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Fernando Py

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Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


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Fonte: Site Novasaquarema

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Allan Banks, USA, Hanna

 

Leonardo da Vinci,  Study of hands

 

 

 

 

 

 

 

 

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

Fernando Py


 

Bio-Bibliografia


Fernando Py nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 13 de junho de 1935. Formado em Direito, é colunista literário (Diário de Petrópolis) e tradutor. Publicou, entre outros: Aurora de vidro, Livraria São José, Rio de Janeiro, 1962; Vozes do corpo, Editora Fontana, Rio de Janeiro, 1981; Chão da crítica, Francisco Alves, Rio de Janeiro, 1984; e Antiuniverso, Sette Letras, Rio de Janeiro, 1994.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rinaldo e Armida

 

 

 

 

 

Fernando Py


 

Indagações

A Leonardo Fróes
 


De argila e de sangue
somos feitos. Não mais
que a imponderável ânsia
de ascender ao divino
transportando conosco
este fardo humano
de organismo imperfeito.

De suor e de lágrimas
nos tornamos. Quanto
esperamos saber
em nossa ignorância
no intuito de voar
à excelsa plenitude
do espírito supremo?

Quem nos formou? Quem
imaginou e fez
energia e matéria,
todo o Universo
que vemos e sabemos
e os demais mundos todos
que jamais saberemos?

Deixamos o que sabemos
— e o mais que desconhecemos —
aos que depois a terra
habitarem: esses homens
futuros que ignoramos
e mal podemos pressentir
pelo que hoje apresentamos.

Aonde vamos? Aonde
repousará nossa alma
a contínua indagação
que nos eleva além
de simples animais?

Em que páramos finais
existe nossa redenção?

 

 

 

Herbert Draper (British, 1864-1920), A water baby

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Elaine Pauvolid

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Fernando Py


 

Encontro


A antiga namorada
ressurgindo na rua
você enxovalhado
cabelo e barba por fazer
vida de sacrifício
meio se esconde
e ela passa
ainda jovem
talvez mais bonita
mais mulher
bem tratada
vestido caro
você recorda
o primeiro beijo
aquela paixão eterna
o baile de formatura
a profissão abandonada
vai levando nos olhos
o tipo mignon
que outros braços
e beijos
farão vibrar
recorda
poemas que lhe fez
o livro de estréia
tão pobre e tão longe
tão dela impregnado

sente-se velho
acabado
saudade da juventude
mas foi a sua opção
os filhos de outra mulher
a literatura
vida tão avessa
assume
e na volta da esquina
desaparece
a antiga namorada.

 

 

 

Hélio Rola

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Eloí Elisabeet Bocheco

 

 

 

 

 

 

 

 

Goya, Maja Desnuda

 

 

 

 

 

Fernando Py



Cave Canem



Aviso bem-humorado
na fachada das casas de Pompéia.

Mudam-se os tempos, mudam-se os desígnios
e o aviso permanece
curiosidade arqueológica do pai
na fachada de minha casa.

Porém hoje mais certo seria
poupar os cães desse cuidado
e escrever à entrada
de toda casa toda cidade todo país
mesmo na caixa-alta do itálico latim
CAVE HOMINES
 

 

 

 

Franz Xaver Winterhalter. Yeda

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Rita Brennand

 

 

 

 

 

 

 

 

Titian, Venus with Organist and Cupid

 

 

 

 

 

Fernando Py



Soares Feitosa, um canto geral de cultura e civilização
 

 

Réquiem em Sol da Tarde, de Soares Feitosa: o mínimo que se pode falar acerca desse livro é que é grandemente criativo. O poeta parece exsudar sua poesia naturalmente, como um rio brota do olho d’água minúsculo no seio da terra. 

E, como a água do rio, cresce e se avoluma, não raro se encorpando com outras águas que se lhe ajuntam; o poeta igualmente faz crescer sua poesia, torna-a caudalosa, com a incorporação de textos outros, com o desenvolvimento do seu estro, semeado de sua erudição, tudo concorrendo para um conjunto maciço, onde a criatividade gráfica vai de par com a criação poética propriamente dita. 

Soares Feitosa não se contenta com apenas expor os versos no papel; desenha-os, dá às palavras por vezes uma feição gráfica diversa, muito afim daquilo que elas expressam. Por outro lado, sua veia caudalosa, verdadeiro cântico, exige um discurso substancioso, seu canto não se limita, é muitas vezes incontido, sem quaisquer peias, solto na página, solto na imaginação, de natureza totalizante, um poema que busca na terra, nas raízes de sua gente, telúrico e social, os motivos mais lídimos de sua expressão. 

Caudaloso e popular, erudito e bem atualizado quanto às últimas conquistas da informática, bem merece o epíteto de poesia épica, já que é um canto geral de cultura e civilização. A poesia de Soares Feitosa vem, neste fim de século, lançar uma luz de esperança na poesia brasileira do próximo milênio. 


Vale!

 

 

 

 

Valdir Rocha, Fui eu

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Elizabeth Marinheiro

 

 

11.1.2008