Mais de 3.000 poetas e críticos de lusofonia!

Aricy Curvello

curvello.vix@terra.com.br

Poussin, The Judgment of Solomon

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Cleópatra ante César

 

Franz Xaver Winterhalter. Yeda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Goya, Antonia Zarate, detalhe

 

 

 

 

 

Aricy Curvello


 

Bio-bibliografia:

 

Uberlândia, MG, aos 7 de Maio de 1945. Poeta, ensaista e tradutor. Durante a ditadura militar sofreu prisões e perseguições. Participou intensamente de publicações e movimentos literários em Minas, Rio, S. Paulo e outros Estados. Seu livro de estréia (Os Dias Selvagens te Ensinam, 1979) teve muito boa acolhida pelos críticos como Fábio Lucas, Fritz Teixeira de Sales, Edgard G. da Matta Machado, Hermann Reipert, Waldemar Cavalcanti, José Afrânio Moreira Duarte, Fernando Py, Ascendino Leite, Roberto Goto. Mencionado no Catálogo de Imprensa Alternativa, organizado por Leila Míccolis (Rio Arte, Secretaria de Cultura de Rio de Janeiro, 1986). Viveu vários anos no Rio de Janeiro e Niterói. Desde 1980, sócio da União Brasileira de Escritores (São Paulo). Em 1998 ligou-se ao Projeto Cultural Sur, o que o levou a Havana. Correspondente no Brasil da revista literária portuguesa Anto. Também integra o Conselho Editorial de Literatura - Revista do Escritor Brasileiro, de Brasília. Reside hoje em Jacaraípe, Serra, na costa do Estado do Espírito Santo.

Livros de poesia: Os Dias Selvagens te Ensinam (1979); Vida Fu(n)dida (1982); Mais que os Nomes do Nada (1996). A sair: Viver para Viver. Integra várias importantes antologias nacionais de poesia como, entre outras: Cem Poemas Brasileiros (S. Paulo: Vertente, 1980); Brasília na Poesia Brasileira (org. de Joanyr de Oliveira, Rio/ Brasília:Cátedra/INL,1982); Poesia Mineira no Século XX (org. de Assis Brasil, Rio: Imago, 1998). Tem poemas publicados em espanhol, francês, inglês e sueco. É um dos 45 poetas brasileiros que integram a antologia publicada em Portugal na revista Anto n.3 (1998, por subsídio do Minist. da Cultura de Portugal/Instituto Português do Livro e das Bibliotecas), em pré-comemoração dos 500 anos do Descobrimento.

Lança ao final de 1999 Uilcon Pereira no coração dos Boatos (biografia, bibliografia, fortuna crítica e coletânea de ensaios e artigos sobre a obra de Uilcon Pereira, romancista e contista de vanguarda falecido em 1996). No mesmo ano coordena a antologia Poesia de Brasil, com 28 poetas brasileiros e dois poetas estrangeiros convidados (o português Fernando Aguiar e o cubano Virgilio López Lemus), em Espanhol, a ser lançada em Havana, em fevereiro de 2000, na Feira Internacional do Livro de Cuba.

Verbete em: Enciclopédia de Literatura Brasileira (MEC/Fename) de Afrânio Coutinho; Dicionário Biobliográfico de Escritores Brasileiros Contemporâneos (Antão Neto, 1998 e 1999).

 

Desta que ao volume 25 da coleção "50 MELHORES POEMAS ESCOLHIDOS PELO AUTOR, Edições Galo Branco, em 2008. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Frederic Leighton (British, 1830-1896), Antigona,detail

 

 

 

 

 

Aricy Curvello


 

O náufrago


O plano que malogra,
a fortuna que se rende,
o fado que tem olhos
de acaso e relógio,
pelos três a grande Barca abalroada,
três mil passageiros se paralisaram no terror da hora,
em plena noite, ao mar, na baía da Guanabara.
Alguns, das águas
recuperados. Um, não dos mais belos, porém dos mais
jovens,
fortes ventos e correntes o impeliram para fora
da barra, para as altas águas, o alto mar,
roído de peixes,
que humano já não era, incorporado
a medusas e algas, ao
plenilúnio, às vagas, aos eflúvios do sal.
agora, sua respiração percorre o litoral.


( Mais que os Nomes do Nada, 1996)

 

 

 

Octavio Paz, Nobel

Início desta página

Virgílio Maia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

John William Godward (British, 1861-1922), Belleza Pompeiana, detail

 

 

 

 

 

Aricy Curvello


 

Às vezes


o substantivo carece
de mais substantivos


o verbo de verbos
verbos de advérbios


as palavras fazem crescer o mundo
mas a língua não é a realidade
nem a arte se assemelha à natureza


criam outra
realidade que expande a realidade


(às vezes)
              no branco da página


( Mais que os Nomes do Nada, 1996)

 

 

 

Frederic Leighton (British, 1830-1896), Antigona

Início desta página

Yêda Schmaltz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Titian, Three Ages

 

 

 

 

 

Aricy Curvello


 

Agora não mais agora


o implacável ardor que é viver
enquanto grassa
tudo o que passa


implacável ardor que não se cansa
na linha do destino o fogo dança
o implacável ardor apenas dança


o sonho a cada sonho mais informe
a vida mais torta a cada vida
eu te amei mais do que te amava
amor com amor se apaga
outras maçãs outras manhãs
anos enganos
sobre o fio da navalha dança
o vacilante coração do instante


( Mais que os Nomes do Nada, 1996)

 

 

 

Tiziano, Mulher ao espelho

Início desta página

César Leal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), The Picador

 

 

 

 

 

Aricy Curvello


 

Outra vez


Sempre estamos a reconstruir.
Estamos sempre recomeçando
num caminho que se destruiu


sempre se destruindo ainda.


As coisas feitas, mais que perfeitas,
duram apenas a construção
no instante: vamos adiante.


( Mais que os Nomes do Nada, 1996)

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Slave market

Início desta página

Ronaldo Bressane

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entardecer, foto de Marcus Prado

 

 

 

 

Aricy Curvello


 

Quando


sem receio, quando te entregares,
quando te fundires, sem medo,
aos obsclaros e ao mênstruo da linguagem,


mesmo se te houveres perdido,
porque terás de criar livremente a tua língua,


haverás de criar livremente o teu espírito.


(Mais que os Nomes do Nada, 1996)

 

 

 

Bernini_The_Rape_of_Proserpina_detail

Início desta página

Marcelo Coelho

 

 

 

 

 

10/04/2006