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José Inácio Vieira de Melo

jivmpoeta@gmail.com

Winterhalter Franz Xavier, Alemanha, Florinda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poesia:

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Entrevistas:


Fortuna crítica: 


Alguma notícia do autor:

Foto: Ricardo Prado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Albrecht Dürer, Head of an apostle looking upward

 

Leonardo da Vinci,  Study of hands

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jean Léon Gérôme (French, 1824-1904), Plaza de toros

 

 

 

 

 

José Inácio Vieira de Melo


 

Biografia:

 

José Inácio Vieira de Melo (1968), alagoano radicado na Bahia, é poeta, jornalista e produtor cultural.

Publicou os livros Códigos do silêncio (Salvador: Letras da Bahia, 2000), Decifração de abismos (Salvador: Aboio Livre Edições, 2002), A terceira romaria (Salvador: Aboio Livre Edições, 2005) – Prêmio Capital Nacional de Literatura 2005, de Aracaju, Sergipe, A infância do Centauro (São Paulo: Escrituras Editora, 2007), Roseiral (São Paulo: Escrituras Editora, 2010), Pedra Só (São Paulo: Escrituras Editora, 2012) e a antologia 50 poemas escolhidos pelo autor (Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2011).

Organizou Concerto lírico a quinze vozes – Uma coletânea de novos poetas da Bahia (Salvador: Aboio Livre Edições, 2004), Sangue Novo – 21 poetas baianos do século XXI (São Paulo: Escrituras Editora, 2011) e as agendas Retratos Poéticos do Brasil 2010 (São Paulo: Escrituras Editora, 2009) e Retratos Poéticos do Brasil 2013 (São Paulo: Escrituras Editora, 2012).

Publicou também o livrete Luzeiro (Salvador: Aboio Livre Edições, 2003) e os CDs de poemas A casa dos meus quarenta anos (Salvador: Aboio Livre Edições, 2008) e Pedra Só (Salvador: Aboio Livre Edições, 2013). Participa das antologias Pórtico Antologia Poética I (Salvador: Pórtico Edições, 2003), Sete Cantares de Amigos (Salvador: Edições Arpoador, 2003) e Roteiro da poesia brasileira – Anos 2000 (São Paulo: Global, 2009). No exterior, participa das antologias Voix croisées: Brésil-France (Marselha: Autre Sud, 2006),  Impressioni d’Italia – Piccola antologia di poesia in portoghese con traduzione a fronte (Napoli: U.N.O., 2011), En la otra orilla del silencio – Antologia de poetas brasileños contemporáneos  (Cidade do México: Unam / Ediciones Libera, 2012), Traversée d’océans – Voix poétiques de Bretagne et de Bahia (Paris: Éditions Lanore, 2012) e A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua (Maputo, 2013).

Coordenador e curador de vários eventos literários, como o Porto da Poesia, na 7ª Bienal do Livro da Bahia (2005) e a Praça de Poesia e Cordel, na 9ª, 10ª e 11ª  Bienal do Livro da Bahia (2009, 2011, 2013), assim como os projetos A Voz do Poeta (2001) e Poesia na Boca da Noite (2004 a 2007), ambos em Salvador, e Travessia das Palavras (2009 e 2010), em Jequié. Desde 2009 é curador do projeto Uma Prosa Sobre Versos, na cidade de Maracás, no Vale do Jiquiriçá.

Tem sido convidado, com frequência, para participar de bienais do livro e de eventos literários por todo o país, como a Fliporto (PE), Flimar (AL), Flica (BA), Festival Literário de Feira de Santana (BA), Festival de Violeiros do Nordeste (RN), Sarau do MAC (PB), Flap (AP), Forum das Letras (MG), Portuguesia (MG), Off Flip (RJ), Terças Poéticas (MG), Quinta Poética (SP) e vários outros. Tem poemas traduzidos para os seguintes idiomas: espanhol, francês, italiano, inglês e finlandês. Foi coeditor da revista de arte, crítica e literatura Iararana, de 2004 a 2008.

Edita o blog Cavaleiro de Fogo: www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com

E-mail: jivmpoeta@gmail.com

(jan/2013)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Velazquez, A forja de Vulcano

 

 

 

 

 

José Inácio Vieira de Melo


Joelhos & Mel 
 

Sent: Sat, 8 DE MAIO DE 2004 01:31

Subject: SOBRE JOELHOS & MEL

 

Ave Chico Soares, cantador das paragens gerardianas, filhote de patativas (Calheiro e Assaré).

Doce, doce o chá que acabo de beber. Uma mistura das boas: chapéu de couro, capim santo e alfazema, adoçado com o mel das europas da Cerca de Pedra, minha roça, caatinga do sudoeste baiano. Bebi o chá fumegante ao mesmo tempo em que lia a tua molequice com o maná.

Rapaz, não entendi quase nada, mas senti assim um aperto no coração, uma saudade medonha da minha infância, quando me lambuzava de mel e farinha, nas baixadas da Ribeira do Traipu, lá na nação Caeté, também chamada Alagoas – meu país.

Cabra véi, é isso mesmo, a tua fala de Zé Limeira tá toda certa, timtim por timtim, Mãe é mel, mais mãe, mais mel, mais Mãe, mais mel, e assim se funda o ritmo da harmonia. Não sei bem o que tô dizendo, mas tudo o que digo é culpa tua. Foi tua prosa que desembestou essas coisas em mim. Peraí, qu'eu vou lê “Joelhos e mel” de novo.

O teu mel é melaço de cana, isso malembra dos cochos cheios de melaço misturado com sal grosso pra vacaria lamber, mas não era só a vacaria que se deleitava, a meninada toda também se lambuza – e eu junto.

Tu, poeta de Salomão, esperavas tanto pelo dia de poder provar o cobiçado angu, mas, como no Eclesiastes, tudo tem seu tempo, e tu esperavas e esperavas. E tu eras menino, chiqueirando carneiros,  menino bola de gude, os banhos de açude, os imbus inchados e o conseqüente travar dos dentes. Tanta espera.

Chegada a hora do angu de mel e farinha, da sobremesa desejada, a inocência já não era mais, e toda aquela doçura aparece pintada de amargo, e a terra já não parece ter a firmeza dos primeiros anos azuis do menino do Sertão, do menino dono do horizonte...

Sabe, Francisco Siarah, só bebendo mais um caneco de chá...

José Inácio Vieira de Melo  


 


 

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Rafael, Escola de Atenas, detalhes

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Inez Figueredo

 

 

 

 

 

 

 

Tintoretto, Criação dos animais

 

 

 

 

 

José Inácio Vieira de Melo


 

A propósito do ATENTADO POÉTICO de 11 de setembro  
 

Sent: Sat, 20 Sep 2003 04:45:11 -0300

Subject: Atentado poético

 

Chico Soares, poeta do Siarah e brasis, concordo com você: livros à mancheia e poemas aos quatro cantos: banco de praça, de igreja, mesa de botequim, de sinuca, portaria de edifício, de hospital, até cemitério e encruzilhada. Os despachos precisam de inovação, junto à cachaça e à farofa, um livrim de receita, ou então, um manual de como se deve proceder, obedecendo os ritos, para compartilhar das iguarias oferecidas aos orixás.

Livro ao amigo, olho no olho, pra virar irmão; livro para o desconhecido, sonho de amizade; livro para o inimigo, esperança de harmonia. Bem dizia o nosso condor “Oh! Bendito o que semeia/ Livros... livros à mão cheia.../ E manda o povo pensar!”. Sigamos o exemplo do jovem Castro Alves. Ele não ficava inventando um jeito de ser mesquinho.

A propósito, mande o paradeiro da mudinha, essa santa cheirosa, qué pr’eu mandar um livrim da minha lavra pra ela. Ela é num sabe ler, num é? Mas isso num é problema, a gente manda um cheio de figuras do Juraci Dórea, creia, primo véi, cada desenho em si só já é um poema. O meu livrinzim “Luzeiro” tá ficando um encanto só com as figura do Juraci, esse príncipe de Feira de Santana. Assim que tiver pronto mando um pra vosmecê, um pra nossa santinha muda (será que ela me presenteia de torna cuns panim impregnado pelo cheiro da fulô de lá ela?) e pra esse azuretado do jornal que escreveu aquelas bestajadas. Oh Chiquim, eu pensei que no Siarah num tinha disso não!

Compadre Feitosa, receba um abraço caatingueiro deste poeta alagoano da Bahia.

José Inácio Vieira de Melo

 

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Michelangelo, 1475-1564, David, detalhe

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Rubens Ricupero

 

 

 

 

 

 

Riviere Briton, 1840-1920, UK, Una e o leão

 

 

 

 

 

José Inácio Vieira de Melo


 

Centauro Escarlate


O teu centauro te espera,
monta em seu dorso
e vê o mundo pelos olhos da esfinge:
és o enigma, não o decifrador.

A gente se enche de calo,
a gente pensa que sabe,
a gente se desespera até,
mas não abre mão de estar aqui.

O teu centauro te espera
e o mundo é tudo o que a gente percebe:
é só sair por aí descobrindo
o que nunca vai ser teu.

E quando for noite alta
e os acordes de uma aquarela
luzirem dentro de teu espírito,
deixa o centauro que habita em ti
galopar, galopar, galopar
e transcender a ti e as tuas explicações.

Há de existir um lugar
onde os teus mistérios possam descansar.


 

 

 

William Blake, Death on a Pale Horse

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Helena Pedra

 

 

20.12.2007