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Regina Lyra

reginalyra@gmail.com

Thomas Cole (1801-1848), The Voyage of Life: Youth

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:

Prefácio, ensaio, crítica, resenha & comentário:


Fortuna crítica:


Alguma notícia da autora:

            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

José Lívio Dantas

 

Valdir Rocha

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, The Empire of Flora

 

 

 

 

 

Regina Lyra



Bio-bibliografia


REGINA LYRA nasceu em João Pessoa, capital do Estado da Paraíba-BRASIL. É escritora, poeta e professora universitária. Sua poética lírica gira em torno dos sentimentos que movem o mundo. Transforma o particular em universal, evidencia o sentimento platônico imaginário. (Alfaya, 2003). Publicou cinco livros: O Livro das Emoções, 1998. Sonhos & Fantasias, 2000. Insensatas Palavras, 2003. Tempo de Encanto, 2004. Pela Editora Universitária - PB. Seu mais recente livro, Atos em Arte, 2006.

 

Livros Publicados:

  • O Livro das Emoções. João Pessoa: Ed. Universitária (UFPB), 1998.

  • Sonhos & Fantasias. João Pessoa: Ed. Universitária (UFPB), 2000.

  • Insensatas Palavras. João Pessoa: Ed. Universitária (UFPB), 2003.

  • Tempo de Encanto. João Pessoa: Ed. Universitária (UFPB), 2004.

  • Atos em Arte. São Paulo: Ed. Scortecci, 2006.

  • Entre_Nós. João Pessoa: Ed. Universitária (UFPB), 2008.

 

Participação em Antologias:

  • Talento Feminino em Prosa e Verso. vol. I. Ed. Scortecci: São Paulo, 2002;

  • Coleção Prosa e Verso vol. 2, Ed. Nova Letra: Blumenau, 2003;

  • Tempo de Poesia. Ed. Novas Letras: São Paulo, 2003;

  • Talento Feminino em Prosa e Verso, vol.II. Ed. Scortecci: São Paulo, 2004;

  • I Antologia Portal do CEN. Ed. Modelo: Londrina, 2004;

  • Roda do Mundo, Roda Gigante. Ed. Ottoni: São Paulo, 2004;

  • Antologia Internacional VMD. São Paulo: Ed. Ottoni, 2004;

  • Presente de Natal em Prosa & Verso. Ed. Scortecci: São Paulo, 2004;

  • Roda Mundo. Ed. Ottoni: São Paulo, 2005;

  • Terra Latina. Ed. Zeni Brasil: Curitiba, 2005;

  • Canto Novo Ed. Zeni Brasil: Curitiba, 2006;

  • II Antologia dos Escritores Brasileiros. 2ª ed. Bahia, 2006;

  • Roda Mundo. Ed. Ottoni: São Paulo, 2006;

  • Talento Delas. Ed. Scortecci: São Paulo, 2007;

  • Roda Mundo. Ed. Ottoni. São Paulo, 2007.

  • Antologia Poetrix 2. Salvador COPIGRAF, selo editorial MIP (Movimento de Poetrix Internacional), 2007.

  • O Talento Brasileiro em Prosa e Verso. Ed. Scortecci: São Paulo, 2008.

  • Proyeto Cultural Sur – Brasil. Poesia do Brasil. V. 8. Porto Alegre: Grafite, 2008.

  • Antologia Pórtico 3. Salvador. 2009. (no prelo).

  • Antologia Poetrix 3. Salvador. 2009. (no prelo).

 

 

Outras Informações:

  • Leite, Ascendino. Caracóis na Praia – Jornal Literário (p. 98-100) João Pessoa: Ed. Idéia, 2001.

  • Sayeg, J. B. Carneiro, P. Caio. A Vocação Nacional da UBE: 62 anos. São Paulo: RG Editores, 2004.

  • Resenha do livro Atos em Arte publicada na Revista Calibãn – Uma Revista de Cultura (nº 9 – 2006 p. 112-113). Rio de Janeiro: Ed. Calibãn, 2006.

  • Resenha do livro Entre_Nós publicada na Revista Calibãn - Uma Revista de Cultura (nº 11 – 2008 p. 143-145). Rio de Janeiro: Ed. Calibãn, 2008.

  • RenovArte. (UBE-RJ). Rio de Janeiro: Imprinta Express Gráfica e Editora Ltda., Ano I, N, 1, 2008. (p. 176).

  • Revista Destaque. Campo Grande- MS. Matéria publicada sobre o livro Entre_Nós. Dezembro, 2008. (p. 36).

  • Publicações e entrevistas em vários jornais do país e em sites de Cultura.

Email: reginalyra@gmail.com

Alguns sites:

http://penclubedobrasil.sites.uol.com.br/
http://www.secrel.com.br/jpoesia/reginalyra.html
http://www.ube.org.br/home.php
http://www.rebra.org
http://www.movimentopoetrix.com
http://www.rauldeleoni.org/academia/regina_lyra.html
http://www.algoadizer.com.br/site/exibirEdicao.aspx?MATERIA=171

http://www.gargantadaserpente.com/autores/reginalyra.shtml

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poussin, Rinaldo e Armida

 

 

 

 

 

Regina Lyra



Auto-retrato

 

Filha temporã,
Seus pais Augusto e Dulce.
Nascida no ponto
Mais Oriental das Américas,
Cidade de João Pessoa,
Capital do Estada da Paraíba.
Nordeste Brasileiro.
Cidadã do Mundo!

Nasceu com sobrinhos nascidos,
Portanto tia já era.
Rodeada pelos pais, irmãos,
Cresceu numa família feliz.

Criança alegre, contente
Entrou na adolescência,
Crises da fase,
Questionamentos da idade.

Veio a Grande Perda da vida,
Seu pai, seu herói,
Retirado abruptamente
Do seio da família,
Um infarto fulminante,
Levara-o mais cedo
Do esperado...

Sua vida, sua glória,
Sem motivação agora
Passou por tristeza,
Profunda...

O tempo...
Remédio para todos os males,
Todas as horas,
trouxera doses de conforto,
Para o que estava sem gosto.
Sua mãe ali estava,
Unindo filhos mais velhos,
Conclui a criação
Dos mais jovens, temporãos...
Precisa de todos unidos
Tocar a vida,
Concluir os objetivos!

Assim ingressa na fase adulta
Universidade,
Conclusão dos estudos
Fora precedido de longo sofrimento...

Poeta desde criança,
Teve nos pais o exemplo
Gostar de declamar,
Versos longos, jograis.
Formavam-se após a janta
No centro os pais a recitar,
Era o sonho da criança.

Na poesia encontrou o lenitivo
Que tanto procurava
Escrevia, escrevia,
Tudo que sentia...
As lágrimas escorregavam,
Pela face tristonha e meiga
Ausência do pai que amava...

Passara pela fase difícil
A lembrança tornou-se saudade,
Mas quando tudo vem à mente,
As lágrimas voltam a banhar,
Pelo rosto jamais esquecido.

Assim o tempo passara,
Veio o casamento,
Sua filha nascia
Muita emoção,
Vida de Sonhos e Fantasias...
Filha dedicada,
Mãe carinhosa,
Companheira presente
Vida em comum,
Profissional determinada,
Vence obstáculos,
Atinge objetivos.

Mas nem tudo são flores,
Novas perdas, novos ganhos.
Casamento desfeito
Sonhos desfolhados,
Da adolescência,
A primeira fase adulta.

A vida continua,
Com a filha pela mão
Traça sua caminhada,
Segue em frente,
Procura e vence,
Caminhos apresentados.

Mais tarde acontece novo encontro,
Segundo casamento é feito,
Deste não teve filhos,
Complicada vida:
Os meus, os teus, os nossos...

Além da dedicação
Ao magistério superior,
Exerceu vários cargos
Na administração universitária,
Orientou seus alunos,
Com justiça, ética e amor.

Suas letras criam versos
Suas palavras poemas,
O racional e o emocional
Fazem uma verdadeira trama,
Mão sempre junta!

Sua primeira publicação
Vem em 1998,
Com o Livro das Emoções
Reflete seu EU poético,
Em um contexto singelo.
Resumo da vida,
Sofrimentos, alegrias,
Emoções vividas...

Sonhos e Fantasias
Demonstra mais versatilidade,
Compõe agora a real ventura
Poética.
Amadurece sua trajetória
Sua vida literária
Transita por imagens,
Esclarece sua história.
Assim foi no ano 2000.

Insensatas Palavras surgiam,
Sua procura contínua
Em 2003 publicava.
Mais um livro, mais uma sina.
Sua verve lírica intensa
Transborda poesia,
Nas palavras, no dia a dia...

Nos tempos de vida
E de morte,
De felicidade e de sorte,
Chega Tempo de Encanto
Busca poesia crescente
Na evolução conseqüente.

Participa de Antologias,
Movimentos poéticos,
Associações,
Amplia seu território.
Bienais no Rio, São Paulo
Encontros de Poesia,
Lançamentos vários.

Vida e arte compõem
Seu momento presente.
Arte que fala da vida,
Mundo descortinado,
Protestos mantidos.

Assim é Regina Lyra
Atinge a maturidade,
Pura Emoção,
Não esquece seus Sonhos,
Alimenta suas Fantasias,
Com Palavras, atos e ações
Vive Tempo do Encanto.

Amiga, irmã,
Filha, Mãe,
Companheira!
Sincera, alegre,
Solidária,
Acima de tudo fraterna.
De bem com a vida.
Assim é Regina,
Lyra do Sentimento
Amante da Arte!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Delaroche, Hemiciclo da Escola de Belas Artes

 

 

 

 

 

Regina Lyra



Percepção


Gostaria de estar a anos luz
Contigo,
Entretanto parece que perdemos o trem
Que nos levaria até lá.
Sem passagens
Sem hora
Sem bagagens,
Ficamos desnudos
Um na frente do outro,
Restando a lembrança
De uma linda saudade,
De quando fomos amantes
E vivemos um amor
Delirante
Apaixonado,
Podemos viver o passado
Reavivar o presente
E pensar no futuro?
Ou simplesmente nos viramos,
Sem perceber sequer
Que estávamos nus...


Poema publicado no Livro das Emoções.
Ed. Universitária: João Pessoa, 1998.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Theodore Chasseriau, França, 1853, The Tepidarium

 

 

 

 

 

Regina Lyra



Ser amante


Procurar o que haja de bom
Procurar a melhor forma de amar
Sem restrições,
Independente,
Liberado
E amante.
Procurar o relacionamento perfeito
Procurar fora,
O que tem dentro de você.
Será possível encontrar
Sua ternura,
Seu carinho,
Sem que isso não seja
A procura do reflexo
Do seu próprio eu?


Poema publicado no Livro das Emoções.
Ed. Universitária: João Pessoa, 1998.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Regina Lyra



Noite fria


A noite chegou clara
Bonita, estrelada.
A vida parou escura
Triste, faminta.
Ele procurou o que comer
E encontrou estrelas no céu,
Procurou abrigo para o frio
Mas só viu o infinito,
Tristemente,
Com frio e fome
Não pôde ver beleza na noite,
Não pôde sentir o seu calor,
Nem murmurar o seu nome...


Poema publicado no Livro das Emoções.
Ed. Universitária: João Pessoa, 1998.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Regina Lyra



Sentido, onde?


O vazio
Deixa tudo na inércia.
Na vida
Há transformações de atos
Que danificam
Os fatos existentes,
Fazendo com que a palavra dita
Deixe de ser pronunciada com sinceridade,
Para ser apenas o eco do pensamento
Que não tem mais tanto sentido...


Poema publicado no Livro das Emoções.
Ed. Universitária: João Pessoa, 1998.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Regina Lyra



Resposta


A vida apressada nos leva em corrida
Em busca dos desejos incompletos.
Nos vemos distantes da terra amada
Do torrão natal.

Um dia voltamos embevecidos
Olhamos a paisagem
A face do amigo
Do parente
Do irmão...

Por que não temos mais tempo
De olhar o natural
De escolher o universal
De sentir o calor humano?

Assim como à terra natal
Deixamos os amigos
Sem notícia.
E nesta corrida louca
Em busca de sobrevivência
Onde se ter tempo de fazer poesia
A não ser em resposta a uma carta sua...

Se a saudade apertar
E não chegar a resposta
Foi culpa dos correios
Espere a minha chegada
Para tomarmos chá com torradas
Um porto
E conversarmos mais um pouco.


Poema publicado no livro Sonhos & Fantasias.
Ed. Universitária: João Pessoa, 2000.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Allan R. Banks (USA) - Hanna

 

 

 

 

 

 

Rubênio Marcelo

 

 


ARTE E ATOS POÉTICOS DE REGINA LYRA

(A essência do amor e outras percepções)

 

 

 

Após presentear-nos com Tempo de Encanto (Ed. Universitária - PB, 2004) – obra lançada, com sucesso, em várias partes do Brasil – a poeta Regina Lyra chega agora com o seu 5º livro: ATOS EM ARTE.  E foi com desvelo pleno e natural frisson que lancei meu olhar sobre este belíssimo compêndio desta operária das palavras, esta afável artífice doverso, que sabe tão bem extrair da alquimia multiforme dos momentos a quinta-essência para o invólucro dos seus pensamentos.

Eu, que conheço Regina desde o século passado e já li quase tudo que esta escritora publicou, posso afirmar – com toda certeza – que ela não é apenas uma mulher sonhadora, sensível e romântica, que simplesmente busca traduzir, em textos, o que sente. Não é uma mera poetisa ou uma versejadora.  

Em toda sua intensa travessia, tem mostrado claramente que é, sim, uma autêntica mulher-poeta que sabe de cor as curvas e contracurvas das sendas crepitantes da emoção, pois traz, permanentemente estigmatizada no âmago, a marca do estro original. Traz a vocação com nobreza e a grã magia das messes idílicas num ritmo melódico-fascinante que impregna de leveza as faces do seu peculiar modus scribendi.

Assim, ela impressiona pelo poder intertextual de criação e de síntese, valorização do fonema, vibração harmoniosa do verbo e vigor substantival. Perseguindo o inusitado e fugindo do convencional, a autora – ora lírica, meiga, afetuosa, ora irreverente ou introspectiva – vai registrando, com originalidade e primorosa fidelidade à artesania poética, temas que se amalgamam com as sensações mais recônditas (aquelasRubenio Marcelo que repousam latentes nas fronteiras do íntimo), propiciando aos seus leitores o místico sinete para uma fascinante viagem pelas sacrossantas plagas incognoscíveis da beleza.  

Nesta sua presente obra, a poetíssima Regina Lyra utiliza-se de sua imperecível sensibilidade para conceber, com requintes de doçura e ardente feminilidade, um mundo todo particular, marchetado de brilho, encanto, sensualidade e romantismo, onde a tessitura inconsútil e voluptuosa da despojada ave-palavra alça-se admiravelmente em infinitos vôos estelares, aspirando à eternidade.

Através da sua versátil capacidade criativa, embalada nas fibras texturais do lirismo, a irrequieta escritora – resgatando o sabor buliçoso das evocações e as vivências ternas arrastadas pelas correntezas inelutáveis do tempo – mostra-nos, em Atos em Artes, uma escrita lúcida, atraente, deleitante, racional e fecunda, predominantemente tematizada pela chama-feérica-do-amor que lha sublima o ventre e habita seus poros, numa íntegra ação de confiança, numa entrega sã de cumplicidade, numa integração isomórfica e absoluta:

"...Creio no amor, lado a lado.../ Nas festas, na casa, no aconchego,/ No abraço, no beijo, no desejo.../ Enfim, Amor, creio em ti!" – Amor (pág. 76).

Este assunto é realçado com propriedade em grande parte da obra e – como podemos constatar – procura (e acha) o seu cais fértil já no primeiro poema ( Sentido Incompreendido - pág. 27): "... Atos , / Provocam dores, / Vazias! / Encontro frio, / Desajuste climático dentro dos Eu's... / Arte provoca desafio. / No contexto imaginário, / mente insana! / Em terra semeada / Amor atraca! / Nasce a flor do deserto..." .

O importante tema ganha contornos especiais em várias outras composições do livro. Como, por exemplo, nos poemas: "Chamado" (pág. 30), "Amore" (pág. 33), "Dimensão do Amor" (pág. 39), "Fraude" (pág. 42), "O que Faço" (pág. 74), "Passeios" (pág. 84), "Noites Incríveis" (pág. 87), "Enamorados" (pág. 88), "União" (pág. 89), "Amanhecer Contigo" (pág. 90), e "Parelha" (pág. 97). Tudo, de um ou outro modo, convergindo para aquela citação de James Baldwin: "Não é comum morrer de amor, mas neste momento, em todas as partes do mundo, milhões morrem por falta dele".   E se – como ensinou Dante – o sol e as outras estrelas são movidos pelo amor ("amor che move il sole e l'altre stelle"), ele também exorta de Regina a inspiração: " As palavras faltam, / Os versos seguem soltos. / Fazer o que faço, / Com gosto, sem embaraço. / Um abraço / Sentir o corpo / Em um toque inocente, malicioso... / Dom precioso." – (Palavras - pág. 85).

Além dos poemas insculpidos em harmonia com a ternura, a sensualidade e o amor, Regina celebra também – com Atos em Arte – a natural liberdade: "... Se o sol queimar a pele, / Bronzear rosto, / Chama! / Clama! / – Não disfarça!" (Disfarce - pág. 32); a inevitável saudade: "Neste mundo em que se vive, / Vejo, no tempo passado, seu rosto." (Síndrome da saudade - pág. 71);   a felicidade: "... Permita que as lágrimas rolem de felicidade, / Completo êxtase..." (Permissão - pág. 36);  o sonho: "Melhor da realidade é o sonho..." (Para os sonhadores - pág.41);  o encantamento: "... Seu tocar, / Faz a música penetrar! / É dádiva! ..." (Sentidos - pág. 66);  introspecção e prudência: "Não sei o que se passa. / Aprendi que a paciência é a sabedoria dos que têm história..." (Passagem - pág. 53); o encontro: "... Mundo pode parecer pequeno. / Todavia é grande! / Mesmo assim, / Pegamos mesma via de acesso ..." (Pequeno grande mundo - pág. 102);  o desencontro: "A voz... Não pudera ser ouvida. / Som de cachoeira, água caindo... / Derrame de lágrimas... / Susto terrível! ..." (Cascata de Lágrimas - pág. 67);  a tristeza: "... Silêncio instala! / Sozinha, chora cansada..." (Dias em vão - pág. 46);  e outras transcendentes percepções: "... Pensamentos esvaecidos, / Silêncio sepulcral. / ... Todas as cores cobertas de negro. / Todas as noites que chegam." (Silêncio sepulcral - pág. 91).

Com seu acendrado poder de concisão, Regina não se esquece também de revelar a sua indignada hermenêutica acerca dos pesares e infortúnios existenciais. Isto podemos constatar em "Desafio"  (pág. 54); "Sem sorte" (pág. 56); e em "Destino" (pág.57).

Em "Vale" (pág. 47), a autora faz valer o seu magistral codinome de "Regina, Lyra do Sentimento", ao escrever, com veemência: "... Quanto vale o que cabe na mão? / Se for sentimento, / tem preço não!".

Vários poemas inseridos neste "Atos em Arte" esbanjam uma fortíssima dosagem de efeitos surreais, espectros polissêmicos que nos impulsionam – num misto de encantamento e perplexidez – a lê-los repetidas vezes, sempre se descobrindo, em cada palavra, em cada imagem e em cada verso, a irrefutável virtuosidade da sua autora (verbi gratia, "Vale Compra" - pág. 31; "Falso" - pág. 59;  " Poesia Terê" - pág. 64;  e  "Poema sem rumo" - pág. 70).

A poesia regineana é um fecundo estuário onde se encontram águas puras e diversas, correntezas lustrais de plectros que fazem com que o leitor, fascinado com este vívido panorama, possa mergulhar, em êxtase, neste caudal cristalino de bonança e de fulgor.

Sintetizando, temos em "Atos em Arte" uma produção consciente e poliédrica, dotada de impressionante sensorialidade, que vai desde uma linguagem essencialmente poética livre, metaforizada, simbólica; passando por poemas breves, de fôlego inteiriço (alguns com menos de vinte palavras); outros com estrofes levemente rimadas (rimas fortuitas); um minucioso poema autobiográfico ( Perfil - pág. 103) e, finalmente, um ensaio especial sobre a autora (pág. 110).

Em todo o conjunto temos literatura de primeiríssima qualidade, uma substantificação de arte expressa em sua acepção mais ampla, sublimando e corporificando as profusas perspectivas imaginárias do signo lingüístico, unindo autora e leitores a efeitos atemporais da supra-realidade, exercitando-e-excitando o universo sensitivo de cada um e fazendo-nos compreender a verdadeira força de uma poesia viva, poesia vivida, poesia-vida!   Assim é a poesia de Regina Lyra. Poesia simples como um som de flauta doce que nos chega, de mansinho, pelas frestas da alma; e forte como a efígie de um parto que nos contempla e se aloja muito além de nossas retinas.  

Em "O Som das Palavras" (pág. 95), Regina afirma: "... Muitas vezes, necessita-se ouvir a voz do silêncio, / O conselho do espírito, / O grito da consciência. / Nada como trafegar em um mundo poético, / Imaginário (...) / Nada como a poesia, / Alimento do espírito" .  Realmente, Regina Lyra sabe o que diz; diz o que faz. E faz porque sabe!

É ler para crer!       


 

Rubenio Marcelo - Poeta com vários livros publicados. Membro e Secretário-Geral da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras Campo Grande. 10 de fevereiro de 2006.


Direto para a page de Rubenio Marcelo

 

 

Adail Sobral

 

Augusto dos Anjos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Winterhalter Franz Xavier, Alemanha, Florinda

 

 

 

 

 

 

Um esboço de Leonardo da Vinci

 

 

 

 

 

 

 

Lau Siqueira

 

 

 

Reynaldo Valinho Alvarez

 


 

A CELEBRAÇÃO DO HEDONISMO

 

NA POESIA 

 

DE  REGINA  LYRA 

 

Atos em Arte, de Regina Lyra, é um livro muito bem afinado com a personalidade da autora. É, portanto, um livro fiel ao comando afetivo de Regina. Seus sentimentos nele se projetam como corpos despidos em praias que se abrem para a intensidade do sol tropical, sem rebuços, acanhamentos ou timidezes, plenos do cálido desejo de se ofertarem à mornidão dessas longas tardes infindáveis, repletas de sensualidade e preguiça.

A poesia amorosa, o elã vital, a festa dos sentidos, o ardor juvenil, o apego ao cotidiano, a topografia corporal, o erotismo, o hedonismo, o epicurismo, a voluptuosidade e o desejo são a temática, os tópicos, o cenário e a ambientação desses textos quase sempre voltados para a celebração do prazer.

Inútil procurar a sombra de uma nuvem pressaga no céu particular dessa poesia toda voltada à exaltação do amor físico em sua plenitude. Esse é, de fato, o centro, o fulcro, o núcleo, o eixo em torno do qual seReynaldo Valinho Alvarez movem os textos em poesia que formam este volume.  

Os poemas deste livro são, em geral, curtos, tal como os versos que os compõem. Há só um poema de maior extensão, denominado   "Perfil", que compreende sete páginas. A autora parece ter urgência em comunicar suas explosões de vitalidade incontida, para anunciar ao leitor a força do "pathos" que agita e exacerba sua sensibilidade em ebulição.

O ardente apelo à carne e aos sentidos não impede que Regina assinale a intrínseca sintonia do afeto com a solidariedade, ao escrever, no poema intitulado "Chamado". "Amor.../ Via de mão dupla,/ quando um fraqueja,/ outro ajuda!"

  A atmosfera, por vezes fantástica e onírica, dos enlaces amorosos defronta-se também com o despertar para a realidade concreta do cotidiano, nestes versos do poema denominado "Olhos levados": "Quem sabe o sono/ tenha levado teus olhos... / A manhã os lavou dos sonhos."

  Há um intervalo na seqüência múltipla de sensações, em que Regina lança um olhar crítico sobre a lavra da poesia, tecendo estas considerações no poema que ela denomina "Ser poeta": "Poesia é questão de estética/ Não dá para ser de qualquer jeito/ Nem pensar que é poeta,/ Escrever sentimento, / Ingênuo... Momentâneo.../ Passageiro..."

A breve reflexão sobre a natureza do fazer poético á apenas um abrir de parênteses no corpo deste livro. Logo se reinstala o vigor de um Eros indomado, exigindo reconhecimento. O repertório textual de Atos em Arte é regido pela volúpia dos sentidos e dominado pelo vigor dionisíaco dos apelos mais íntimos e inadiáveis.

A autora intensifica, neste livro, a feição iterativa de suas composições consagratórias do encontro amoroso.   Os "atos em arte"  do título geral cabem de vários modos no registro semântico.   Aos atos artísticos, aos atos do drama ou da comédia, às ações cometidas sob a égide da técnica, correspondem, também, os atos de amor cantados em textos literários.

Que se debruce agora o leitor sobre a poesia que lhe é oferecida pela autora, Regina Lyra, responsável por estas declarações de vida e vigor, extraídas de uma existência cumprida à luz do sol, cultivada em húmus, hormônio, humor e também na humildade das entregas consentidas, dos gestos não desperdiçados, embora gratuitos, e das diárias doações bem recebidas. Compete a ele, cúmplice ou carrasco, anjo custódio ou anjo vingador, o destino intransferível do comungante ou do trânsfuga, sendo o juiz que é, no silêncio e na solidão dos seus domínios.      

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* Reynaldo Valinho Alvarez - Escritor e poeta, autor de A faca pelo fio e de Lavradio, entre outros livros. Rio de Janeiro.

 


 

Link para a page de Reynaldo Alvarez

 
   
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

4.4.2009