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Sebastião Uchoa Leite

* Timbaúba, PE, 31.1.1935

† Rio de Janeiro, RJ, 27.11.2003

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:


Ensaio, crítica, resenha & comentário: 


Fortuna crítica: 


Alguma notícia do autor:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maura Barros de Carvalhos, Tentativa de retrato da alma do poeta

 

Michelangelo, Pietá

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rinaldo e Armida

 

 

 

 

 

Sebastião Uchoa Leite


 

Bio-Bibliografia


Nasceu em Timbaúba, PE, em 1935 e faleceu no Rio de Janeiro em 27 de novembro de 2003. Em Recife estudou direito e filosofia, foi professor, trabalhou na Rádio Universitária, participou de Estudos Universitários e do grupo de O Gráfico Amador e co-dirigiu o suplemento literário do Jornal do Comércio. Mudou-se em 1965 para o Rio de Janeiro, onde fez parte do grupo da revista José, tendo trabalhado em diversas editoras, na Enciclopédia Mirador Internacional (com Antônio Houaiss e Otto Maria Carpeaux), na Funarte e no IPHAN.

Sebastião Uchoa Leite publicou os seguintes livros de poemas: Dez sonetos sem matéria (1960), Antilogia (1979), Isso não é aquilo (1982), Obra em dobras (que reúne os anteriores, além de Dez exercícios numa mesa sobre o tempo e espaço, Signos/gnosis e Cortes/toques, 1989), A uma incógnita (1991), A ficção vida (1993), A espreita (2000) e A regra secreta (2002). Publicou também os livros de ensaios Participação da palavra poética (1966), Crítica clandestina (1986) e Jogos e enganos (1995), além de ter traduzido várias obras, como Alice no país das maravilhas e Através do espelho, de Lewis Carroll, Crônicas italianas, de Stendhal, Signos em rotação, de Octavio Paz, O momento futurista, de Marjorie Perloff, e Poesia, de François Villon.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Nurture of Bacchus

 

 

 

 

 

Sebastião Uchoa Leite


 

A ficção morte


Penso em meu pequeno fim
Ouvirei zumbidos?
Sugado pela zona de vácuo?
Ou zero-corpo
Polidimensional
Subindo ao teto
Espiando-me de cima
Os outros em torno
Vozes mentalmente exaladas
Dizem ouvir-se um trinado
Muito alto
Sem zumbidos
Mas aí adeus
Morro de susto outra vez
Dentro da morte
 

 

 

 

Leighton, Lord Frederick ((British, 1830-1896), girl

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Paulo de Tarso Pardal

 

 

 

 

 

 

 

 

Goya, Maja Desnuda

 

 

 

 

 

Sebastião Uchoa Leite


 

Antimétodo 2


Pouco a pouco
Embaralho tudo e nada
Sou meu próprio
Espantalho
Fujo
De mim mesmo
Finjo-me
Da minha própria
Esfinge
Perdido em meu próprio
Labirinto
Sou o que sou
Ou minto? Será isso
Uma regra secreta?
 

 

 

 

Leonardo da Vinci, Embrião

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Carlos Figueiredo da Silva

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904)

 

 

 

 

 

Sebastião Uchoa Leite


 

Plaisirs d'amor


na transilvânia
em esquife esquálido
só acordo nos pesadelos
dos mortais normais
minha norma é não ser
mas ao vê-la
a efígie em medalha
adoeço da mortalidade
embarco espalho ratos em meu rastro
enfim te avisto em reflexos
a mão sobre o peito exangüe
enlouquecendo desse sangue
transporto-me para o teu quarto
unhas em pique
dentes em ponta
mas quando o galo canta
desapareço em chamas
 

 

 

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), Mignon Pensive

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Florisvaldo Mattos

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Judgment of Solomon

 

 

 

 

 

Sebastião Uchoa Leite


 

Numa incerta noite


Calculo as ruas que atravesso
Vendo a copa das árvores
Guiado pelas folhagens
Profusamente imerso
Na vertigem inversa
Da hemorragia verde
Do ciciópico olho vegetal
Que me contempla
 

 

 

 

John William Godward (British, 1861-1922),  A Classical Beauty

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Cyro de Mattos

 

 

 

 

 

 

 

 

Entardecer, foto de Marcus Prado

 

 

 

 

 

Sebastião Uchoa Leite


 

Realidade


Não a das clínicas imaginários
Dos pesadelos
Gritaram
O meu nome três vezes
Dormi outra vez
Sussurro ao pé do ouvido
Uma das minhas irmãs
"Já dormiu demais"
Acordei no outro dia insonhado
Era a mera realidade
 

 

 

 

William Bouguereau (French, 1825-1905), Admiration Maternelle

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Gustavo Dourado

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Bathsheba

 

 

 

 

 

Sebastião Uchoa Leite


 

Antipoética de Houdini


Atado pelos pulsos na cama
Arranco os fios à noite?
Mal acordo
E sou o Arranca-Fios!
Estude os nós
Tudo é desatável
Pela atenção paciente
Sou Houdini o mágico
Mas jamais afundaria nas águas
Acorrentado numa pedra
 

 

 

 

Valdir Rocha, Fui eu

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Pedro Lyra

 

 

 

08.12.2005