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Gláucia Lemos

glaucia-lemos@uol.com.br

Poussin, Rinaldo e Armida

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Contos:


Alguma notícia da autora:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Franz Xaver Winterhalter. Portrait of Mme. Rimsky-Korsakova. 1864.

 

Franz Xavier Winterhalter, retrato de Roza Potocka

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Nurture of Bacchus

 

 

 

 

 

Gláucia Lemos


 

Bio-bibliografia


Gláucia Lemos, baiana da capital, graduada em Direito, pós-graduada em Crítica de Arte. Dedica-se à literatura e ao jornalismo. 27 títulos na praça. 3 romances premiados. Mais prosadora que poeta, poesia publicada: só um livro de poesia infantil, O Cão Azul, em 2a. edição na Ed. Formato. 17 infanto-juvenis adotados em escolas de 1º grau. Nome de rua na 2a. Feira Internacional do Livro na Bahia, em 1999. Membro da UBE-SP e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

Gláucia Lemos


 

Cúmplice


Queda-te em teu silêncio.
Entre meus dedos,
o tempo é mel perdido.
Espero o tempo escrito no degredo.

Tua face de marfim e medo
tenho, a escutar a ti mesmo
ouvido no meu peito.

Guarda-me sob os lençóis das tuas pálpebras,
quanto te recolho em fragmentos
quanto assim de ti me acrescento,
a render-me ao silêncio preciso
aqui,
onde só tu és possível.
 

 

 

 

Michelangelo, 1475-1564, David, detalhe

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Ildásio Tavares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Gláucia Lemos


 

Os barcos da tarde


Vede os barcos que ficaram solitários

quando os ventos passaram
são como o corpo das mulheres sozinhas
quando passaram os tempos das esperas.

Não tocai nessas velas!
Não tocai!
São como os seios das mulheres castas
pulsando inutilmente
Vão tocai!
Vede como são mortos esses barcos,
como morrem em silêncio essas mulheres!
 

 

 

 

Titian, Noli me tangere

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Adail Sobral

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Triumph of Neptune

 

 

 

 

 

Gláucia Lemos


 

Porções


sou feita de terra e nuvem
desta varanda amarela
faço versos e olho a rua.

Ao céu cresce o meu pedaço
nuvens, bruma, sonho, espaço
como em tempos ancestrais.

Andando na terra nua
vai minha porção mulher
a mesma que as cordilheiras
viram em onças e ovelhas
desde antes de mim, de ti,
e de tudo o que sabemos.

Enquanto em palavras canto
meu espanto
que é tamanho
ante a turba, a bala, a morte,
ante os mistérios da vida
e os sonhos de um paraíso,
entrevejo temerosa,
como chuva na varanda
no pó que pisam meus dedos,
a minha porção mulher.

Deisa suores dos joelhos,
do seu dorso, dos seus seios,
do seu corpo em exaustão.

Deixa um hálito cansado
de lembranças empaladas
do que ontem se esperou
dos mofos de uma verdade.

Pés de mulher, carne-viva,
muito sangrados no chão.


 

 

 

Ticiano, Flora

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Batista de Lima

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Thomas Cole (1801-1848), The Voyage of Life: Youth

 

 

 

 

 

Gláucia Lemos


 

Poema para um instante


Surpreendente é amor
brincando no olhar
brisa tremulando em canteiro
de miosótis.

Xale de luar de lua cheia
estremecendo nas águas.

Lúdico mesmo é o olhar
brincando de amor
aventura de criança jogando
um jogo de armar.

Mágico tirando da cartola
pombos e flores de papel crepom.

Encantamento é a presença
iluminando a porta
é alguém à espera
com um sol entre os lábios.

 

 

 

Ticiano, O amor sagrafo e o profano, detalhe

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Raymundo Silveira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entardecer, foto de Marcus Prado

 

 

 

 

 

Gláucia Lemos



Poema para o atormentado silêncio


Que rei me colherá deste silêncio
depois que escondi dentro dos meus cofres
as chagas que se pejam de mostrar?

Que sons comoverão os meus ouvidos
depois que cortei as falas aos pastores
e recuei minha melhor orquestra?

Que lábios semearão na minha boca
sementes mentirosas como as tuas
sabores de groselha e de absinto?

Que espinhos forrarão mais outra estrada
pra quem neste silêncio atormentado
não poderá jamais deixar de ir?

Ah.. quem guardará minhas respostas
depois que me neguei a procurá-las?...
 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), The Pipelighter

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Marselino Botelho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Consummatum est Jerusalem

 

 

 

 

 

Gláucia Lemos


 

Lagar
(Ao poeta Luis Antonio Cajazeira Ramos)


Quando eu não for mais que um barco
de timoneiro ausente
onde um cais?

Quando estiver à deriva
jogo noturno de vagas
onde a praia?

Quando leme sem forma
ruturas no capricho de vento
quem a mão?

Quando não mais que barco

Quem alguém?

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Cleópatra ante César

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Fábio Rocha

 

 

14/11/2005