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Helena Quental 
hquental@terra.com.br

Uma notícia da poeta:

Poesia:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Helena Quental 

Helena Quental é carioca. Iniciou, na maturidade, o curso de Direito, na Faculdade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Posteriormente graduou-se também em museologia pela UNI-Rio. Entretanto, suas ocupações na criação e educação da família não lhe deram a oportunidade de atuar nas áreas em que estudou, muito menos de desenvolver sua vocação literária e poética. 

Essa inspiração latente aflorou em outubro de 1994. Seus poemas tomam a forma de versos livres, escapando por vezes da ortografia regular, de maneira a acentuar seus aspectos plásticos e sonoros, em parte perdidos na linguagem escrita.
[janeiro 2001]

 

 

 

 

 

 

 













 
 
 

Helena Quental 

 
GUERREIRA
Para Márcia Maranhão
Jovem dama, deusa mulher!
Guerreira habituada à luta;
Linda como uma flor; 
Forte como uma atleta;
Mãe como uma loba!
Amante como Afrodite!

Tem uma aura de luz e poder!
Detentora de equilíbrio,
Esforço e esperança!

As asas de um anjo,
Pairando sobre ela,
Fazem sombra benfazeja,
Livrando-a de males e invejas!

Assim seguirá nossa mestra
Do movimento, do equilíbrio,
Da paciência e da persistência,
A deusa guerreira
Marcia Maranhão,
Cuja égide é um "piercing"
De ouro incrustado em seu lindo
                Umbigo!


                                         Helena Quental, 12/09/2001

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Helena Quental 

 
PANTOMIMA 

Que sejas minha epifania,
Não, uma visão bela mas 
Demoníaca.
—Coisas nos acontecem!

Cobrirei minha face com pó de gesso.
—Disfarçar-me em fantasma,
A fim de enganar aos deuses,
No ritual do amor!

No pulso, trago um espelho,
Na boca uma flauta mágica.
—Vou especulando meu ainda futuro
E atrainndo os deuses que
Vez por outra, deixam-se emprenhar
[pelos ouvidos]
Com a magia da música.

 —Eles estão chegando!
 Quem sabe, passarão ao largo
E não me exigirão aquele ritual? 
 

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Helena Quental
APENAS

Ah, teu abraço!
Somente ele faria o milagre
Há tanto tempo esperado.
Susteria o iminente desmoronamento
Dos meus pilares corroídos.

Ah, morder tua boca,
Mordes teus membros;
Mergulhar no verde lago dos 
[teus olhos],
Mitigar minha sede nesta água 
E ao contrário de Phoenix,
Renascer no líquido...

 

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Helena Quental
OUSADIA

É preciso ter coragem para ser feliz.
—Agora, 1 ano de minha vida,
São 10 da tua; brutal desproporção.
Surpresas, tem o destino!
Um encontro ocasional,
Clássicas mãos, dedos mágicos;
Ondas luminosas na cabeça;
Pronta, a receita para um banquete do sentidos.
Onde nos envenenamos
Ou embarcamos para Cítera...
 

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Helena Quental
 IF
(oferecida a Hélio)

Se, ovulando, eu ainda estivesse,
Geraria outro sol contigo...
Se
Entregar a alma a Satã,
Me proporcionasse essa faculdade,
Não hesitaria um segundo!
 

 

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Helena Quental
ONÍRICO

A mente trabalha todo o dia.
Mas à noite, o virtuoso senhor:
O sono, fecha os teus olhos.
Toca de leve, tua linda boca.
Ela se entreabre para
A entrada dos sonhos!
Sim, entram pela boca...
E eu estou neste sonho.
Eu sou ele.
Te penetro. Amoleces, desfaleces
Em delicioso torpor!

É a droga da paixão.
A mais temível, mais forte!
Para ela, não há fronteiras!
Vibram as trombetas no céu.
Quando ela entra em tua boca,
Entreaberta e perdida...
 
 

 

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Helena Quental
PROVOCAÇÃO

Ah, verter champanhe brut
Sobre teu largo peito,
E como se fora uma loba,
Sorvê-lo todo, até a última gota!
A dois?

Um lobo, uma loba,
De olhos bem vendados,
Sentidos aguçados,
De desejos, embriagados,
A um paralelo mundo,
[transportados.]
Talvez, voltássemos nunca mais!
—Passássemos para o outro lado...

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Helena Quental
SELENE

Quisera ser Selene,
 Filha de Hélio.
 —Viveríamos um amor só permitido
[a deuses...]

Eu pediria a Zeus, o milagre
De eternizar meu jovem pastor,
De castanhos cabelos ondulados,
Olhos verde-azulados;
Boca sensual explodindo em pecados
Que nunca o deixasse envelhecer,
Para eu poder visitá-lo noite após noite,
Cobri-lo de beijos e
Devorá-lo numa "antropofagia" amorosa;
Adormecido no declive da montanha!
E eu, voltando amanhã e sempre...
 

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Helena Quental
VÔO

O beija-flor, às vezes, voa de costas.
Não sei qual a razão.
—Sinto-me de asas abertas,
Voando de costas, mas, em tua direção.
—Para que?
Para te confundir,te surpreender.
—Não veres as minhas penas grisalhas, já...
Pensares que estou saindo de ti
E não, indo para ti.
—Intenção: pousar sobre tua cabeça
[dePerseu,]
E, fazer-te cafuné, com meu bico
[esperto]
Afundar-me, aninhar-me nas 
Ondas castanhas, luminosas, dos teus cabelos!

Ao menos enquanto dormes,
E penetrar teus sonhos...

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Helena Quental
LETRAS

Há, na afinidade de nossos espíritos,
Um magnetismo mágico
Que não tolhe, a distância.
E tua ausência presença,
É um imã que vence espaços,
Jogando em minha máquina
[de pensar,}
Letras soltas que vêm voando
E se juntam em amorosos recados
Que, com astúcia e paixão,
À noite, de devolvo.
Sempre à noite!
Como um bailado nupcial
De notívagos pássaros!

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Helena Quental
VERTENTE VERDE

O fogo verde das tuas esmeraldas,
Cegou-me, por certo!
E fez de ti, uma estátua sagrada
Que resplandece ao ser tocada...

Ilumina-se o teu corpo,
Brilham teus cabelos, teus marfins!
...Me excita e exacerba minha 
Crescente ambição desse tesouro!
 

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Helena Quental
CATEDRAL

Recinto amplo, vazio!
Gigantescas janelas de catedral;
Sem portas. Só janelas.
Pé direito de dez metros.
— E ele, a um canto, recostado.
Despido, como Adão!

Olhos verdes-farol,
Luminosas ondas na cabeça.
Boca: portal do paraíso,
Por pérolas, iluminado.

Entrei pelo janelão.
Atravessei-o, simplesmente.
Vim voando à la Chagal!
Sem asas, sem roupas.

Há séculos ele esperava.
Há séculos eu o buscava! 

Pousei, caminhei em silêncio.
Sentei sobre ele ,
Que abriu o portal do Nirvana,
Por onde penetrei
Para não mais voltar...
 
 

 

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Helena Quental
VENTO DA NOITE

Tomo carona num canhão de luz.
Viajo com destino ao grande recinto
Da catedral do sonho!
Lá, onde estás indefeso
Como um botão de rosa solitário.
O último, talvez, do verão!
Fechado ainda; desabrochando...

Vôo com a luz.
Minha massa é energia.
Preciso chegar antes que
[abras...]
E tuas pétalas vermelhas, perfumadas,
Sejam colhidas pelo vento da noite,
E perdidas para mim!
 

 

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Helena Quental
FRAGMENTOS

Quando olho teu retrato,
Languidamente recostado
Em alfombras macias,
Belo, dos pés aos cabelos,
Sinto uma fome inesperada!
Tenho de tomar algum alimento 
[sólido.]
Mordê-lo, triturá-lo, como se fora
Teu peito, teus mamilos, teu lóbulo!

E pelos estranhos caminhos da mente,
Consigo trazer-te à minha boca,
E te mastigo como a uma hóstia
[sagrada]
À que não se deve tocar,
Nem com a língua,
Pois é pecado...

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Helena Quental
LOBO SOLITÁRIO

Desviou-se de sua alcatéia!
Era diferente; não agressivo.
Seus olhos brilhavam muito,
Mas eram verdes cor da floresta!
— Não apreciava coelhos
Nem entranhas de cervos!
Preferia peixes e até frutas.
—Era diferente!
Que fazer?
Afastar-se da alcatéia feroz;
Ficar só, lutando pela sobrevivência,
Mas embevecendo-se com 
A música da natureza!
E até, amar pessoas...
Era tão diferente!
Seu uivo era um som de clarineta
[em surdina!]
Seria uma mutação?
Um lupus homo?

H.Quental, 12/2000
 

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