leila Diniz, Hilda Hist, Clarice [Lispector
Não a bonitinha mas ordinária
Se tiver ternura, encanto, inteligência e cultura então
Será a receita certa de musa inspiradora e dona do meu [coração.


Beleza não põe a mesa
Inteligência você funda um casal
E cria cósmica descendência.


Mulher inteligente é a minha, naturalmente
Se não fosse minha
Não seria inteligente.


Até porque, certamente
Quem conquista a sedução da gente
É para sempre...


Silas Corrêa Leite
poesilas@terra.com.br
www.itarare.com.br/silas.htm


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

 

 

 

 

Silas Corrêa Leite

 


Clarice Lispector (Trinta Anos de Mortevida)

 

Clarice Lispector era triste na sua libertação por palavras

Pois era inacabada como um parafuso sem roscas ou fenda

E era triste como Sylvia Plath, Hilda Hist ou Joan Baez

Porque tinha pertencimentos de desventuras feito peixe

 

Clarice Lispector era selvagem como um lustre clandestino

Tinha lá sua porção esconderijo de porões a sótãos

E escrevia como um liquidificador trucidando ojerizas

Á vida, ao horror da vida; talvez até a ela mesma

 

Clarice Lispector via coisas que nenhuma alma sã via

Porque ela sentia e captava como um mata-borrão

Então escrevia cenários - de cloacas a horizontes

Até porque o húmus do mundo é um calvário letral

 

Clarice Lispector punha a alma nau no cuorador

E apanhava sentenças de destilar seu vinho-verbo

Tinha intimidades com o espírito que ronda o abismo

Era estrangeira de si mesma e por isso se desnu-dava

 

.................................................................

 

Clarice Lispector punha tensões nos seus paradigmas

E se ensaboava vítrea na outra realidade advinhada

Era uma vida substituta dela própria ao se escrever

Que ao substituir-se desagregava a agonia e o êxtase

 

Deus tenha piedade

De Clarice Lispector

Assim na terra como no céu

Em seu inferno particular

De escrever a íntima paleta silencial

 

 

Cecília Quadros

 

Augusto dos Anjos

 

 

 

 

 

 

 

10/09/2007